Peter Wohlleben tem 51 anos e é um guarda florestal e escritor alemão.
Em maio, publicou o livro “The Hidden Life of Trees: What They Feel, How They Communicate — Discoveries From a Secret World” (A vida oculta das árvores: o que sentem, como comunicam - Descobertas de um mundo secreto), que é já um best-seller.
Wohlleben diz que a sociedade moderna costuma olhar para as árvores como “robôs orgânicos” que produzem oxigénio e madeira. Neste livro, apresenta pesquisas científicas, as suas próprias observações no terreno e aborda o facto das árvores nas florestas serem seres sociais.

As árvores conseguem contar, aprender e lembrar, alimentar os seus filhos, avisar as outras árvores quando há perigo enviando sinais elétricos através de uma rede de fungos conhecida como “Wood Wide Web; e por razões desconhecidas conseguem manter árvores derrubadas vivas durante séculos alimentando-as com uma solução de açúcar através das raízes.

Devido a estas interações, as árvores que vivem em comunidade protegem-se e vivem mais anos, por oposição a árvores solitárias, que têm vidas mais difíceis e, na maioria dos casos, morrem muito mais cedo do que as que vivem em grupo.

Número 1 na lista best-seller de não-ficção da Spiegel, o livro já vendeu 320 000 cópias e vai ser traduzido em 19 países. "É um dos maiores sucessos do ano", disse Denis Scheck, um crítico literário alemão, que elogiou o estilo de narrativa humilde e capacidade do livro para despertar nos leitores uma intensa curiosidade infantil sobre o funcionamento do mundo.

Numa viagem pela floresta, Wohlleben contou ao The New York Times: "Estas árvores são amigas. Vê como os ramos grossos apontam em direções opostas? Isso é para não bloquear a luz da sua amiga". Ao pé de uma velha faia, mostrou que as árvores ao envelhecerem ficam também com rugas como as pessoas. "Às vezes, um par de árvores como este está tão interligado nas raízes que, quando uma árvore morre, a outra morre, também.", explica.

Wohlleben estudou engenharia florestal e começou a trabalhar para a Administração Florestal do Estado da Renânia-Palatinado em 1987. Mais tarde, como um jovem engenheiro florestal responsável por uma floresta com cerca de 12 mil km² na região de Eifel, a uma hora de Colónia, derrubou árvores velhas e pulverizou-as com inseticidas. Tudo lhe parecia errado.
Ao aprender sobre o comportamento das árvores, descobriu que, na natureza, as árvores não são seres individualistas, mas que vivem em comunidades, e que, ao trabalharem juntas, em rede, e ao partilharem os recursos, aumentam a sua resistência.
Quando se plantam as florestas modernas, costuma-se deixar um espaço artificial entre elas, de forma a obterem mais luz solar e a crescerem mais rapidamente. Contudo, os naturalistas dizem que ao se criar muito espaço entre as árvores pode-se desconectar as suas redes, diminuindo os seus mecanismos de resiliência.

Fontes: The New York Times e Amazon
Primeira Foto: © Henning Ross

Partilha:

Comentários:

2 comentários. Diz-nos o que pensas

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.