Uma comissão do Parlamento francês investigou a trajetória dos telemóveis e concluiu que apenas 15% dos aparelhos são reciclados corretamente.

Telemóvel

Uma comissão do Parlamento francês investigou a trajetória dos telemóveis no país e concluiu que apenas 15% dos aparelhos são reciclados corretamente.
Os metais usados nos telefones não são recuperados e reutilizados e as minas de onde provêm estes metais encontram-se em países como a República Democrática do Congo, onde as péssimas condições laborais (inclusive o uso de trabalho infantil) e ambientais têm sido notícia em todo o mundo.

“Num telefone, há 40 tipos de metais e minerais, dos quais alguns são altamente tóxicos e outros extremamente valiosos, explicou a senadora Marie-Christine Blandin, que coordenou a investigação. “E existe outro problema: não são muito fáceis de serem retirados. São necessárias tecnologias de ponta das indústrias metalúrgicas.”

França não investiu o suficiente em instalações de reciclagem capazes de extrair estes metais, indo os telemóveis parar ao mesmo sítio dos eletrodomésticos comuns, embora tenham uma composição totalmente diferente. Pretende-se assim, dar um fim menos poluente a estes objetos e ainda estimular uma nova resposta industrial, uma vez que uma placa de circuito de um telemóvel contém ouro, platina, prata e cobre, entre outros metais, enquanto a sua bateria é rica em lítio e cobalto.

O relatório estima que 100 milhões de telemóveis velhos estejam guardados nas gavetas dos franceses, pois não sabem o que fazer com eles. “Algumas pessoas pensam que poderão voltar a usar estes telemóveis um dia, mas a rede mudou, passou de 2G para 3G. Os carregadores não são mais os mesmos, as baterias estão gastas”, conta a senadora. “As pessoas têm dúvidas sobre os seus dados pessoais, as fotos, mensagens e contactos guardados nos aparelhos. Poucas sabem que existem programas muito eficientes para apagar todos estes dados, garantindo a confidencialidade.”

O relatório também recomenda a adoção de regras mais rígidas para a importação de telemóveis, de forma a limitar os aparelhos que não são desmontáveis e que têm a bateria colada, uma estratégia das marcas para aumentar o consumo. Outra medida proposta é passar de 2 para 4 anos o período de garantia dos telemóveis, para que sejam usados durante mais tempo.

A organização Eco-Systèmes tem uma rede de 4000 pontos de recolha de telemóveis em França. Os aparelhos são consertados por desempregados e novamente revendidos. Os lucros são aplicados em projetos sociais. Outra iniciativa é a associação Pour la Vie (Pela Vida) que há 11 anos recolhe telefones antigos e, com o dinheiro, torna real “o sonho” de uma criança portadora de uma doença rara degenerativa, a distrofia muscular de Duchenne. Quarenta crianças já receberam viagens e outros presentes através deste projeto, conta o RFI.
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