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Tubarão-de-pontas-negras-do-recife

A captura, maus-tratos e abate intencionais de tubarões nas águas do Havai podem passar a ser ilegais, se a proposta de dois legisladores havaianos – que está a conquistar cada vez mais apoiantes – for aprovada.

A legislação protegeria todas as espécies de tubarões e de raias, em vez de apenas algumas, e seria a primeira do género nos Estados Unidos.

Como predadores de topo, os tubarões (…) ajudam a manter o ecossistema marinho em equilíbrio. Protegê-los de danos desnecessários é vital para a saúde dos nossos recifes de coral. Espero que este seja o ano em que sejamos capazes de dar este passo importante”, disse a deputada Nicole Lowen.

Os tubarões controlam as populações de presas e também contribuem para a manutenção da saúde dos oceanos, ao comerem os animais doentes ou enfraquecidos. “Eles são o sistema imunitário do oceano”, disse Ocean Ramsey, bióloga marinha.

A legislação preveria exceções para práticas culturais, para fins de investigação científica e para a proteção da segurança pública. As multas variariam entre 500 dólares (cerca 440 euros) para uma primeira infração e 10 mil dólares para uma terceira transgressão.

As ameaças que os tubarões enfrentam são várias. O comércio de barbatanas de tubarão é uma delas. Na China, a sopa de barbatana de tubarão é um prato muito popular nos banquetes e casamentos e também um símbolo de status para a classe média. Todos os anos, cerca de 100 milhões destes animais são mortos e as barbatanas de até 73 milhões acabam como ingrediente desta sopa.

“Estes animais já por cá andam há cerca de 450 milhões de anos, e durante o meu tempo de vida tantas [das suas espécies] ficarão extintas”, disse Ocean Ramsey. “Quero que isto pare. Não é justo para eles e não é justo para as gerações futuras.”
Foto: Tubarão-de-pontas-negras-do-recife (Carcharhinus melanopterus) | Klaus Stiefel/Flickr
Fish & chips

Os restaurantes de fish and chips (um prato típico britânico de peixe frito e batatas fritas) e as peixarias do Reino Unido estão a vender tubarões ameaçados aos seus clientes sem o conhecimento destes, revelou um estudo da Universidade de Exeter.

Os cientistas recolheram amostras de peixe vendido sob nomes genéricos nos restaurantes de fish and chips e descobriram que a maioria delas era de galhudo-malhado – uma espécie de tubarão classificada como “em perigo de extinção” na Europa e “vulnerável” a nível mundial.

Os investigadores também testaram as barbatanas de tubarão vendidas por um distribuidor grossista britânico e encontraram, entre elas, barbatanas de tubarão-martelo-recortado (Sphyrna lewini) – uma espécie classificada pela UICN como “em perigo” –, tubarão-anequim (Isurus oxyrinchus) e Sphyrna tudes. O distribuidor tencionava vendê-las a supermercados e restaurantes asiáticos no Reino Unido.

A descoberta de tubarões-martelo ameaçados realça o quão generalizada é a venda de espécies em declínio – chegando mesmo à Europa e ao Reino Unido”, disse Andrew Griffiths, professor da Universidade de Exeter. “O tubarão-martelo-recortado pode ser importado mediante condições estritas, mas o distribuidor não fazia ideia a que espécie pertencia a barbatana.”

Tubarão-martelo-recortado
Tubarão-martelo-recortado (Sphyrna lewini) | Foto: Kris-Mikael Krister/Flickr

Até 2011, era ilegal pescar galhudo-malhado (Squalus acanthias) na União Europeia, mas o peixe pode agora ser vendido quando é capturado acidentalmente nas redes destinadas à pesca de outras espécies.

Para além do galhudo, outros tubarões vendidos pelos restaurantes e peixarias incluíam o cação-pintado (Mustelus asterias), a pata-roxa-gata (Scyliorhinus stellaris) e o tubarão-azul (Prionace glauca).

Embora o governo britânico permita a venda de muitas espécies de tubarão sob nomes genéricos, os investigadores pedem uma rotulagem mais rigorosa do pescado, para que as pessoas saibam que espécies estão a consumir.

É quase impossível, para os consumidores, saberem o que estão a comprar”, disse Catherine Hobbs, investigadora da Universidade de Exeter e primeira autora do estudo. “As pessoas podem achar que estão a comprar um produto de origem sustentável, quando, na verdade, estão a comprar uma espécie ameaçada.”

“Também há questões relacionadas com a saúde. Saber que espécie se está a comprar pode ser importante em termos de alergias, toxinas, teor de mercúrio e devido à crescente preocupação com os microplásticos na cadeia alimentar marinha”, disse a investigadora.

No total, os cientistas analisaram 78 amostras de "chips shops" e 39 de vendedores de peixe, a maioria no sul da Inglaterra, assim como 10 barbatanas de um distribuidor grossista e 30 barbatanas apreendidas pela Guarda de Fronteiras do Reino Unido.

Em 2016, um relatório da organização de conservação Oceana revelou que não é raro que um peixe de uma espécie ameaçada acabe à venda nos mercados sob o nome de outra espécie. Das mais de 25 mil amostras de pescado testadas pela organização, uma em cada cinco estava mal catalogada.
1ª foto: Andrew Dunn/Wikimedia Commons

Barbatanas de tubarão
Barbatanas de tubarão examinadas no estudo | Foto: Rob Potts

Tubarão com coleira de plástico

Durante um mergulho no Mar Vermelho, o fotógrafo subaquático Jacek Dybowski encontrou um tubarão com um pedaço de plástico amarelo preso à volta do corpo, entre as suas fendas branquiais.

Como se pode ver na fotografia, o resíduo plástico está tão apertado que se crava na carne do tubarão-de-pontas-brancas-oceânico. À medida que o animal crescer, o plástico ficará cada vez mais apertado, causando-lhe ferimentos graves e asfixiando-o lentamente.

“Ver o tubarão assim foi devastador. Nunca tinha visto nada assim”, disse Jacek Dybowski. “Fiquei tão chocado quando reparei que este plástico amarelo estava a perfurar o corpo do tubarão. A dor devia ser insuportável.”

Acredita-se que o plástico amarelo tenha feito parte, em tempos, de um equipamento de mergulhador para respirar debaixo de água.

Jacek ainda pensou em tentar libertar o predador da sua “coleira”, mas acabou por decidir que era demasiado perigoso.

São mais de oito milhões de toneladas de plástico a chegar ao oceano, por ano. A manter-se este ritmo de poluição, em 2050 haverá mais plástico do que peixes no oceano, em termos de peso.

Tubarão dá à costa morto com aba de chapéu de plástico presa à volta da cabeça

Um tubarão de 1,8 metros deu à costa morto, na Flórida, com uma faixa de plástico presa à volta da cabeça, perto das suas fendas branquiais. A morte do tubarão da espécie Carcharhinus isodon serve para nos lembrar do impacto dos nossos resíduos na vida marinha.

A organização governamental St. Johns County Parks and Recreation, que publicou a fotografia do animal no Facebook, revelou que a faixa de tecido sintético era o que restava de um velho chapéu, mais precisamente a sua aba.

“Embora a causa da morte não esteja determinada sem a necropsia do animal, este é mais um exemplo de como o lixo plástico marinho não é só um problema global, mas também um local”, escreveu a organização.

A cada minuto, é despejado no oceano o equivalente a um camião de lixo cheio de resíduos plásticos. Até 2030, passarão a ser dois por minuto.

No ano passado, os cientistas descobriram plástico nos estômagos dos animais que vivem nas fossas abissais, os locais mais profundos do planeta.

Em agosto deste ano, uma tartaruga-de-Kemp – a tartaruga marinha mais rara do mundo, classificada pela UICN como “criticamente ameaçada” – foi encontrada morta, encurralada dentro de um banco de bar, numa praia da Flórida.

Isto é tão triste e tão fácil de impedir”, disse a organização South Walton Turtle Watch, que partilhou as imagens da tartaruga nas redes sociais. “Por favor, não deixem as vossas coisas – nada mesmo – na praia.”

On Friday, a finetooth shark (Carcharhinus isodon) was found washed up on the shore in Ponte Vedra with the plastic brim...

Publicado por St. Johns County Parks and Recreation em Terça-feira, 16 de Outubro de 2018


A maior cadeia de restauração de Hong Kong, a Maxim's Caterers Limited, anunciou que vai deixar de servir barbatana de tubarão nos seus restaurantes a partir de janeiro de 2020.

“Como uma das cadeias de restaurantes mais populares em Hong Kong, a posição da Maxim’s contra o consumo de barbatanas de tubarão é uma grande vitória para os tubarões e para os nossos oceanos”, disse Peter Knights, diretor executivo do grupo de defesa da vida selvagem WildAid. “Esperamos que isto sirva de exemplo a outros restaurantes e hotéis.”

A sopa de barbatana de tubarão é um prato tradicional da região, que remonta à Dinastia Song (960-1279). O prato é muito popular em banquetes, casamentos e outras celebrações ou reuniões.

Cerca de 100 milhões de tubarões são mortos todos os anos e as barbatanas de até 73 milhões acabam como ingrediente desta sopa. Depois de lhes cortarem as barbatanas, os pescadores costumam atirar o animal, em muitos casos ainda vivo, de volta para o mar, onde este sangra até à morte ou se afoga.

Esta prática está a prejudicar as populações de tubarões e os seus números estão a sofrer declínios dramáticos um pouco por todo o mundo. Como predadores de topo, os tubarões desempenham um papel fundamental nos ecossistemas marinhos.

Barbatanas de tubarão secam no distrito Sheung Wan de Hong Kong
Barbatanas de tubarão secam no distrito Sheung Wan de Hong Kong | Foto: Paul Hilton (Earth Tree/WildAid HK)

Um relatório recente, publicado na revista científica Marine Policy, revelou que a dizimação das populações de tubarões para o consumo de produtos destes animais subiu para níveis insustentáveis e que muitas populações estão ameaçadas pela sobrepesca.

Segundo o relatório, as capturas globais de tubarões aumentaram para mais do dobro, atingindo 1,4 milhões de toneladas nas últimas seis décadas e ameaçando quase 60% das espécies de tubarões.

A procura por barbatanas de tubarão caiu nos últimos anos em Hong Kong. Contudo, o seu consumo está a crescer noutras regiões e países, como na Tailândia, Vietname, Indonésia e Macau.

“O compromisso da Maxim’s contribuirá para atenuar o problema global da sobrepesca, especialmente no caso dos tubarões-azuis, que são os tubarões servidos nos seus restaurantes em Hong Kong”, disse Alex Hofford, da WildAid.
1ª foto: Alex Hofford/WildAid HK

ATENÇÃO: As imagens do vídeo que se segue podem chocar os leitores mais sensíveis.



Os microplásticos nos oceanos são uma “grande ameaça” para as baleias, alguns tubarões e outros animais filtradores como as raias, concluiu um novo estudo publicado na revista científica Trends in Ecology & Evolution.

Espécies marinhas como a baleia-comum, o tubarão-frade e o tubarão-baleia filtram a água do mar para capturar o plâncton e os pequenos peixes de que se alimentam. Alguns destes animais engolem centenas ou mesmo milhares de metros cúbicos de água diariamente para se alimentarem. No processo, também estão a ingerir os microplásticos presentes no mar.

Os investigadores acreditam que estas partículas indigeríveis podem bloquear a absorção de nutrientes, causar danos nos aparelhos digestivos dos animais e outros problemas decorrentes da exposição às toxinas associadas aos plásticos.

“Os nossos estudos sobre os tubarões-baleia no Mar de Cortez e as baleias-comuns no Mar Mediterrâneo confirmaram a exposição a químicos tóxicos, o que indica que estes animais estão a ingerir microplásticos nos seus locais de alimentação", declarou Maria Cristina Fossi, professora da Universidade de Siena e coautora do estudo.

“A exposição às toxinas associadas ao plástico representa uma grande ameaça para a saúde destes animais, uma vez que pode alterar as hormonas que regulam o crescimento e desenvolvimento do corpo, assim como o metabolismo e as funções reprodutoras”, explicou a professora.

Os investigadores estimam que as baleias-comuns no Mar Mediterrâneo estejam a engolir milhares de microplásticos por dia e que, na península da Baixa Califórnia, os tubarões-baleia ingiram 171 peças de plástico diariamente.


Foto: Tubarão-baleia

Os microplásticos são partículas de plástico com menos de 5 mm de diâmetro, que vão parar ao mar através, por exemplo, da lavagem de roupa de fibras sintéticas, da utilização de produtos com micropartículas de plástico, como alguns cosméticos, e da fragmentação de detritos de plástico de maior dimensão.

Muitas espécies de baleias, tubarões e raias já se encontram, atualmente, em risco de extinção, devido a ameaças como a sobrepesca e a poluição. Os autores do estudo temem que o impacto dos microplásticos os coloque ainda mais perto da extinção.

“Apesar de haver cada vez mais trabalhos de investigação sobre os microplásticos no ambiente marinho, apenas alguns estudos examinam os efeitos nos grandes animais filtradores. Ainda estamos a tentar compreender a magnitude do problema. Tornou-se claro, no entanto, que a contaminação por microplásticos tem o potencial de reduzir ainda mais os números das populações destas espécies, muitas das quais vivem muitos anos e têm poucas crias durante as suas vidas”, disse Elitza Germanov, coautora do estudo.

Os cientistas salientam a necessidade de se realizarem mais estudos para se compreenderem melhor os efeitos dos microplásticos nos gigantes dos oceanos e explicam que estes animais filtradores estão particularmente em risco de exposição por viverem em águas muito poluídas, como o Golfo do México, a região do Triângulo de Coral, o Golfo de Bengala e o Mar Mediterrâneo.
1ª foto: Elitza Germanov / Marine Megafauna Foundation


Em janeiro, a Air China tornou-se a primeira companhia aérea na China continental a proibir o transporte de barbatanas de tubarão nos seus voos. Agora foi a vez da Eastern Air Logistics Co. anunciar a mesma proibição, relativamente às suas quatros companhias aéreas.

“Os cientistas estimam que, por ano, sejam usadas as barbatanas de até 73 milhões de tubarões na sopa de barbatana de tubarão, sendo que muito do comércio deste produto tem como destino a China”, disse Alex Hofford do grupo de conservação WildAid, que aplaudiu a decisão das empresas, argumentando que “terá, provavelmente, um impacto significativo e duradouro nas populações de tubarões e nos ecossistemas marinhos em todo o mundo”.

“Em resposta ao desenvolvimento sustentável global e à proteção dos ecossistemas marinhos, e para prevenir a extinção dos tubarões, a nossa empresa anunciou oficialmente que todos os carregamentos de barbatanas de tubarão devem ser sujeitos a embargo nos voos da China Eastern Airlines, Shanghai Airlines, China Cargo Airlines e China United Airlines, a partir de 15 de maio de 2017”, diz a nova política da empresa.

No mundo, já são quase 60 as companhias aéreas e de transporte marítimo de contentores – entre as quais a gigante China Cosco Shipping – a adotar políticas contra o transporte destes produtos. Também há cada vez mais empresas de outros sectores a juntarem-se a esta causa, como diversas cadeias de hotéis e restaurantes e as empresas de logística UPS e DHL.


No ano passado, a China divulgou dados que mostram que as importações de barbatana de tubarão sofreram uma queda de 82%, entre 2011 e 2014. Segundo a WildAid, os preços grossistas também diminuíram entre 50% e 67%.

Estes dados são representativos da viragem que parece estar a fazer-se sentir no país, que proibiu, em 2013, a sopa de barbatana nos banquetes oficiais e que, no fim de 2016, anunciou que iria proibir o comércio doméstico de marfim, tendo já encerrado 67 fábricas e lojas deste produto.

O consumo da dispendiosa sopa de barbatana de tubarão, por outro lado, tem aumentado nos últimos anos, à medida que se foi tornando um prato cada vez mais popular nos banquetes e casamentos e um símbolo de status para a classe média.

Os tubarões desempenham um papel fundamental nos ecossistemas marinhos, como predadores de topo, mas o comércio da sua barbatana tem causado um acentuado declínio nos seus números em todo o mundo. De acordo com os conservacionistas, 74 espécies de tubarão encontram-se em risco de extinção, estando 11 “criticamente ameaçadas”.

Em outubro do ano passado, durante a 17ª Conferência das Partes, três espécies de tubarões-raposo e o tubarão-seda passaram a estar sujeitos a restrições no comércio internacional, embora a Islândia e o Japão se tenham oposto a esta decisão.

“É muito encorajador ver as companhias aéreas chinesas a dar o exemplo na questão da conservação de tubarões", declarou Alex Hofford. “As empresas dos EUA, como a United Airlines, a Delta Air Lines e a FedEx, deveriam estar envergonhadas por não agirem de forma semelhante.”

A WildAid vê ainda, com preocupação, a falta de medidas contra o comércio não regulamentado de barbatana de tubarão em Hong Kong.

1ª foto: Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos

Vídeo sobre o comércio de barbatana de tubarão, com comentários de membros da Sea Shepherd e da Academia de Ciências da Califórnia


A humanidade está a causar a extinção “sem precedentes” de vida marinha, caçando e matando as espécies de maior dimensão de um modo que afetará os ecossistemas marinhos durante milhões de anos. Este é o aviso dos autores de um estudo publicado na revista científica Science, em setembro de 2016.

A equipa de investigadores analisou uma base de dados com 2497 grupos de moluscos e vertebrados marinhos dos últimos 500 anos para comparar o atual desaparecimento de espécies aos 5 episódios de extinção em massa que decorreram no passado, há milhões de anos. Descobriram que ou não existiu uma ligação entre as espécies desaparecidas e o seu tamanho ou tinham sido as mais pequenas a ficar extintas.

No entanto, nesta “sexta extinção” – como os cientistas se referem ao que está a acontecer hoje em dia –, as espécies maiores, como o tubarão-branco, a baleia-azul e o atum do Sul, estão a ser levadas ao limite devido ao facto dos seres humanos as pescarem mais frequentemente do que as de menor dimensão. As consequências para a ecologia dos oceanos poderão ser devastadoras.
“Temos observado isto vezes sem conta. Os seres humanos entram num ecossistema novo e os animais maiores são os primeiros a ser mortos. Os sistemas marinhos têm sido poupados porque até há relativamente pouco tempo, os humanos tinham de se restringir a zonas costeiras e não possuíam a tecnologia para pescar no mar profundo a uma escala industrial”, observou Noel Heim, coautor do estudo, da Universidade de Stanford.
“Se este padrão não for controlado, faltarão aos oceanos do futuro muitas das maiores espécies atualmente existentes nos oceanos”, declarou Jonathan Payne, coautor da investigação e paleobiólogo da mesma Universidade. “Muitas das espécies de grande dimensão desempenham papéis críticos nos ecossistemas e, portanto, a sua extinção poderia levar a um efeito cascata que influenciaria a estrutura e a função dos ecossistemas futuros para além do simples facto de se perderem essas espécies.”

Jonathan Payne dá como exemplo a diminuição de moluscos predadores de maior dimensão do género Charonia nos recifes de coral, uma das razões apontadas para o crescimento explosivo dos números de estrelas-do-mar-coroa-de-espinhos, que comem os corais.

De acordo com Douglas McCauley, outro dos coautores do trabalho, as espécies grandes precisam, frequentemente, de maiores habitats e o facto de os governos estarem a criar, nos últimos tempos, zonas marinhas protegidas de maiores dimensões poderá dar alguma esperança ao futuro destes animais.
“Nos últimos cinco anos (…) o mundo começou a estabelecer zonas marinhas protegidas de maior dimensão”, disse ao The Guardian. “Estas são ótimas notícias, uma vez que reservas deste tamanho vão proteger, de facto, de forma significativa os animais de grande dimensão identificados como vulneráveis.”


A 17ª Conferência das Partes da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção) para a regulamentação do comércio de espécies ameaçadas teve lugar de 24 de setembro a 5 de outubro de 2016, em Joanesburgo, na África do Sul. De seguida, destacam-se sete dos principais momentos da reunião.

Pangolins

O pangolim é o mamífero mais traficado do mundo por causa das suas escamas, usadas na medicina tradicional chinesa, e da sua carne, que é considerada uma iguaria em países como o Vietname e a China. Recentemente, a UICN tinha apoiado a transferência das 8 espécies de pangolins do Apêndice II para o Apêndice I da CITES, em virtude do declínio que se tem verificado na população destes animais. A proposta levada à conferência foi aprovada e todas as espécies de pangolins foram transferidas para a categoria de proteção mais elevada, ficando banido o seu comércio.

Papagaios cinzentos africanos

Foi proibido o comércio internacional de papagaios cinzentos selvagens. A popularidade desta ave como animal de companhia tem instigado a caça nos países da África Central e Ocidental, de onde as aves são naturais. Isto tem resultado no declínio acentuado das suas populações selvagens – estima-se que o Gana tenha perdido entre 90 e 99% da sua população de papagaios cinzentos. A conferência votou e aprovou a transferência deste papagaio para o Apêndice I – o nível mais elevado de proteção.

Tubarões e raias

Os tubarões de peluche foram uma das mascotes da conferência. Nove espécies de raias, três espécies de tubarões-raposo e o tubarão-seda passam agora a estar sujeitos a restrições no comércio internacional.

Rinocerontes

A Suazilândia apresentou uma proposta que, sendo aprovada, lhe permitiria vender a sua reserva de 330kg de chifre de rinoceronte de modo a, nas suas palavras, usar o dinheiro para ajudar o trabalho de conservação destes animais. A proposta não foi, contudo, aprovada. As redes criminosas internacionais têm lucrado, ao longo dos anos, com o contrabando de chifre de rinoceronte do Quénia e da África do Sul para a Ásia, onde é utilizado na medicina tradicional asiática, dada a crença errada de que aumenta a fertilidade.

Pau-rosa

O pau-rosa é muito apreciado na mobília de luxo em países como a China. A explosão na procura levou a que o mercado crescesse 65 vezes, desde 2005, valendo atualmente 2 mil milhões de euros por ano. É igualmente responsável pela devastação das florestas de países do sudeste da Ásia, como Myanmar. Os traficantes estão atualmente a procurar outras fontes desta madeira na África e na América Central, conta o The Guardian. O comércio dos 300 tipos de pau-rosa fica agora, graças à conferência, sujeito a restrições.

Leões

A moção para o aumento das medidas de proteção dos leões africanos, nomeadamente a proibição total do comércio de partes corporais de leão, não foi aprovada. A Humane Society International, que juntamente com a Blood Lions tem lutado pelo fim da criação em cativeiro de leões, considerou esta decisão um “amargo desapontamento”. As partes de leão provenientes de animais criados em cativeiro são comercializadas em todo o mundo e o mercado de ossos de leão, usados na medicina tradicional asiática, parece estar em crescimento. Sendo assim, apenas o comércio de partes corporais de leões selvagens continuará a ser proibido.

Elefantes

Os elefantes foram um dos temas mais discutidos na conferência. Alguns países do Sul da África, que afirmam possuir populações destes animais estáveis ou em recuperação, queriam permissão para continuar o comércio legal de marfim de modo a que a receita gerada pudesse ser usada no apoio ao trabalho de conservação. Segundo eles, só poderão adotar políticas de conservação verdadeiramente sustentáveis se a vida selvagem puder contribuir para as receitas nacionais. Os conservacionistas discordam, defendendo que só uma proibição total conseguirá travar o lucrativo comércio ilegal, responsável pela dizimação da população mundial destes animais. Nenhuma destas propostas foi aprovada, mas uma resolução que pedia o encerramento de todos os mercados de marfim nacionais “que contribuem para o comércio ilegal e para a caça furtiva” foi aprovada. A conferência também fez progressos em relação aos Planos de Ação Nacionais sobre o Marfim. A Wildlife Conservation Society considerou o pacote de medidas concordado na CITES uma “vitória imensa para os elefantes”.