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Cassete

Quando Stella Wedell tinha 12 anos perdeu uma cassete de música, que ela mesmo tinha gravado, durante as férias que passou em Espanha.

25 anos depois, reencontrou-a numa exposição de fotografia dedicada ao lixo plástico marinho.

A cassete, perdida na Costa Brava ou na ilha de Maiorca nos anos 90, foi recuperada pela artista e fotógrafa britânica Mandy Barker, que a encontrou em 2017, numa praia das Canárias, a milhares de quilómetros de onde tinha sido perdida.

“Esta é uma história incrível e outro exemplo do problema da poluição por plástico”, disse Richard Thompson, professor da Universidade de Plymouth. “É muito difícil dizer exatamente quanto tempo a cassete esteve no mar, mas o facto de ter sobrevivido intacta mostra a durabilidade do plástico e a ameaça que isso representa para o ambiente marinho.”

Mandy Barker enviou a cassete a um especialista em áudio da Universidade de Plymouth – que conseguiu ouvir todas as suas faixas – e decidiu incluí-la na sua exposição “Sea of Artifacts”.

Foi aí que Stella a encontrou e reconheceu a lista das 20 canções nela gravadas, que incluía êxitos dos Pet Shop Boys, Bob Marley e Shaggy.

“Quando estava a ler a lista das faixas, pareceu-me muito familiar. Fazia sempre cópias dos meus CD, nesta altura, para ouvir no meu walkman, especialmente durante as férias”, explicou.

“Foi uma coincidência surpreendente o facto de Stella ter visitado a minha exposição e ter reconhecido a sua cassete”, contou Mandy.



O governador do estado norte-americano de New Jersey, Phil Murphy, assinou, no dia 9 de janeiro, uma lei que proíbe a posse, distribuição ou venda de barbatanas de tubarão.

A proibição entrará em vigor no dia 1 de janeiro de 2021.

“A remoção das barbatanas de tubarão é uma prática desumana que leva à morte lenta e dolorosa do animal”, afirmou Raj Mukherji, membro da assembleia de New Jersey. “Para além de ser pura e simplesmente cruel, esta prática está a ameaçar a própria existência de certas espécies, o que, em última análise, coloca em risco o equilíbrio de toda a vida marinha.”

Estima-se que todos os anos até 73 milhões de tubarões sejam mortos por causa das suas barbatanas, que são principalmente usadas na preparação de um prato muito popular na culinária asiática, a sopa de barbatana de tubarão. Esta procura tem levado à sobrepesca de muitas espécies vulneráveis destes peixes.

Depois de as barbatanas lhes serem cortadas a bordo dos navios, os animais costumam ser atirados, muitas vezes ainda vivos, de volta para o mar. Uma vez na água, sem barbatanas, os tubarões asfixiam, sangram até à morte ou acabam por ser ingeridos por outros animais.

“A verdade é que o comércio de barbatanas de tubarões é insustentável”, disse Vincent Mazzeo, membro da assembleia. “Os tubarões desempenham um papel inestimável nos ecossistemas marinhos.”

As barbatanas obtidas legalmente e usadas para fins de investigação científica ou de ensino ficam isentas da proibição. A lei também permitirá aos pescadores, desportivos ou profissionais, possuir barbatanas se as mesmas forem legitimamente obtidas.

A violação da proibição é punível com uma coima que pode ir de 5000 a 55 mil dólares. Tratando-se de terceira infração, o praticante arrisca-se a uma pena de prisão de até um ano. O dinheiro seria utilizado para ajudar a financiar projetos de conservação da natureza.

Com a nova lei, New Jersey junta-se aos 13 estados norte-americanos que já proibiram o comércio deste produto, entre os quais se contam Nova Iorque e Delaware. Em 2019, o Canadá também interditou a sua importação e exportação.

Frasco com amostra de água

De acordo com um novo estudo da Instituição Scripps de Oceanografia, poderá haver um milhão de vezes mais pedaços de plástico nos oceanos do que se estimava.

Utilizando um método diferente do habitual, a oceanógrafa Jennifer Brandon descobriu microplásticos – pedaços de plástico com menos de 5 mm – na água do mar a concentrações muito mais elevadas do que as registadas anteriormente.

A investigadora acredita que a técnica habitual deixa escapar as partículas mais pequenas. Segundo as suas estimativas, os oceanos poderão estar contaminados por 8,3 milhões de “mini-microplásticos” por metro cúbico de água.

“Durante anos, temos estudado os microplásticos da mesma forma, utilizando uma rede para recolher amostras”, disse a oceanógrafa. “Mas tudo o que for mais pequeno que a malhagem da rede tem escapado.”

O método de Brandon e da sua equipa implicou a utilização de salpas, animais marinhos de corpo gelatinoso que filtram a água do mar para capturar o fitoplâncton de que se alimentam. Durante este processo, os animais também ingerem microplásticos.

Todas as 100 salpas analisadas – provenientes de amostras de água recolhidas em 2009, 2013, 2014, 2015 e 2017 – tinham “mini-microplásticos” nos aparelhos digestivos.

“Apesar do grande interesse nos microplásticos, só agora começamos a compreender a dimensão e os efeitos destes contaminantes oceânicos”, disse Dan Thornhill, diretor de programas da Divisão de Ciências Oceânicas da National Science Foundation, que financiou o trabalho de investigação.

Este estudo demonstra que os plásticos marinhos são muito mais abundantes do que nos tínhamos dado conta e que se encontram por todo o oceano. É preocupante, especialmente porque as consequências para o ambiente e para a saúde humana continuam amplamente desconhecidas.”

O estudo foi publicado na revista científica Limnology and Oceanography Letters.
Foto: Scripps Institution of Oceanography
cavalo-marinho de White

Após um declínio dramático das suas populações, os cavalos-marinhos da espécie Hippocampus whitei, conhecidos como cavalos-marinhos de White, foram classificados como em perigo de extinção.

São agora a única espécie de cavalo-marinho ameaçada da Austrália e a segunda “em perigo” a nível mundial.

Para ajudar a reverter a situação, o aquário australiano SEA LIFE, em Sydney, desenvolveu um projeto de conservação que visa a criação destes peixes em cativeiro e, posteriormente, a sua devolução ao habitat natural.

“O cavalo-marinho de White é um animal muito interessante, mas, infelizmente, devido, em grande parte, à perda de habitat, a espécie está agora classificada como em perigo”, disse Robbie McCracken, do aquário.

Os cientistas começaram por recolher cavalos-marinhos adultos na Baía de Sydney. “Entre eles estavam alguns machos grávidos e é com enorme prazer que confirmamos que já testemunhamos seis nascimentos”, contou Robbie.

cavalo-marinho de White
Hippocampus whitei | Foto: Aquário SEA LIFE de Sydney

“Muitas das crias podem ser vistas pelo público na nova unidade que criámos no aquário, onde os juvenis em crescimento ficarão até à sua devolução à natureza.”

“Um facto verdadeiramente singular sobre os cavalos-marinhos é que são os machos a dar à luz e este é um espetáculo realmente incrível – dezenas de filhotes são expelidos da bolsa do macho de uma só vez! Estamos agora no processo de criar estes juvenis para que fiquem saudáveis e fortes, antes de os marcarmos e de os libertarmos no ano que vem”, acrescentou.

Hotéis para cavalos-marinhos

A outra fase do projeto, a construção de “hotéis” para os cavalos-marinhos, começa este mês.

Testados com sucesso em Port Stephens em 2018 e 2019, os hotéis começam como habitats artificiais que gradualmente se convertem em habitats naturais.

Com o tempo, as estruturas são colonizadas por algas, esponjas e outros animais, acabando por se inserir completamente no ambiente natural do local e transformando-se em casas perfeitas para os cavalos-marinhos.

Hotel para cavalos-marinhos
"Hotel" para cavalos-marinhos | Foto: David Harasti

A construção dos hotéis continuará ao longo dos próximos meses. As estruturas serão instaladas na Baía de Sydney no princípio de 2020, antes da libertação dos juvenis criados no aquário.

Espera-se que as estruturas promovam a recuperação e reprodução dos cavalos-marinhos.

“Um dos aspetos fundamentais deste projeto é que iremos implementar um programa de monitorização para avaliar como as crias se estão a safar depois de serem libertadas na natureza”, contou o biólogo marinho David Harasti.

“A instalação dos hotéis também proporcionará um novo lar aos cavalos-marinhos na Baía de Sydney e nós iremos acompanhar de perto a forma como este instrumento de conservação ajudará a espécie a recuperar.”

O projeto conta com a colaboração de vários parceiros, dos quais se destacam o Departamento de Indústrias Primárias do estado australiano de Nova Gales do Sul e a Universidade Tecnológica de Sydney.
1ª foto: Hippocampus whitei (David Harasti)
Tartaruga presa numa rede

A instalação de lâmpadas LED nas redes de pesca pode reduzir significativamente o número de tartarugas marinhas e golfinhos capturados involuntariamente nelas.

Esta foi a conclusão de um estudo da Universidade de Exeter e da organização peruana de conservação ProDelphinus, que analisou pequenas embarcações de pesca no Peru, entre 2015 e 2018.

Os investigadores constataram que a presença das luzes nas redes de emalhar reduziu a captura acidental de tartarugas marinhas em mais de 70% e a de pequenos cetáceos (incluindo golfinhos e botos) em mais de 66%.

As lâmpadas LED não afetaram a quantidade de peixes comerciais capturados.

Outros trabalhos de investigação já tinham indicado que a iluminação LED reduzia em cerca de 85% a captura involuntária de aves marinhas em redes de emalhar.

“A pesca com redes de emalhar tem, frequentemente, taxas elevadas de capturas acessórias de espécies marinhas ameaçadas, como tartarugas, baleias, golfinhos e aves marinhas”, disse Alessandra Bielli, principal autora do presente estudo.

“Isto pode provocar declínios nas populações destas espécies não alvo; contudo, foram desenvolvidas poucas soluções para este problema. Os sinais sensoriais – neste caso, as lâmpadas LED – são uma forma de alertar essas espécies para a presença de artes de pesca na água.”


Fotos: ProDelphinus

Os investigadores colocaram lâmpadas LED a cada 10 metros do cabo de flutuação de 864 redes de emalhar, emparelhando cada uma delas com uma rede sem iluminação para comparar os resultados.

“A drástica redução na pesca acessória de tartarugas marinhas e cetáceos nas redes iluminadas mostra como esta tática simples e de custo relativamente baixo pode ajudar estas espécies e permitir que os pescadores pesquem de forma mais sustentável”, disse Jeffrey Mangel, da ONG ProDelphinus.

A maioria das tartarugas capturadas no estudo foram tartarugas-verdes (86%), embora também tenham sido apanhadas tartarugas-comuns e tartarugas-oliva.

Entre os cetáceos capturados, 47% eram golfinhos-comuns de bico comprido, 26% golfinhos-cinzentos e 24% botos-de-Burmeister.

“Este trabalho enfatizou a utilidade das lâmpadas nas redes para salvar a vida selvagem. Precisamos, agora, de luzes cada vez mais resistentes e acessíveis”, disse o professor Brendan Godley.

O estudo foi publicado na revista científica Biological Conservation.


Um veado foi encontrado numa ilha escocesa remota com um enorme emaranhado de fita plástica preso à volta das suas hastes, boca e de um dos seus membros posteriores.

Acredita-se que o veado estaria a alimentar-se de algas na zona costeira da ilha de Jura, no arquipélago escocês das Hébridas Interiores, quando o material de pesca, que tinha dado à costa, se enredou nas suas hastes.

O animal ainda tentou subir a encosta, percorrendo aproximadamente uma milha (1,6 km). Permaneceu aí cerca de uma semana, incapaz de se alimentar, já que a fita estava enrolada à volta da sua boca.

Foi assim que Scott Muir, guarda de caça, o descobriu. O animal acabou por ser eutanasiado.

“Estava a caminhar pela zona, quando vi o lixo plástico e me apercebi de que havia um veado preso a ele”, contou. “A princípio, pensei que estava morto, mas, quando me aproximei, vi a sua cabeça começar a mexer-se. Sei a força que estes animais podem ter, mas ele parecia cansado e stressado, e não conseguia ver porque o plástico estava mesmo à volta da sua armação.”


Fotos: Wild Side of Jura/Facebook

“Também não conseguia alimentar-se porque a fita envolvia a sua boca. Estava a morrer à fome”, disse Scott Muir.

“Ele devia ter estado à beira-mar, a comer algas, à semelhança de outros veados, e, como tinha as hastes para baixo, elas prenderam-se na fita plástica. Parece que ele andou, depois, cerca de uma milha na encosta, o que não é uma proeza pequena se se tiver em conta que a fita estava enrolada à volta da sua pata posterior, assim como à volta das hastes. Acho que ele permaneceu nesse sítio durante cerca de uma semana. No fim, o animal teve, infelizmente, de ser abatido.”

O guarda de caça, que viveu na ilha – que tem uma população de apenas 230 habitantes – toda a sua vida, disse ainda que a poluição por plástico na costa se tem agravado nos últimos anos.

“Assistimos a um aumento dos resíduos plásticos na costa oeste nos últimos cinco, seis anos”, afirmou. “O plástico que envolvia o veado não é rede de pesca, mas fita plástica que é usada pela indústria pesqueira.”

“Apostaria que [provém] de algum tipo de atividade de pesca comercial, exploração piscícola, que é o que estamos a tentar travar na costa oeste de Jura.”
Tartaruga presa numa rede de pesca

Todos os anos, 640 mil toneladas de redes, linhas, armadilhas e outras artes de pesca são descartadas ou perdidas nos oceanos, o que é o equivalente ao peso de mais de 50 mil autocarros de dois andares.

Este material de pesca “fantasma” é mortífero para a fauna marinha, continuando a capturar animais muito depois de ser abandonado no mar, lembra um novo relatório da organização ambientalista Greenpeace.

Em 2018, cerca de 300 tartarugas marinhas foram encontradas mortas depois de terem ficado presas numa rede fantasma ao largo da costa de Oaxaca, no México.

No mesmo ano, um grupo de mergulhadores descobriu centenas de carcaças de tubarões e de outros peixes presas numa enorme rede fantasma no mar das Caraíbas.

“As redes e linhas abandonadas podem representar uma ameaça à fauna durante anos ou décadas, capturando tudo, desde pequenos peixes e crustáceos a tartarugas de espécies ameaçadas, aves marinhas e até baleias”, diz o relatório da Greenpeace.


A rede descoberta pelos mergulhadores no mar das Caraíbas. | Foto: Dominick Martin-Mayes e Pierre Lesieur

“Espalhados pelas marés e correntes, os equipamentos de pesca perdidos e descartados estão agora a ser levados para as zonas costeiras do Ártico, a dar à costa em ilhas remotas do Pacífico, a prender-se nos recifes de coral e a poluir o fundo do oceano.”

A organização World Animal Protection avisa que esta poluição mata e fere mais de 100 mil baleias, golfinhos, focas e tartarugas por ano, lembrando que as artes de pesca de plástico podem demorar 600 anos a decomporem-se.

De acordo com estimativas do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, o material de pesca fantasma representa 10% da poluição por plástico nos oceanos.

Contudo, “em determinadas zonas, as artes de pesca constituem a grande maioria do lixo plástico, designadamente mais de 85% dos resíduos no fundo do mar em alguns montes submarinos e dorsais oceânicas, e entre as peças de maior dimensão na Grande Mancha de Lixo do Pacífico”, explica a Greenpeace.

Um estudo mencionado no relatório descobriu que até 70% (por peso) dos macroplásticos (com mais de 20 cm) descobertos a flutuar na superfície do oceano estão associados às atividades pesqueiras.



A Greenpeace pede mais empenho internacional para travar a poluição por plástico.

“Os governos de todo o mundo têm de agir para proteger os nossos oceanos e devem responsabilizar a indústria de pesca por este lixo perigoso. Isto deve começar com um tratado global sobre os oceanos, a ser acordado nas Nações Unidas no próximo ano”, disse Louisa Casson, da Greenpeace no Reino Unido.

A organização quer que o tratado abra caminho para uma rede mundial de santuários marinhos, que cubra 30% dos oceanos do mundo até 2030.

“A má regulamentação e o lento progresso a nível político no que toca à criação de santuários marinhos inacessíveis à pesca industrial permitem que este problema exista e persista”, lê-se no relatório.

Os grupos ambientalistas pedem ainda medidas mais rigorosas que forcem as empresas pesqueiras a recuperar o seu material ou a pagar pela sua recuperação.
1ª foto: Salvatore Barbera/Flickr



A organização Ocean Conservancy divulgou os resultados da limpeza global de praias de 2018 e, pela primeira vez desde que foram classificados como uma categoria distinta, os talheres de plástico entraram no top 10 do lixo mais encontrado durante o evento anual.

No total, mais de um milhão de voluntários recolheram 10 600 toneladas de lixo nas praias de mais de 120 países.

Como nos anos anteriores, as beatas de cigarro (bitucas, no Brasil) – que contêm filtros de plástico – lideraram a lista dos itens mais encontrados, com cerca de 5,7 milhões de beatas recolhidas.

Seguiram-se as embalagens de alimentos (mais de 3,7 milhões), as palhinhas e palhetas de plástico (quase 3,7 milhões), os garfos, facas e colheres de plástico (quase 2 milhões) e as garrafas de bebidas de plástico (quase 1,8 milhões).

A maioria dos itens do top 10 está relacionada com produtos alimentares.

No mar, estes resíduos constituem uma ameaça para a vida selvagem. A rigidez e formato dos talheres tornam-nos especialmente perigosos para a fauna que o ingere. E, quando se partem e dão origem a fragmentos afiados, podem ser engolidos por animais de todos os tamanhos.


Colheres e garfos de plástico entre o lixo encontrado a flutuar perto da ilha de Roatán, nas Honduras | Foto: Caroline Power Photography

“Os garfos, facas e colheres de plástico estão entre os tipos de lixo mais perigosos para os animais marinhos, e os dados da limpeza anual de 2018 mostram que eles podem ser muito mais comuns do que suspeitávamos”, contou Nicholas Mallos, da Ocean Conservancy.

“Temos de nos lembrar que os animais marinhos não foram programados para distinguir o plástico dos seus alimentos – é por isso que tantos animais dão à costa com este material no aparelho digestivo, quer seja na forma de palhinhas, sacos ou até de artigos mais incomuns, como uma mangueira de plástico.”


Este tubarão-baleia deu à costa, morto, na Índia, com uma colher de plástico presa no aparelho digestivo

Estes resultados levaram a organização a apelar ao público para abandonar o uso destes talheres descartáveis.

“Uma forma de deixar de usar talheres de plástico é levar na carteira ou bolsa um conjunto de viagem de talheres reutilizáveis, ficando-se sempre preparado para um snack ou refeição”, disse Nicholas Mallos, acrescentando que muitos restaurantes disponibilizam talheres reutilizáveis se estes lhes forem pedidos e que se pode sempre recusar os garfos, facas e colheres de plástico oferecidos no serviço de take-away.

A Ocean Conservancy encoraja ainda as pessoas a participarem nas limpezas de praia, ajudando a remover o lixo da natureza.

“O que torna a poluição por plástico tão singular entre os desafios enfrentados pelos nossos oceanos é o facto de ser tão visível e de todos poderem ser uma força de mudança”, explicou Allison Schutes, da organização.
Ave alimenta cria com beata

Numa praia da Flórida, nos Estados Unidos, Karen Mason captou, enquanto fazia trabalho voluntário para a Sociedade Nacional Audubon, uma imagem que a deixou “furiosa” e que demonstra os perigos do nosso lixo para a vida selvagem e para o ambiente.

A fotografia em questão mostra um bico-rasteiro, uma ave também conhecida como talha-mar ou corta-água, a alimentar o seu filhote com a beata de um cigarro (bituca, no Brasil).

Se fumar, por favor, não deixe as beatas para trás”, escreveu a norte-americana no seu Facebook, quando partilhou a imagem. “Já é hora de limparmos as nossas praias e de deixarmos de as tratar como um cinzeiro gigante.”

Segundo o grupo Ocean Conservancy, as pontas de cigarro são o resíduo mais comum encontrado durante as limpezas de praia.

“As pessoas não vão a lado nenhum sem arranjarem uma forma de levar com elas o seu telemóvel, mas, aparentemente, não se podem dar ao trabalho de levar algo pequeno para as suas beatas”, desabafou Karen.

“As pontas de cigarro são tão omnipresentes que a maioria de nós já nem repara nelas”, disse Rachel Kippen, da Coligação de Educação contra o Tabaco do Condado de Santa Cruz. “Existem 4,5 biliões delas a poluir as nossas ruas, parques e praias em todo o mundo.”

“A maioria das pessoas não se apercebe de que as beatas são feitas de acetato de celulose, um plástico que nunca se decompõe completamente. Estes filtros não proporcionam qualquer benefício para a saúde dos fumadores e criam uma ameaça ambiental duradoura, especialmente para os oceanos, quando não são devidamente descartados – o que acontece à maioria deles.”

Para além do perigo que representam para os animais e para o ambiente, as beatas também podem dar origem a incêndios florestais.
Foto: Karen Mason

Tubarão

O Canadá tornou-se o primeiro país do G20 a proibir a importação e a exportação de barbatanas de tubarão.

A medida foi saudada com entusiasmo pelos grupos ambientalistas, que vêem nela uma vitória para a conservação destes animais.

Embora a prática de remoção das barbatanas de tubarões em águas nacionais esteja proibida desde 1994, o Canadá é o maior importador deste produto fora da Ásia. Só em 2018, o país importou 148 241 kg de barbatanas de tubarão, o equivalente a 3,2 milhões de dólares canadianos (cerca de dois milhões de euros).

Estima-se que 73 milhões de tubarões sejam mortos por causa das suas barbatanas todos os anos e que quase um terço das barbatanas vendidas pertença a espécies ameaçadas de extinção.

“Reconhecemos a nítida ameaça que o comércio de barbatanas de tubarão representa para a sustentabilidade dos nossos oceanos”, disse o ministro das Pescas, Jonathan Wilkinson. “A prática simplesmente não é sustentável, para além de ser cruel.”

Depois de as barbatanas serem cortadas aos tubarões, os animais costumam ser atirados, em muitos casos ainda vivos, de volta para o mar, onde sangram até à morte ou se afogam.

A barbatana de tubarão é considerada uma iguaria na Ásia Oriental, particularmente na China, onde é usada para preparar um prato tradicionalmente servido em banquetes e casamentos – a sopa de barbatana de tubarão.

As organizações de conservação marinha esperam que a medida tomada pelo Canadá inspire outros países a seguir o seu exemplo.

“Este é apenas um passo em frente; não é o fim, mas é um passo importante, e envia um sinal claro ao mundo de que esta prática está errada, de que tem de ser parada e de que o Canadá não continuará a participar na importação destas barbatanas”, disse o senador Michael MacDonald.
Foto: Albert Kok/Wikimedia Commons
Plástico no oceano

No dia Mundial dos Oceanos, 8 de junho, a TVI realizou uma curta reportagem na qual entrevistou vários pescadores do Algarve, que se mostraram preocupados com a poluição no mar.

Os pescadores disseram que já encontraram em alto mar garrafas e sacos de plástico, latas de Coca-Cola, sapatos, chapéus, garrafas de mergulho e até uma bicicleta. O plástico e o nosso lixo no oceano podem ter consequências trágicas para a vida marinha.

Veja a reportagem aqui.
Peixe com plástico

O chef mexicano Ricardo Muñoz Zurita divulgou recentemente um vídeo que o mostra a retirar várias tampas de garrafas, um pente e outros resíduos de plástico do sistema digestivo de um peixe.

O vídeo é mais um exemplo do impacto que a poluição causada pelo plástico no oceano está a ter na vida marinha.

“Por favor, sejam conscientes e não utilizem plástico nem deitem lixo no mar”, escreveu o chef no Twitter. “Estamos a matar o Planeta Terra, a nossa casa.”

Segundo um relatório da Fundação Ellen MacArthur, pelo menos oito milhões de toneladas de plástico vão parar aos oceanos todos os anos. A fundação também avisou que, se as coisas não mudarem, haverá mais plástico do que peixes nos oceanos até 2050 (considerando o peso de ambos).

O vídeo de Zurita foi partilhado pelo chef espanhol David Muñoz, proprietário do restaurante DiverXo em Madrid, que conta com três estrelas Michelin, e do restaurante StreetXO em Londres. “Isto é muito forte, muito terrível, muito assustador”, comentou o chef.

Caranguejo-eremita usa cabeça de boneca como carapaça

Durante uma visita à Ilha Wake, um atol no Oceano Pacífico, Joseph Cronk fez uma descoberta insólita.

Enquanto caminhava pela praia e recolhia o lixo que ia encontrando, Joseph deparou-se com a cabeça de uma boneca de plástico a mover-se na areia.

Um olhar mais atento mostrou que o objeto estava a ser movido por um caranguejo-eremita, que o tinha adotado como a sua nova “casa”.

Joseph decidiu filmar a cena para mostrar a dimensão da poluição por plástico. Estima-se que, todos os anos, oito milhões de toneladas de plásticos entrem nos oceanos.

“Tenho visto muitos destes caranguejos a utilizar várias coisas como carapaça. As caixinhas para o rolo fotográfico e as latas de refrigerantes são bastante comuns”, disse.

Super rare baby doll head crab just taking a stroll on the beach......

Publicado por Joseph Cronk em Sexta-feira, 10 de maio de 2019


As praias da Ilha Wake, como as de muitas outras ilhas remotas, são frequentemente invadidas pelos resíduos plásticos e outros detritos marinhos transportados pelas correntes oceânicas.

Joseph tinha visitado a ilha em dezembro do ano passado, altura em que participou na limpeza de uma praia.

Quando regressou, em maio, a praia estava de novo coberta de lixo. “Tinham dado à costa mais plásticos”, explicou. “Queria fazer algo, por isso decidi recolher algum do plástico de forma a mostrar às pessoas, em primeira mão, o que estava a ver lá. Era esse o meu objetivo, sensibilizar [o público para este problema].”

Joseph espera que o seu vídeo, que já conta com mais de 20 milhões de visualizações, inspire as pessoas a unir esforços para combater esta poluição.
Plástico no oceano

A "Ocean Plastics Lab”, uma exposição internacional que aborda o problema do plástico nos oceanos, vai instalar-se no exterior do Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva, em Lisboa, de 14 a 26 de maio.

A exposição contém animações e experiências interativas e mostra os efeitos desta poluição nos seres humanos, nos animais e na natureza.
Está aberta das 10 às 19 horas e a entrada é gratuita. Ao fim de semana, abre das 11 às 20 horas.

Hermanas Caronni

As irmãs gémeas Gianna e Laura Caronni cresceram na Argentina, mas mudaram-se para França no final dos anos 90.

A música deste duo celebra as suas raízes argentinas, ao mesmo tempo que se deixa influenciar por outras culturas e estilos, incluindo o jazz e a música clássica. Gianna toca clarinete, Laura toca violoncelo e ambas cantam.

No seu novo álbum “Santa Plástica”, para o qual convidaram músicos como o trompetista Erik Truffaz e o cantor e compositor Piers Faccini, as Hermanas Caronni abordam questões que as preocupam, como o lixo plástico que polui os nossos oceanos.

“Escrevemos onze peças instrumentais e canções originais que falam de assuntos que nos revoltam: a poluição do ar e do mar, as grandes superfícies comerciais que engolem as pequenas… Mas também do luto da nossa mãe, de amores perdidos…”, contam as irmãs.


Vídeo: Excerto da canção "Santa Plástica"
Foto: Las Hermanas Caronni

Ouça a música “Santa Plástica” e outros temas das Hermanas Caronni nas playlists do UniPlanet no Spotify.
Cartaz

Cascais lançou a campanha “O Mar Começa Aqui” com o objetivo de sensibilizar a população para não atirar resíduos de qualquer natureza para as sarjetas, uma vez que o lixo ali colocado acaba no mar.

É o caso das beatas, papéis e águas de diversos tipos de lavagens, contendo detergentes e até resíduos provenientes de obras, como tintas e solventes que acabarão a poluir o mar. O correto será deitar os resíduos nos locais apropriados como esgoto (águas de lavagens) e caixotes de lixo, reciclando sempre que possível os papéis, garrafas, embalagens de plástico, tampas, beatas, etc.

Na manhã do dia 22 de março, as equipas da Câmara Municipal de Cascais e Cascais Ambiente estiveram a pintar, junto de cada sarjeta ou sumidouro, frases de sensibilização para esta problemática.

“Percebemos que as pessoas não sabem que estas grelhas, que são as sarjetas e os sumidouros, servem apenas para a água das chuvas. Acham que é esgoto, então há a tendência de atirar todo o tipo de lixo”, disse Soraia Carvalho, diretora do Departamento de Ambiente da Câmara Municipal de Cascais, explicando que o maior problema “é que as sarjetas têm ligação direta ao mar, portanto achamos que devíamos informar e de uma forma criativa estamos a pintar frases que alertam", como por exemplo: "O Mar Começa Aqui, Não Despeje, Não Polua".

Ave morta por ingestão de um balão

São coloridos e alegres e fazem-nos lembrar festas e momentos de diversão. Mas o que acontece aos balões que largamos, sem querer ou de propósito, e que desaparecem no céu? A verdade é que podem ter consequências devastadoras para os animais selvagens.

Uma equipa de investigadores australianos estudou os efeitos da ingestão de plástico por parte das aves marinhas, analisando o conteúdo intestinal de espécimes mortos, e descobriu que os plásticos maleáveis – como os balões – são os mais letais para estes animais.

“Embora os plásticos maleáveis tenham representado apenas 5% dos itens ingeridos, foram responsáveis por mais de 40% das mortes”, disse Lauren Roman, investigadora que liderou o estudo. “Os balões ou os seus fragmentos foram o detrito marinho mais suscetível de causar mortalidade, matando quase uma em cada cinco das aves marinhas que os ingeriram.”

“Entre as aves que estudamos, a principal causa de morte foi a obstrução do trato gastrointestinal, seguida por infeções e outras complicações provocadas por obstruções gastrointestinais”, contou a investigadora da Universidade da Tasmânia e da Organização para a Investigação Industrial e Científica da Commonwealth da Austrália (CSIRO).

“Os balões são feitos de um polímero que persistirá no ambiente durante muito tempo”, lembrou Mark Hamann, biólogo da Universidade de James Cook.

Ave morta por ingestão de um balão
Albatroz-de-cabeça-cinzenta junto a um fragmento de balão removido do seu aparelho digestivo | Foto: Lauren Roman

Embora a maioria dos balões retirados das aves estudadas estivessem degradados e não ostentassem logotipos ou mensagens, Lauren Roman acredita que se tratavam de balões de festa.

“Já removi um balão [de um pássaro] que tinha ‘feliz aniversário’ escrito nele”, disse. “Descobrimos um balão no qual se via a marca de uma empresa e conseguimos associá-lo a um evento em Sunnybank. Tratava-se, muito provavelmente, de um balão que uma criança tinha soltado.”

O estudo concluiu que a probabilidade de a ingestão de um balão conduzir à morte de uma ave é 32 vezes superior à da ingestão de um item de plástico rígido.

“Como estudos semelhantes sobre a ingestão de plástico por parte de tartarugas marinhas descobriram, parece que, ao passo que os fragmentos de plástico rígido podem passar rapidamente pelo intestino, os plásticos moles têm mais probabilidade de se comprimirem e de causarem obstruções fatais”, explicou a investigadora.

Ave morta por ingestão de um balão
Albatroz-de-sobrancelha morto, à deriva no mar, preso à fita de um balão | Foto: Todd Burrows

Para o estudo, os investigadores compararam mais de 1700 aves da ordem Procellariiformes, que inclui, por exemplo, pardelas e albatrozes.

A equipa levantou a hipótese de as aves serem atraídas pelos fragmentos de balão a flutuar perto da superfície por estes se assemelharem a lulas. Estudos anteriores tinham revelado que as aves marinhas também são atraídas pelo plástico a flutuar no mar por este emitir o cheiro de um composto de enxofre do qual diversas espécies se servem para encontrar alimento.

Embora o novo trabalho de investigação mostre que os itens maleáveis, como os balões, são mais perigosos, Lauren Roman lembra que todos os plásticos representam uma ameaça para as aves marinhas.

“Embora seja menos provável que os plásticos rígidos matem do que os maleáveis, os primeiros foram, mesmo assim, responsáveis por mais de metade das mortes de aves marinhas identificadas no nosso estudo.”

“A ingestão de plástico eleva o risco de mortalidade das aves marinhas e uma única peça pode ser fatal”, explicou a investigadora. “A evidência é clara de que, se queremos que não haja mais aves marinhas a morrer devido à ingestão de plástico, precisamos de reduzir ou remover o lixo marinho do seu ambiente, particularmente os balões.”

Várias cidades e vilas têm vindo a proibir o lançamento de balões. Em maio do ano passado, algumas cidades norueguesas interditaram a venda de balões de hélio durante as festividades do Dia da Constituição da Noruega. A vila de New Shoreham, nos EUA, também proibiu a venda e utilização de balões em 2018.

Se está a organizar um evento, casamento ou festa, conheça 15 alternativas aos balões de hélio.
Cotonetes

A partir de julho de 2020, a venda de palhinhas, pratos, talheres, palhetas para o café, copos e cotonetes de plástico vai ser proibida em Portugal. O Governo pretende assim antecipar em seis meses o que é definido pela diretiva europeia de acabar com a venda destes descartáveis de plástico até janeiro de 2021.

Os restaurantes, os cafés e outros estabelecimentos públicos não poderão utilizar este tipo de artigos. A medida já está a ser aplicada em toda a administração pública.
Outra meta do Governo passa por garantir que até 1 de janeiro de 2021 as garrafas de plástico vão ter tara retornável.
Peixe dentro de um saco

Nat Senmuang estava a mergulhar com os seus amigos, quando descobriu um peixe preso dentro de uma embalagem de plástico transparente no mar, perto de Phuket, no sul da Tailândia.

A professora de mergulho filmou o momento em que segurou no saco e ajudou o pequeno peixe, que já estava com dificuldade em respirar, a libertar-se. Sem esta intervenção, o animal teria sufocado e acabado por morrer afogado.

Nat conta que já viu muitos animais marinhos afetados e mortos pela poluição por plástico, durante os seus mergulhos no mar das Andaman.

Tenho visto a cidade ficar cada vez mais poluída com o aumento do número de visitantes tailandeses e estrangeiros. O lixo tornou-se cada vez mais perigoso para muitas vidas no oceano”, disse.

“Quero que todos tenham mais consideração pelas outras criaturas [e que o mostrem] colocando o lixo no contentor, em vez de o espalharem pela praia. Estes animais encantadores ficarão extintos por nossa causa, a não ser que mudemos os nossos hábitos”, afirmou a mergulhadora.

Tubarão-de-pontas-negras-do-recife

A captura, maus-tratos e abate intencionais de tubarões nas águas do Havai podem passar a ser ilegais, se a proposta de dois legisladores havaianos – que está a conquistar cada vez mais apoiantes – for aprovada.

A legislação protegeria todas as espécies de tubarões e de raias, em vez de apenas algumas, e seria a primeira do género nos Estados Unidos.

Como predadores de topo, os tubarões (…) ajudam a manter o ecossistema marinho em equilíbrio. Protegê-los de danos desnecessários é vital para a saúde dos nossos recifes de coral. Espero que este seja o ano em que sejamos capazes de dar este passo importante”, disse a deputada Nicole Lowen.

Os tubarões controlam as populações de presas e também contribuem para a manutenção da saúde dos oceanos, ao comerem os animais doentes ou enfraquecidos. “Eles são o sistema imunitário do oceano”, disse Ocean Ramsey, bióloga marinha.

A legislação preveria exceções para práticas culturais, para fins de investigação científica e para a proteção da segurança pública. As multas variariam entre 500 dólares (cerca 440 euros) para uma primeira infração e 10 mil dólares para uma terceira transgressão.

As ameaças que os tubarões enfrentam são várias. O comércio de barbatanas de tubarão é uma delas. Na China, a sopa de barbatana de tubarão é um prato muito popular nos banquetes e casamentos e também um símbolo de status para a classe média. Todos os anos, cerca de 100 milhões destes animais são mortos e as barbatanas de até 73 milhões acabam como ingrediente desta sopa.

“Estes animais já por cá andam há cerca de 450 milhões de anos, e durante o meu tempo de vida tantas [das suas espécies] ficarão extintas”, disse Ocean Ramsey. “Quero que isto pare. Não é justo para eles e não é justo para as gerações futuras.”
Foto: Tubarão-de-pontas-negras-do-recife (Carcharhinus melanopterus) | Klaus Stiefel/Flickr