Segundo Bea Johnson, o estilo de vida de desperdício zero é mais consciente e saudável e dá mais tempo para se fazer aquilo de que se gosta.

Bea Johnson

Bea Johnson e a sua família adotaram um estilo de vida de desperdício zero em 2008. Desde então, a quantidade de lixo produzida pela família, num ano, cabe num pequeno frasco de vidro.
Esta é uma experiencia que Bea partilha no seu livro “Zero Waste Home” e no seu blog com o mesmo nome e que lhe tem valido a descrição de “guru do desperdício zero”, assim como seguidores um pouco por todo o mundo.
Para além de se tratar de um estilo de vida mais consciente e sustentável, “os benefícios são incríveis”, diz. “Somos muito mais saudáveis desde que adotámos o [estilo de vida do] desperdício zero. Comemos alimentos mais saudáveis porque a nossa comida não se assemelha a plástico. Passamos mais tempo lá fora. Viver com menos tem-nos dado muito mais tempo.”

Despertar para o desperdício zero

Natural de França, Bea Johnson mudou-se para os EUA com 18 anos. Depois de se casar, o casal decidiu “viver o sonho americano”, o que significava “ter um carro maior e uma casa maior e enchê-la de coisas”, explica. Esta vida não lhes proporcionou a satisfação que procuravam e Bea descobriu que “as coisas não nos tornavam mais felizes. De facto, apercebemo-nos, quando começamos a simplificar as nossas vidas, que tínhamos mais tempo para fazer as coisas de que gostamos na vida”.
A viagem rumo a um estilo de vida mais simples e consciente começou quando a família (o casal e os seus dois filhos) se mudou para uma casa mais pequena. “Alugámos um apartamento durante um ano e só levámos aquilo de que necessitávamos e foi então que nos apercebemos que estávamos a viver melhor”, conta. “Oitenta por cento dos bens que tínhamos armazenado nem sequer nos faziam falta.”
Isto fez com que se quisessem informar mais sobre o ambiente e o futuro do planeta.

Os cinco R's do desperdício zero

A família segue, agora, os 5 R’s do desperdício zero: recusar o que não se precisa, reduzir aquilo de que se necessita, reutilizar tudo o que se conseguir, reciclar o que não se consegue recusar, reduzir ou reutilizar e compostar (“rot” em inglês) tudo o resto.
“Não se trata de reciclar mais, mas antes de reciclar menos graças ao facto de se prevenir que o desperdício chegue às nossas casas, em primeiro lugar”, explica.
“Fazemo-lo, primeiramente, ao recusar coisas de que não precisamos e, em segundo lugar, ao reduzir o que temos, adotando um estilo de vida de simplicidade. Em terceiro lugar, reutilizamos comprando em segunda mão e trocando o que é descartável por uma alternativa reutilizável. Em quarto lugar, reciclamos o que não podemos usar e, finalmente, (…) compostamos o resto.”

Minimalismo e simplicidade em casa e nas compras

Os Johnson vivem numa pequena casa em Mill Valley, na Califórnia, que reflete a sua filosofia de minimalismo. Tudo o que não é necessário foi removido. Isto torna a vida mais simples – um dos aspetos preferidos de Bea – e a família passa menos tempo a fazer as tarefas domésticas e mais tempo a divertir-se. Com menos coisas, há menos para limpar, diz. “Agora, só demoro cinco minutos a limpar a minha casa, todos os dias.”
Para fazer compras, Bea leva as suas próprias alternativas aos sacos de plástico – sacos feitos com lençóis velhos e fronhas. Para pesar as frutas e os legumes leva sacos de rede e, para os outros alimentos, frascos e garrafas de vidro. Os alimentos são comprados avulso, para evitar as embalagens, em mercados, e são guardados em recipientes de vidro, em casa.
“O desperdício zero acontece, realmente, fora de casa”, afirma a escritora de “Zero Waste Home: The Ultimate Guide to Simplifying Your Home”, que dá palestras e conferências sobre o desperdício zero. “Pode-se reciclar ou até compostar, mas não é disso que se trata realmente – trata-se de não comprar, ponto final. Uma vez que se tenha comprado uma coisa, tem de se descobrir uma forma de a descartar quando já não for útil.”

“Têm-nos feito pensar que consumir muito e utilizar artigos descartáveis nos faz poupar tempo e dinheiro”, nota. No entanto, isto é uma falácia, defende. “O trabalho do profissional de marketing é fazer com que queiramos coisas de que não precisamos mesmo.”
“Por exemplo, dizem-nos que precisamos de produtos diferentes para limpar o chão, as janelas, a casa-de-banho, o balcão de cozinha. Mas quando voltei aos básicos, descobri que tudo o que precisava verdadeiramente para limpar a nossa casa é de vinagre branco e água.”
Para lavar o cabelo, o corpo, a cara e como gel de barbear, a família utiliza uma barra de sabão sem estar embalada. É um só produto que eliminou quatro outros.”
“É um ótimo exemplo para mostrar que o nosso estilo de vida custa menos, faz-nos poupar 40% do nosso orçamento total e tempo, uma vez que já não tenho de ir à loja comprar todos os outros produtos”, explica Bea, que foi, em 2011, galardoada com um Green Award.

Alternativas mais naturais

No seu blog, Bea Johnson ensina a fazer alternativas mais naturais aos produtos que não se encontram à venda avulso.
A família usa um protetor solar feito com óleo de sésamo e óxido de zinco em pó e escovas de dentes compostáveis de bambu. Bea utiliza amido de milho como champô seco, Kohl caseiro como eyeliner, cacau em pó como blush e bicarbonato de sódio com stevia como “pasta” de dentes.
A escritora defende que tornar-se mais ecológico não significa que se tem de “abdicar do sentido estético”. “Ao princípio eu fiz isso porque acreditava que ser-se amigo do ambiente significava nada de maquilhagem ou de moda. Até desisti do champô. Então, apercebi-me de que existem alternativas e de que não é necessário abdicar-se do sentido de estilo.”


Ser em vez de ter

Quando a família não consegue reciclar algo, como, por exemplo, uma impressora velha, doam esse artigo a uma loja de caridade ou colocam-no num site que permite às pessoas disponibilizar, gratuitamente, artigos de que já não precisem a quem os possa querer.
“As pessoas pensam que viver este estilo de vida é tão difícil, quando, na realidade, é mais barato e leva a uma existência mais fácil.”
Quanto aos argumentos de que é um estilo de vida só para quem é rico, Bea coloca-os de parte. “Nós começámos a fazê-lo porque estávamos num período de dificuldades financeiras”, admite. “O meu marido não recebeu salário durante um ano enquanto estava a tentar começar uma empresa, eu tinha quatro part-times e estávamos no meio de uma recessão. Estávamos com dificuldades financeiras e foi o desperdício zero que nos tirou de lá.”
Bea convida as pessoas a tentar esta filosofia e garante os benefícios. “Ao fazê-lo, encontra-se paz e um estilo de vida que é mais rico do que o que se tinha antes, é um estilo de vida centrado em ser em vez de ter.”

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