AMorrisons, uma cadeia britânica de supermercados, está a vender bouquets de flores “imperfeitas” a preços reduzidos.
A iniciativa pretende reduzir o desperdício, encorajando os clientes a dar uma oportunidade a estas flores, que não se desenvolveram devidamente devido ao tempo quente e seco que se tem feito sentir, e tornar o preço dos bouquets mais acessível.
“Seria uma pena ver estas flores bonitas serem desperdiçadas só porque os seus caules são um pouco mais curtos”, disse Drew Kirk, da Morrisons. “A nossa gama ‘imperfeita’ ajuda os produtores e os agricultores a reduzirem o desperdício e, ao mesmo tempo, permite aos clientes comprar flores com mais frequência.”
Em vez das habituais cinco libras esterlinas (5,60€), estes bouquets custarão £3 (3,40€) e a diferença, em termos de qualidade e aparência, será marginal, explicou Drew Kirk.
Fotos: Morrisons
O primeiro bouquet imperfeito à venda foi de girassóis e estátice com caules mais curtos do que é costume.
Em 2017, a Morissons já tinha começado a vender frutas e vegetais imperfeitos, que normalmente seriam descartados devido a imperfeições estéticas, como manchas ou deformações.
Leila é uma pequena loja em Berlim, fundada em 2012, que funciona como uma “biblioteca de coisas”. O seu nome surge da junção de duas palavras alemãs – “leihen” (emprestar) e “Laden” (loja) – e, fiel a ele, a loja não vende os seus artigos: empresta-os.
Quem se quiser tornar membro só precisa de doar um artigo que já não utilize ou precise e, em troca, poderá levar emprestados os milhares de objetos que Leila disponibiliza. “Tentamos evitar que os recursos acabem no lixo porque as pessoas que já não precisam das suas coisas trazem-nas para a loja e nós podemos então emprestá-las de graça”, explica Nikolai Wolfert, um dos cofundadores do projeto.
O inventário de Leila inclui um pouco de tudo, desde ferramentas, pequenos eletrodomésticos, carrinhos para bebé, equipamento de campismo, livros, jogos e brinquedos, passando por instrumentos musicais, barcos insufláveis e até mesmo monociclos e máquinas de fumo. Os artigos mais requisitados, no entanto, são os berbequins (furadeiras, no Brasil).
“Um berbequim só é usado, em média, durante 13 minutos em toda a sua vida útil – como se justifica comprar algo assim? É muito mais eficiente partilhá-lo”, diz Nikolai. “As coisas mais importantes na vida não são coisas. Temos de compreender que não queremos um berbequim, só queremos um buraco na parede. Temos de mudar a nossa forma de pensar para um estilo de vida mais pós-materialista.”
A “loja” sem fins lucrativos é gerida por voluntários e pretende lutar contra o desperdício, promovendo, ao mesmo tempo, a “economia de partilha”. Em vez de ficarem em casa esquecidos durante anos a fio, os eletrodomésticos e outros objetos, muito dos quais de utilização ocasional, são trocados entre vizinhos que partilham assim a utilidade destes produtos.
“As pessoas começam a encontrar formas de viver e consumir em conjunto e eu acho que isso é um desenvolvimento positivo”, conta o cofundador de Leila. “É só uma solução, no entanto. Precisamos de mais ideias sustentáveis e de carácter social (…) Temos de chamar a atenção para os recursos e o consumo.”
A ideia de criar Leila surgiu em 2011, na sequência da derrota do Partido Verde nas eleições de Berlim. Nikolai Wolfert decidiu começar a procurar formas de fazer política a um nível mais local. “Abrir uma loja nunca foi um dos meus objetivos na vida”, conta. “Sempre quis fazer algo a nível político. A economia da partilha é uma boa ideia, mas não deveríamos permitir que se reduza apenas à economia.”
A renda de Leila é paga, quase na sua totalidade, por donativos. Quando Nikolai teve a ideia do projeto e contactou o município para conseguir apoios, não recebeu qualquer resposta.
Desde a sua criação, Leila tem inspirado outros projetos no país e até na Áustria. No distrito de Neukölln, em Berlim, por exemplo, o projeto Trial & Error organiza trocas de material para atividades artísticas e artigos de moda. A empresa Deutsche Telekom ajudou a criar uma rede social (wir.de) para a troca de ferramentas e serviços.
“Isto é tudo possível porque vivemos numa sociedade onde existem demasiadas coisas”, diz outro dos cofundadores de Leila, Jacob Heiden. “Todas as casas têm coisas a mais. É preciso considerar-se aquilo de que se necessita diária e semanalmente e aquilo que só é necessário por um curto período de tempo.”
Inka, uma das “clientes” habituais da loja, responde com prontidão, quando questionada sobre o que a levou a participar no projeto: “Faz todo o sentido, para mim, porque poupo dinheiro e nunca tenho de deitar coisas fora.”
A deputada dos Verdes, Heloísa Apolónia, defendeu hoje, 3 de fevereiro, no Parlamento, a necessidade do mercado ser regulado no sentido de oferecer aos consumidores produtos com menos embalagens, de forma a reduzir-se os resíduos das embalagens. Muitas vezes, os consumidores quando querem comprar um produto são obrigados a levar para casa embalagens desnecessárias.
Heloísa Apolónia apresentou no Parlamento três produtos que o demonstravam: um peluche no qual a embalagem era desnecessária, um segundo produto em qua a embalagem era 20 vezes superior ao seu tamanho e uns iogurtes embalados 3 vezes (copos de plástico, embalagem de cartão revestida ainda em plástico).
O ShareToy é um projeto da Universidade de Aveiro que está a reparar brinquedos usados para os oferecer, neste Natal, a quem mais precisa. Para além da vertente educacional, em que os alunos põem em prática o que aprenderam nas aulas, a iniciativa dá nova vida a brinquedos avariados que seriam descartados. A próxima e última sessão desta oficina decorrerá no dia 14 de dezembro.
O UniPlanet falou com os organizadores do ShareToy para conhecer melhor este projeto.
UniPlanet (UP): Como surgiu a ideia para o ShareToy?
A ideia surgiu em conversa num grupo de amigos. Achámos que seria interessantes promovemos uma iniciativa que melhorasse algum problema social. Foi-se falando e acrescentando ideias e por fim surgiu o ShareToy. Uma iniciativa que tem como objetivo principal melhorar o Natal de muitas crianças mas que também tem uma componente pedagógica muito forte uma vez que as reparações dos brinquedos são feitas por alunos da universidade. Outro ponto que merece ser referido é o facto de contribuir para a redução da pegada ecológica.
UP: Quem são os “ajudantes” do Pai Natal?
A iniciativa é organizada pelo IEEE Student Branch da Universidade de Aveiro e pelo Núcleo de Robótica Diversificada da Aettua (NeRD). No entanto nas sessões de reparação costumam estar presentes alunos dos mais diversos cursos da UA.
UP: Nesta Oficina também estão a pôr em prática os conhecimentos adquiridos na Universidade de Aveiro. Que tipo de arranjos fazem?
Seja a forma como são construídos para resistir a impactos, os mecanismos que os fazem movimentar ou a maneira como a parte eletrónica foi desenvolvida, os brinquedos apesar de serem feitos para brincar, são peças que nos podem ensinar muito sobre várias áreas. Como se juntam alunos de várias áreas e com gostos diferentes acaba por se criar um clima propício à aprendizagem e de troca de conhecimentos. E como tal é raro o caso em que o brinquedo não consegue ser arranjado.
Fazemos todo o tipo de arranjos, mas diria que a maior parte são fios partidos, maus contactos, peças partidas ou em falta, e carros telecomandados sem o controlo remoto, peluches sujos ou com alguma parte rasgada, e bonecas que é preciso limpar e tratar do cabelo.
UP: O que fazem aos brinquedos com peças partidas?
Quando alguém pega num brinquedo com peças partidas para o arranjar das duas uma, ou já sabe desenhar e imprimir em 3D ou então alguém o ensina. As impressoras 3D vieram facilitar o processo e conseguimos desenhar e imprimir em tempo útil para que o brinquedo fique completo.
UP: Também têm adaptado brinquedos para crianças com Necessidades Educativas Especiais. Que tipo de brinquedos podem ser adaptados?
A adaptação de brinquedos pode ser feita em qualquer um já que é uma área para a qual não há limites. Cada criança pode ter uma necessidade diferente e neste momento estamos todos a aprender como o fazer. Penso que em breve possamos estar a responder a necessidades específicas de instituições que trabalham com crianças e jovens com dificuldades cognitivas e motoras.
UP: A quem serão oferecidos os brinquedos depois de arranjados?
Os brinquedos serão entregues ao Centro Hospitalar do Baixo Vouga pelo facto de conseguirem chegar a muitas famílias carenciadas. No entanto acreditamos conseguir entregar a outras instituições.
UP: Ainda podemos participar neste projeto?
Sem dúvida que sim! Desde muito cedo que percebemos que faz todo o sentido continuarmos com este projeto para lá do Natal. Portanto mesmo que os brinquedos não cheguem a tempo terão, de certeza, um bom destino. Podem contribuir ao enviar os brinquedos para a morada abaixo e ao participar nas sessões de reparação.
ShareToy,
Departamento de electrónica, telecomunicações e informática
Universidade de Aveiro
Campus universitário de santiago
3810-193 Aveiro
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), entre um quarto e um terço de toda a comida é perdida ou desperdiçada, todos os anos, o que a organização considera “um excesso numa época em que quase mil milhões de pessoas passam fome”. Deitar fora comida é, assim, um desperdício do trabalho, água, energia, terra e outros recursos usados na produção da mesma.
Para lutar contra este problema, o governo dinamarquês tem procurado ativamente soluções.
"Stop Spild Af Mad"
A Dinamarca, cuja população ronda os 5,7 milhões de habitantes, tem mais iniciativas contra o desperdício alimentar do que qualquer outro país europeu. Estes projetos têm dado resultado: desde 2010, o país conseguiu reduzir um quarto do desperdício alimentar produzido. E no centro desta luta está a organização não governamental Stop Spild Af Mad (“Parem de Desperdiçar Comida”) e a sua fundadora, Selina Juul. “É uma iniciativa, essencialmente, da base para o topo”, explica a ativista, que tem conseguido atrair para a sua causa milhares de dinamarqueses. “Nós mobilizamos as pessoas, depois elas mobilizam a indústria e os supermercados, os refeitórios e os restaurantes.”
O governo dinamarquês estabeleceu um programa de subsídios para projetos que visem a luta contra este problema, com um financiamento de cerca de 670 mil euros.
“O desperdício torna-nos a todos mais pobres”, declarou o ministro dinamarquês dos Negócios Estrangeiros, Kristian Jensen. Estima-se que, globalmente, o desperdício alimentar cause uma perda de até 850 mil milhões de euros, todos os anos. “O lixo não é realmente lixo”, afirma Selina Juul. “Reduzi-lo é a chave para a futura sobrevivência da humanidade.”
Diversas frentes de combate
Cada vez mais supermercados dinamarqueses têm “zonas para acabar com o desperdício alimentar”, com alimentos perto do fim da validade a preços reduzidos. Legumes “feios” são usados em saladas.
A startup Too Good To Go aposta nas refeições que não foram vendidas e um app liga os consumidores a restaurantes e padarias prestes a fechar, para que possam comprar produtos a preços reduzidos.
No supermercado WeFood, em Copenhaga, todos os produtos vendidos estão perto do fim da validade e têm descontos que variam entre 30% e 50%.
Existem ainda os “OCNIs”. “Um em cada dois dinamarqueses tinha um OCNI, um ‘objeto congelado não identificado’ no seu congelador”, explica Selina Juul. “Por isso fizemos uma campanha para que os consumidores comam, uma vez por mês, os seus OCNIs.”
“Não há qualquer razão para que tanta comida seja perdida e desperdiçada”, disse à DW Andrew Steer, presidente e CEO do Instituto Mundial de Recursos, que, juntamente com outras entidades, impulsionou uma nova estratégia: o primeiro padrão global de medição para o desperdício alimentar. “Para reduzirmos com sucesso o desperdício alimentar em metade, precisamos de adotar uma abordagem sistemática”, defende. A iniciativa é apoiada pelo governo dinamarquês.
A comida une as pessoas
Selina Juul já é um ícone nacional, tendo sido galardoada com o Womenomics Influencer Award de 2016 e nomeada, em 2014, “Dinamarquesa do ano”. Juntamente com o seu grupo, planeia alargar o seu trabalho a outros países. O seu sonho é que este zelo pela comida se possa tornar uma ferramenta para a paz mundial. “Quando se trata de desperdício alimentar, não importa se se é rico ou pobre, de esquerda ou de direita, não interessa a cor, nacionalidade ou religião – as pessoas concordam”, defende. “A comida é mesmo aquela causa que une as pessoas. A comida é amor. Se deitarmos fora comida, estamos a deitar fora amor.”
Durante 30 dias, Rob Greenfield vai carregar consigo todo o lixo que produzir, num fato especialmente concebido para tal.
Uma vez que cada americano produz em média cerca de 2 kg de lixo por dia, Rob Greenfield, ao fim de 30 dias, vai carregar consigo mais ou menos 60Kg de lixo.
Normalmente, as pessoas não pensam no lixo que produzem e ao deitá-lo nos contentores, o lixo desaparece das suas vistas e consequentemente das suas mentes. Através deste projeto Rob Greenfield quer mudar a nossa perspetiva em relação ao lixo. "Trash Me" vai ser uma série documental com imagens chocantes da quantidade de lixo que produzimos todos os dias para nos inspirar a mudar o nosso estilo de vida.
O governo da Suécia quer atribuir benefícios fiscais para incentivar a reparação de artigos velhos ou avariados, desde sapatos a máquinas de lavar, numa tentativa de proteger o ambiente, reduzindo o desperdício produzido no país.
A coligação no poder entre o Partido Social Democrata e os Verdes vai apresentar propostas para a atribuição de benefícios fiscais em reparações de eletrodomésticos, como frigoríficos, fogões, máquinas de lavar a loiça e a roupa, assim como para reduzir o IVA de 25 para 12% nos consertos de bicicletas, roupas e calçado, conta o The Local.
O governo tenciona ainda tornar a aquisição de grandes eletrodomésticos e de computadores mais dispendiosa, aplicando um “imposto químico” adicional para cobrir o custo ambiental das substâncias difíceis de reciclar. “Este problema tinha uma prioridade muito baixa para o anterior governo”, declarou Per Bolund, ministro dos mercados financeiros e do consumo. “Mas se queremos resolver os problemas da sustentabilidade e do ambiente temos de trabalhar no consumo.”
Para além de preços mais baixos, o governo também está a planear uma campanha publicitária para encorajar as pessoas a consertar as suas coisas mais frequentemente. “Através de vários métodos, [queremos] que as pessoas tenham mais facilidade em fazer a coisa certa”, explica o ministro, acrescentando que isso pode ser tão simples como colocar sinais mais claros, orientando as pessoas até aos pontos de reciclagem mais próximos. “Do meu ponto de vista, não se trata necessariamente de consumir menos, mas antes de olhar para o que consumimos e como o fazemos.”
O ministro espera que estas medidas incentivem o crescimento da indústria de pequenas reparações, criando novos empregos para pessoas com nível baixo de escolaridade.
Se as propostas forem aprovadas, entrarão em vigor a 1 de janeiro de 2017.
Bea Johnson e a sua família adotaram um estilo de vida de desperdício zero em 2008. Desde então, a quantidade de lixo produzida pela família, num ano, cabe num pequeno frasco de vidro.
Esta é uma experiencia que Bea partilha no seu livro“Zero Waste Home” e no seu blog com o mesmo nome e que lhe tem valido a descrição de “guru do desperdício zero”, assim como seguidores um pouco por todo o mundo.
Para além de se tratar de um estilo de vida mais consciente e sustentável, “os benefícios são incríveis”, diz. “Somos muito mais saudáveis desde que adotámos o [estilo de vida do] desperdício zero. Comemos alimentos mais saudáveis porque a nossa comida não se assemelha a plástico. Passamos mais tempo lá fora. Viver com menos tem-nos dado muito mais tempo.”
Despertar para o desperdício zero
Natural de França, Bea Johnson mudou-se para os EUA com 18 anos. Depois de se casar, o casal decidiu “viver o sonho americano”, o que significava “ter um carro maior e uma casa maior e enchê-la de coisas”, explica. Esta vida não lhes proporcionou a satisfação que procuravam e Bea descobriu que “as coisas não nos tornavam mais felizes. De facto, apercebemo-nos, quando começamos a simplificar as nossas vidas, que tínhamos mais tempo para fazer as coisas de que gostamos na vida”.
A viagem rumo a um estilo de vida mais simples e consciente começou quando a família (o casal e os seus dois filhos) se mudou para uma casa mais pequena. “Alugámos um apartamento durante um ano e só levámos aquilo de que necessitávamos e foi então que nos apercebemos que estávamos a viver melhor”, conta. “Oitenta por cento dos bens que tínhamos armazenado nem sequer nos faziam falta.”
Isto fez com que se quisessem informar mais sobre o ambiente e o futuro do planeta.
Os cinco R's do desperdício zero
A família segue, agora, os 5 R’s do desperdício zero: recusar o que não se precisa, reduzir aquilo de que se necessita, reutilizar tudo o que se conseguir, reciclar o que não se consegue recusar, reduzir ou reutilizar e compostar (“rot” em inglês) tudo o resto. “Não se trata de reciclar mais, mas antes de reciclar menos graças ao facto de se prevenir que o desperdício chegue às nossas casas, em primeiro lugar”, explica.
“Fazemo-lo, primeiramente, ao recusar coisas de que não precisamos e, em segundo lugar, ao reduzir o que temos, adotando um estilo de vida de simplicidade. Em terceiro lugar, reutilizamos comprando em segunda mão e trocando o que é descartável por uma alternativa reutilizável. Em quarto lugar, reciclamos o que não podemos usar e, finalmente, (…) compostamos o resto.”
Minimalismo e simplicidade em casa e nas compras
Os Johnson vivem numa pequena casa em Mill Valley, na Califórnia, que reflete a sua filosofia de minimalismo. Tudo o que não é necessário foi removido. Isto torna a vida mais simples – um dos aspetos preferidos de Bea – e a família passa menos tempo a fazer as tarefas domésticas e mais tempo a divertir-se. “Com menos coisas, há menos para limpar”, diz. “Agora, só demoro cinco minutos a limpar a minha casa, todos os dias.”
Para fazer compras, Bea leva as suas próprias alternativas aos sacos de plástico – sacos feitos com lençóis velhos e fronhas. Para pesar as frutas e os legumes leva sacos de rede e, para os outros alimentos, frascos e garrafas de vidro. Os alimentos são comprados avulso, para evitar as embalagens, em mercados, e são guardados em recipientes de vidro, em casa. “O desperdício zero acontece, realmente, fora de casa”, afirma a escritora de “Zero Waste Home: The Ultimate Guide to Simplifying Your Home”, que dá palestras e conferências sobre o desperdício zero. “Pode-se reciclar ou até compostar, mas não é disso que se trata realmente – trata-se de não comprar, ponto final. Uma vez que se tenha comprado uma coisa, tem de se descobrir uma forma de a descartar quando já não for útil.”
“Têm-nos feito pensar que consumir muito e utilizar artigos descartáveis nos faz poupar tempo e dinheiro”, nota. No entanto, isto é uma falácia, defende. “O trabalho do profissional de marketing é fazer com que queiramos coisas de que não precisamos mesmo.” “Por exemplo, dizem-nos que precisamos de produtos diferentes para limpar o chão, as janelas, a casa-de-banho, o balcão de cozinha. Mas quando voltei aos básicos, descobri que tudo o que precisava verdadeiramente para limpar a nossa casa é de vinagre branco e água.”
Para lavar o cabelo, o corpo, a cara e como gel de barbear, a família utiliza uma barra de sabão sem estar embalada. “É um só produto que eliminou quatro outros.” “É um ótimo exemplo para mostrar que o nosso estilo de vida custa menos, faz-nos poupar 40% do nosso orçamento total e tempo, uma vez que já não tenho de ir à loja comprar todos os outros produtos”, explica Bea, que foi, em 2011, galardoada com um Green Award.
Alternativas mais naturais
No seu blog, Bea Johnson ensina a fazer alternativas mais naturais aos produtos que não se encontram à venda avulso.
A família usa um protetor solar feito com óleo de sésamo e óxido de zinco em pó e escovas de dentes compostáveis de bambu. Bea utiliza amido de milho como champô seco, Kohl caseiro como eyeliner, cacau em pó como blush e bicarbonato de sódio com stevia como “pasta” de dentes.
A escritora defende que tornar-se mais ecológico não significa que se tem de “abdicar do sentido estético”. “Ao princípio eu fiz isso porque acreditava que ser-se amigo do ambiente significava nada de maquilhagem ou de moda. Até desisti do champô. Então, apercebi-me de que existem alternativas e de que não é necessário abdicar-se do sentido de estilo.”
Ser em vez de ter
Quando a família não consegue reciclar algo, como, por exemplo, uma impressora velha, doam esse artigo a uma loja de caridade ou colocam-no num site que permite às pessoas disponibilizar, gratuitamente, artigos de que já não precisem a quem os possa querer. “As pessoas pensam que viver este estilo de vida é tão difícil, quando, na realidade, é mais barato e leva a uma existência mais fácil.”
Quanto aos argumentos de que é um estilo de vida só para quem é rico, Bea coloca-os de parte. “Nós começámos a fazê-lo porque estávamos num período de dificuldades financeiras”, admite. “O meu marido não recebeu salário durante um ano enquanto estava a tentar começar uma empresa, eu tinha quatro part-times e estávamos no meio de uma recessão. Estávamos com dificuldades financeiras e foi o desperdício zero que nos tirou de lá.”
Bea convida as pessoas a tentar esta filosofia e garante os benefícios. “Ao fazê-lo, encontra-se paz e um estilo de vida que é mais rico do que o que se tinha antes, é um estilo de vida centrado em ser em vez de ter.”
Já passou um ano desde que Katelin Leblond e Tara Smith-Arnsdorf se dedicaram a reduzir a quantidade de desperdício produzido nas suas casas e ambas se orgulham, agora, de produzir apenas um pequeno frasco de lixo por ano.
O vinagre branco é um desinfetante natural e pode ser usado, em quase todas as superfícies da casa, como uma alternativa segura aos produtos adquiridos nas lojas.
Esta receita, do site PAREdown (leia mais sobre as dicas de Desperdício Zero de Katelin e Tara aqui), ensina a fazer um substituto natural dos produtos de limpeza convencionais.
O aspeto mais desencorajador do vinagre é o cheiro, mas esta receita utiliza um método simples para produzir um produto de cheiro agradável que pode usar para limpar a sua casa.
Ingredientes:
Cascas de citrinos
Vinagre branco
Instruções
Quando comer um citrino – podem ser limões, laranjas, limas, toranjas, tangerinas, etc. – em vez de deitar as cascas fora, corte-as e guarde-as num frasco grande de vidro. Também pode aproveitar algum citrino que já não esteja próprio para consumo. Vá adicionando mais até o frasco ficar, pelo menos, meio cheio (pode demorar algumas semanas).
Assim que tiver a quantidade desejada de cascas, encha o frasco com vinagre. Tape e deixe a mistura “marinar” durante 2 ou 3 semanas, num lugar escuro. Quanto mais tempo a deixar repousar, mais forte será o cheiro a citrinos.
Depois de cerca de duas semanas, ou quando achar que já está pronto, remova as cascas da mistura. Pode deitar o líquido num borrifador e utilizar como um produto de limpeza convencional. Use uma parte de vinagre para 4 de água.
Dica: Também pode adicionar algumas ervas aromáticas ao seu produto de limpeza. Experimente juntar tomilho ou alecrim.
Onde o pode usar:
Chão e rodapés
Janelas
Use juntamente com bicarbonato de sódio para limpar a sanita, a banheira ou o chuveiro
De 11 a 25 de maio de 2016 a Brigada do Mar vai realizar pelo 8º ano consecutivo a que é provavelmente “a maior limpeza de praia do mundo” para isso conta com o apoio de todos os que se queiram juntar na luta contra o lixo que invade a costa de Grândola, cerca de 45 km entre as praias de Melides e Tróia.
A "todos os voluntários que participem em 2 ou mais dias da ação é assegurado o alojamento e a alimentação" (o alojamento é no parque da Galé).
A iniciativa tem o Alto Patrocínio da Presidência da República e é levada a cabo em parceria com a autarquia de Grândola, Associação Portuguesa de Lixo Marinho e apoio de várias entidades nacionais.
Em paralelo, a Brigada do Mar está a realizar uma campanha de crowdfunding para apoio desta iniciativa.
É fácil tocar as pessoas com histórias de ursos polares ou rinocerontes. No entanto, é muito mais desafiador fazê-las interessarem-se na história de um morango que acaba por não ser comido.
Este vídeo, da campanha “Save the Food” (Salvem a Comida), pelo Ad Council e o Natural Resources Defense Council, acompanha a história de um morango através da sua colheita, transporte, empacotamento e armazenamento – uma história da qual não falta nada, nem mesmo o romance com uma lima que capta a atenção do fruto vermelho. Alerta de Spoiler: o morango embolorado acaba no caixote do lixo.
Esta história é tudo menos excecional – mas isto pode mudar se começarmos a ver os frutos e alimentos desperdiçados com outros olhos.
“O «zero» em desperdício zero faz com que pareça uma coisa assustadora e difícil de alcançar, mas, na realidade, não é tão difícil como parece”, explica Bea Johnson, cuja filosofia de produzir a menor quantidade possível de desperdício – a sua família produz apenas um pequeno frasco de lixo por ano – tem inspirado milhares de pessoas e lhe tem valido o nome de Guru do Desperdício Zero.
Não é apenas o ambiente que sai a ganhar; segundo Bea, este estilo de vida traz vantagens para a saúde e poupanças de tempo e de dinheiro – no seu caso, uma redução de 40% nos gastos. “Somos muito mais saudáveis desde que adotámos o [estilo de vida do] desperdício zero”, diz. “Passamos mais tempo lá fora. Viver com menos tem-nos dado muito mais tempo.” A qualidade de vida melhora porque torna a “vida mais rica: uma vida baseada em experiências em vez de coisas… Imagine como seria se a nossa sociedade deixasse de se concentrar em «ter» para se concentrar em «ser»”.
Os Cinco R’s do Desperdício Zero
Na base da filosofia de Bea Johnson estão os 5 R’s: Recusar, Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Compostar (“rot” em inglês) – sempre nesta ordem.
RECUSE tudo o que não precisa
Não aceite sacos de plástico, amostras ou brindes de marketing, conferências ou festas e feiras. Quando aceita um, cria a necessidade de se produzirem mais.
Diga não ao correio publicitário não solicitado.
REDUZA aquilo de que precisa
Questione a verdadeira necessidade e utilidade dos seus bens. Doe o que tiver em excesso ou aquilo de que não precisa realmente.
Reduza as suas idas às lojas e use uma lista de compras. Quantas menos coisas trouxer para casa, menos quantidade de desperdício terá para descartar mais tarde.
REUTILIZE tudo o que conseguir
Escolha produtos reutilizáveis em vez de descartáveis. Comece a usar guardanapos e lenços de tecido, embalagens recarregáveis e sacos de compras de pano.
Evite o desperdício nas compras, levando consigo sacos de tecido (para compras avulso) e frascos de vidro (para produtos húmidos) para as lojas e mercados.
RECICLE o que não puder recusar, reduzir ou reutilizar
Pense na reciclagem como último recurso. Recusou, reduziu ou reutilizou primeiro? Questione a necessidade e o ciclo de vida das suas compras. Comprar é votar.
Compre avulso ou em segunda mão, mas se tiver de adquirir um produto novo, escolha vidro, metal ou cartão. Evite plástico: cada peça de plástico criada existirá no nosso planeta durante centenas de anos. Muito do plático acaba por ser enviado para outros países para ser reciclado ou acaba em aterros (ou pior ainda, nos oceanos).
"ROT" – COMPOSTE tudo o resto
Não se sinta intimidado pela compostagem. Descubra um sistema de compostagem que se enquadre na sua casa e informe-se sobre o que pode compostar (cabelo e unhas, por exemplo, são compostáveis).
Transforme o seu caixote de lixo da cozinha num contentor para compostagem grande. Quanto maior o recipiente, maior probabilidade terá de o usar.
O Parlamento Europeu recomendou que os Estados membros reduzam para metade a comida que vai para o lixo até ao fim de 2016.
Todos os anos, os portuguesesdeitam para o lixo 1 milhão de toneladas de alimentos, ou seja, cada pessoa desperdiça em média 132 Kg de comida por ano. Só as famílias desperdiçam 324 mil toneladas. E, 17% da comida é deitada fora ainda antes de chegar aos consumidores. Um desperdício que em conjunto da UE chega aos 89 milhões de toneladas e para reduzir estes números o Parlamento Europeu recomendou aos Estados membros que reduzam para metade o desperdício até ao fim de 2016.
Segundo cálculos da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) os países industrializados desperdiçam 1,3 mil milhões de toneladas de alimentos por ano, o que chegaria para alimentar os cerca de 925 milhões de pessoas que passam fome no mundo.
Em Portugal, 2016 foi declarado Ano Nacional do Combate ao Desperdício Alimentar. E, apesar de não sermos os europeus que mais comida deitam fora - na Holanda o desperdício por habitante/ano é de 541 Kg, seguido da Bélgica, com 345 Kg, e do Chipre, com 327 Kg, e Espanha desperdiça um pouco mais do que nós (135 Kg) -, têm-se multiplicado as iniciativas para evitar o desperdício alimentar.
"A maior fatia do desperdício alimentar está nas famílias", por isso é urgente "ensinar as pessoas a fazer uma correta seleção dos alimentos, leitura dos rótulos e aprenderem a olhar para o alimento como sendo passível de ser utilizado por inteiro", explica Helena Real, secretária-geral da APN (Associação Nacional de Nutricionistas).
A declaração do ano nacional prevê medidas como estipular uma percentagem de produtos locais a utilizar por parte das instituições públicas e criar "um programa de ação" que "fixe objetivos e metas para a redução". Bem como ensinar na escola a gestão dos alimentos tornando clara a diferença entre "consumir antes de" e "consumir de preferência até".
Algumas medidas que contribuem para a redução do desperdício alimentar: doações a instituições como Re-Food e o movimento Zero Desperdício (DariAcordar); programas como o Dose Certa; chefes que ensinam a cozinhar-se com “restos”; a venda de fruta feia e lojas que aplicam descontos nosprodutos em fim do prazo de validade.
No WeFood, em Copenhaga, os produtos chegam a custar metade do preço praticado nos outros supermercados.
O WeFood abriu a 22 de fevereiro e é um supermercado dinamarquês que luta contra o desperdício alimentar. Nas prateleiras do WeFood, os produtos são vendidos com descontos que variam entre 30% e 50%.
A ideia partiu da Folkekirkens Nødhjælp, uma organização não-governamental (ONG): porque não abrir um supermercado onde os produtos vendidos estão muito perto do fim da validade, estão fora do prazo oficial de validade (mas ainda são considerados seguros para o consumo) ou têm as embalagens danificadas? Muitos destes alimentos acabam no lixo quando estão ainda em condições de serem consumidos.
A Folkekirkens Nødhjælp estabeleceu parcerias com cadeias de supermercados dinamarquesas para o pão e outros produtos, bem como com empresas importadoras de fruta, produtores biológicos, entre outros.
Por ano, a Dinamarca desperdiça 700 mil toneladas de alimentos. “É ridículo que estes alimentos sejam simplesmente deitados fora”, disse a ministra dinamarquesa para a alimentação e o ambiente, Eva Kjer Hansen. “É mau para o ambiente e é dinheiro gasto em absolutamente nada”. Nos últimos 5 anos, a Dinamarca conseguiu reduzir o desperdício alimentar em 25%, segundo o Independent.
O supermercado foi inaugurado pela princesa Marie (1ª foto) e a ministra do Meio Ambiente e Alimentação. O dinheiro arrecadado é revertido para a DanChurchAid. Os trabalhadores da loja são voluntários e os clientes são pessoas interessadas nos descontos ou que estão também empenhadas em lutar contra o desperdício alimentar.
Em Portugal, projetos como o Zero Desperdício, o Dose Certa e a Refood têm trabalhado, também, para a diminuição do desperdício alimentar nos restaurantes.
Há cerca de um ano, no dia da Terra (22 de Abril), Katelin Leblond e Tara Smith-Arnsdorf disseram adeus aos seus caixotes de lixo para sempre. Substituíram-nos por frascos de vidro e embarcaram, oficialmente, na sua missão de produzir a menor quantidade possível de lixo.
Elas não são nem hippies, nem eremitas, a viver sozinhas, longe da sociedade comum. São duas jovens mães com filhos, maridos, cães e casas. As vidas delas parecem extraordinariamente normais, o que torna a sua filosofia de Desperdício Zero ainda mais impressionante.
Ao longo dos últimos 12 meses, tanto Tara como Katelin conseguiram reduzir a quantidade de lixo produzido nas suas casas para um único frasco, que já começa a parecer cheio.
Como explicaram ao TreeHugger, “se no final da vida de um objeto, este tiver de ser deitado fora e não puder ser reutilizado ou compostado, então é considerado desperdício”. O cartão, por exemplo, pode ser usado na compostagem, o que significa que é aceitável. Têm, no entanto, um Top 10 de produtos sem os quais não conseguem viver, mas que têm tentado substituir por alternativas reutilizáveis. A ideia não é tornar o Desperdício Zero insuportavelmente difícil ou desagradável para a família, mas antes que este seja um objetivo contínuo.
A sua filosofia enfatiza a necessidade de se usar o que já se tem e de se viver o mais simplesmente possível, como se pode ler no seu site PAREdown:
“É simples: desenrascar-se com os artigos que se tem em casa; substituir apenas quando o artigo estiver partido ou não satisfizer a necessidade para a qual foi intencionado; com um pouco de criatividade, outro artigo de casa pode, facilmente, servir mais do que uma função. Existem muitos produtos tentadores sustentáveis brilhantes e bonitos, por aí, à venda. Mas se comprá-los significar que se estará a descartar algo que já se tem porque não é bonito, isso não é desperdício zero!”
Algumas das suas medidas incluem: levar os próprios sacos de pano, garrafas e frascos de vidro para fazer compras avulso; evitar produtos descartáveis ou pré-embalados em plástico; fazer os próprios produtos de limpeza e de cuidado pessoal; substituir, no fim da vida do artigo, produtos convencionais por versões mais sustentáveis (de bambu, algodão, etc.). Resumindo: recusar tudo o que não é preciso, reduzir aquilo de que se precisa, reutilizar tudo o que se conseguir, reciclar o que não se pode reutilizar e compostar tudo o resto.
O maior desafio, segundo ambas, são “as outras pessoas”, o que inclui professores, familiares e amigos, que não entendem ou respeitam o seu esforço, e, até mesmo, maridos e filhos que não estão tão empenhados no Desperdício Zero como elas ou que se esquecem das regras da casa. As reações ao seu estilo de vida têm sido diversas; há quem manifeste interesse e apoio, mas são poucos os que as imitam.
Tara salienta a importância de se discutirem estes assuntos importantes com as crianças, explicando que os seus filhos se tornaram pequenos embaixadores anti-plástico. “Como pais, queremos que os nossos filhos aprendam sobre reciclagem, compostagem, espécies em perigo, conservação de energia e água. Mas o próximo passo é falar-lhes sobre consumo pessoal e como os nossos hábitos quotidianos contribuem para o problema global. As maiores lições que podemos incutir nos nossos filhos são as de viver com simplicidade, consumir menos e dar mais do que se tira”, escreve no seu blog.
As amigas têm, ainda, uma lista de objetivos a longo prazo: conseguir que uma grande superfície comercial adote o modelo do desperdício zero nas compras, fazer petições, apresentações em escolas e iniciar uma campanha para “banir a garrafa” de plástico em Victoria, nos EUA.
O Freegan Pony é um restaurante vegetariano de Paris, apologista do conceito freegan, ou seja, contra o desperdício.
Os freegan consomem alimentos que estão para ser descartados, mas que ainda estão bons.
Aladdin Charni, o gestor do restaurante Freegan Pony, adotou esse estilo de vida há 7 anos. "Acho que a forma como consumimos os alimentos é completamente absurda, é como se não tivessem nenhum valor", disse à Public Radio International.
Desde que abriu em novembro de 2015, têm sido servidas em média 80 refeições por dia, durante as 4 noites por semana em que o restaurante está aberto.
O menu varia consoante os ingredientes que Charni compra nesse dia, o que se torna num desafio para os chefes que lá trabalham.
No final da refeição, o cliente paga o valor que quiser, o que faz com que o Freegan Poney seja um restaurante sem fins lucrativos.
No entanto, o Freegan Pony está ilegal e tem já uma ordem do tribunal para fechar. Aladdin Charni tem esperança de conseguir um acordo com a cidade de Paris de modo a manter as portas abertas, para lutar contra o desperdício.
A Itália vai aprovar uma lei que obriga os supermercados a doarem os alimentos que não são vendidos a instituições de caridade. Em fevereiro, França aprovou uma lei que proíbe os supermercados de deitarem fora comida que não tenha sido vendida. A Itália torna-se, assim, no 2º país europeu a ter uma lei contra o desperdício alimentar.
Segundo o Independent, esta lei será votada favoravelmente no dia 21 de março.
A diferença entre as duas leis é que, em França, os supermercados que desperdiçarem comida serão multados e na Itália a proposta é compensar os negócios que não desperdiçam comida. Este incentivo pretende combater o problema do desperdício alimentar em Itália, que se estima que atinja 1200 milhões de euros.
Com a nova lei será oferecida uma redução nos impostos aos estabelecimentos que declararem as doações dos alimentos.
Está prevista ainda a alteração de 17 artigos de forma a permitir que a comida fora de validade seja doada.
O Ministro da Agricultura italiano, Maurizio Martina, disse ao jornal diário La Repubblica que, de momento recuperam 550 milhões de toneladas de comida em excesso, mas em 2016 querem chegar aos 1000 milhões.
Um dia Tara Button, enquanto olhava para a sua caçarola “Le Creuset”, pensou: “vou ter esta caçarola para toda a minha vida, não seria bom se tudo na minha cozinha fosse assim? Comprava-se uma vez e nunca mais se tinha de comprar.”
O site de Tara "Buy Me Once" (Compra-me uma vez) foi criado no início de 2016 e pretende ser o lugar onde se vai procurar artigos que duram toda uma vida, desde talheres a roupa, de malas a brinquedos. Todos os artigos têm garantia vitalícia ou os fabricantes prometem que o artigo vá durar muitos anos, uma forma de se criar menos desperdício e de se poupar dinheiro a longo prazo.
Nos últimos 50 anos, deixamos de investir em produtos de qualidade para passarmos para o consumo excessivo de artigos produzidos em massa. Muitos dos produtos modernos seguem o conceito da obsolescência programada, ou seja, são criados para durar um período estabelecido.
Em março de 2015, entrou em vigor um novo decreto do governo da França que procura travar esta prática comercial e que faz parte de um movimento europeu contra a obsolescência programada.
Desde 2003, os moradores de Kamikatsu, Japão, adotaram o programa de reciclagem mais rigoroso de todo o mundo, com um total de 34 categorias. Atualmente, a cidade reutiliza e recicla 80% do seu lixo e as autoridades preveem que Kamikatsu alcançará o desperdício zero até 2020.
Na cidade existe uma loja onde as costureiras transformam roupas antigas, como quimonos, em brinquedos, utensílios ou novas roupas.
Esta opção de Kamikatsu surgiu após os habitantes verificarem os danos ambientais provocados pela incineração do lixo.