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beija-flor

Os jardins urbanos dedicados aos beija-flores vão-se multiplicando no México, havendo já mais de uma centena destes espaços no país, principalmente na capital.

Há 58 espécies de beija-flores no México. Das 13 espécies endémicas do país, metade está ameaçada e duas estão em perigo de extinção. Uma das principais ameaças que as pequenas aves enfrentam é o voraz crescimento das cidades, que destrói o seu habitat natural.

“Sempre que as cidades crescem, estamos a eliminar florestas, estamos a eliminar a vegetação que os beija-flores utilizavam para se alimentarem, para se reproduzirem”, explicou à Reuters a bióloga Claudia Rodríguez, que está envolvida no projeto “Jardins urbanos para colibris”, que já levou à criação de 149 jardins.

Segundo Claudia, o beija-flor é a ave polinizadora mais importante nas Américas, contribuindo para a conservação de um milhar de espécies de plantas.

“Quando os beija-flores começam a desaparecer, a diversidade das plantas diminui. A longo prazo, assiste-se a um empobrecimento dos ecossistemas.”

Em 2014, a professora María del Coro Arizmendi, colega de Claudia, criou um jardim com as plantas favoritas da ave na Faculdade de Estudos Superiores da Universidade Nacional Autónoma do México. Este jardim já atraiu diversas espécies de beija-flor, assim como outros polinizadores, incluindo abelhas e borboletas.

Desde então, mais de uma centena destes espaços “floresceram” no país, muitos sob o cuidado de cidadãos interessados e escolas.

“Estamos muito contentes porque [este trabalho] começou como um projeto académico, mas apercebemo-nos rapidamente de que as pessoas adoram os beija-flores”, contou Claudia Rodríguez.

“Às vezes, dizem-nos: ‘encontrei um colibri na rua, deitado, ou morto’. Muitas destas mortes ocorrem porque os beija-flores não têm comida. São aves que têm um metabolismo muito rápido e que necessitam de se alimentar constantemente.”

“Se cada edifício tivesse um jardim, faríamos um corredor gigante na cidade, onde os beija-flores encontrariam sempre alimento”, acrescentou.
Foto: Pat Gaines/Flickr

coruja-buraqueira a dormir no solo

A coruja-buraqueira da Florida, que deve o seu nome ao facto de viver em buracos cavados no solo, foi classificada como ameaçada em 2017.

Para assegurar o futuro da subespécie, a cidade de Marco Island vai pagar 250$ (cerca de 230€) aos residentes que se disponibilizem a “hospedar” estas corujas nos seus quintais, num buraco cavado especialmente para elas. Todos os anos, a Câmara Municipal reservará 5000$ para este fim.

Os buracos não serão criados pelos proprietários, mas por uma equipa especializada da organização de conservação Audubon of the Western Everglades, que conhece bem as preferências dos animais: o buraco não deve ser cavado muito perto de uma árvore ou de uma casa (embora as aves de Marco Island se tenham habituado aos seus vizinhos humanos).

No final, a equipa colocará um poleiro perto do buraco para marcar a entrada do mesmo e dar às corujas um lugar de onde possam observar o que as rodeia.

“Marco Island é a primeira [cidade] no estado da Florida a adotar um programa específico como este, concebido para expandir o habitat limitado de uma espécie classificada como ameaçada no estado, ao mesmo tempo que recompensa as pessoas que queiram participar voluntariamente”, contou Jared Grifoni, vice-presidente da Câmara Municipal, à CNN.

coruja-buraqueira à entrada do seu ninho
Coruja-buraqueira da Florida (Athene cunicularia floridana) | Foto: Jean Hall, Audubon of the Western Everglades/Facebook

Em Marco Island, existem atualmente cerca de 500 corujas-buraqueiras, mas as aves tornaram-se muito raras no resto do estado, devido sobretudo à perda de habitat, explicou Alli Smith, bióloga da Audubon of the Western Everglades.

Segundo a cientista, a agricultura e a urbanização empurraram as aves para zonas mais urbanas.

Aproximadamente 95% das corujas de Marco Island vivem em terrenos abandonados. Devido ao estatuto protegido das aves, os proprietários que queiram construir nos espaços ocupados por elas precisam de obter uma licença para o fazer, mas, assim que a tenham, podem remover os seus ninhos, desalojando-as.

“[Com este programa] estamos a tentar dar-lhes mais lugares para viverem”, disse Alli.

Desde o outono de 2017, a equipa já criou 92 buracos para as corujas, e as aves visitaram e habitaram num terço destes. Cerca de 14 foram ampliados por elas, o que significa que construíram neles uma série de tunéis para aí estabelecerem uma residência permanente. “Elas são muito ligadas aos seus ninhos”, afirmou a bióloga. “As corujas parecem ser boas arquitetas.”

Desde a aprovação do subsídio, têm chovido telefonemas de residentes que querem participar. “A maioria das pessoas com quem falei ao telefone não estava interessada no dinheiro”, contou. “As pessoas só querem ter as corujas nos seus quintais.”
1ª foto: AdA Durden/Flickr

Bando de estorninhos

O vídeo abaixo, gravado no primeiro dia do ano, mostra o voo deslumbrante de um bando de estorninhos nos céus da Irlanda.

Michael Molamphy filmou a “dança” sincronizada das aves ao pôr do sol, sobre um lago no condado de Tipperary.

“Embora tenha gravado este fenómeno muitas vezes, o espetáculo desta noite deixou-me sem palavras. Senti-me como se quase fizesse parte dele, tal era a proximidade”, disse Michael.

Ganso

A última unidade de produção de foie gras da Ucrânia vai fechar portas.

A MHP, uma empresa ucraniana produtora de aves, anunciou que vai “abandonar a produção de carne de ganso e de foie gras na sua exploração avícola de Snyatynska até ao início de setembro de 2019”.

Em abril, um vídeo filmado na Ucrânia com uma câmara secreta e divulgado pela organização Open Cages chocou o público e levou vários restaurantes a decidir remover o foie gras dos seus menus.

O vídeo em questão mostra as “aves a serem atiradas violentamente de uma carrinha para as gaiolas, tubos de alimentação de metal lubrificados com óleo de motor enfiados pela goela abaixo dos gansos para os encher de comida, e aves feridas e mortas empilhadas, deixadas a agonizar ou a apodrecer”, conta a Open Cages.

“[O foie gras é] produzido através da alimentação forçada [de gansos e patos, e] os animais sofrem imenso com órgãos perfurados, traumatismos esofágicos, ossos partidos e doenças que surgem na sequência de lhes ser violentamente inserido um cano de metal nas gargantas (três vezes por dia) com o único objetivo de engordar o fígado destes animais até que fique com dez vezes o seu tamanho normal e saudável”, disse Matthew Dominguez, da organização Voters for Animal Rights.

“Alimentar animais à força para que os seus fígados fiquem 10 vezes maiores do que o normal é simplesmente uma barbaridade, e a designação de ‘produto de luxo’ do patê chega a ser risível”, disse Connor Jackson, diretor executivo da Open Cages.

Nos últimos anos, a Califórnia e diversos países europeus – incluindo a República Checa, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Itália, Luxemburgo, Noruega, Polónia, Turquia e Reino Unido – proibiram a produção de foie gras.

(ATENÇÃO: As imagens do vídeo que se segue podem chocar os leitores mais sensíveis.)

Ave alimenta cria com beata

Numa praia da Flórida, nos Estados Unidos, Karen Mason captou, enquanto fazia trabalho voluntário para a Sociedade Nacional Audubon, uma imagem que a deixou “furiosa” e que demonstra os perigos do nosso lixo para a vida selvagem e para o ambiente.

A fotografia em questão mostra um bico-rasteiro, uma ave também conhecida como talha-mar ou corta-água, a alimentar o seu filhote com a beata de um cigarro (bituca, no Brasil).

Se fumar, por favor, não deixe as beatas para trás”, escreveu a norte-americana no seu Facebook, quando partilhou a imagem. “Já é hora de limparmos as nossas praias e de deixarmos de as tratar como um cinzeiro gigante.”

Segundo o grupo Ocean Conservancy, as pontas de cigarro são o resíduo mais comum encontrado durante as limpezas de praia.

“As pessoas não vão a lado nenhum sem arranjarem uma forma de levar com elas o seu telemóvel, mas, aparentemente, não se podem dar ao trabalho de levar algo pequeno para as suas beatas”, desabafou Karen.

“As pontas de cigarro são tão omnipresentes que a maioria de nós já nem repara nelas”, disse Rachel Kippen, da Coligação de Educação contra o Tabaco do Condado de Santa Cruz. “Existem 4,5 biliões delas a poluir as nossas ruas, parques e praias em todo o mundo.”

“A maioria das pessoas não se apercebe de que as beatas são feitas de acetato de celulose, um plástico que nunca se decompõe completamente. Estes filtros não proporcionam qualquer benefício para a saúde dos fumadores e criam uma ameaça ambiental duradoura, especialmente para os oceanos, quando não são devidamente descartados – o que acontece à maioria deles.”

Para além do perigo que representam para os animais e para o ambiente, as beatas também podem dar origem a incêndios florestais.
Foto: Karen Mason

Rateira

As caixas com isco que são colocadas em instituições públicas para desratização podem estar também a matar aves.

Estas caixas, que são colocadas, por exemplo, em recreios de escolas, têm no seu interior uma pastilha — o isco — que atrai os ratos mas que, por conter veneno, acaba por matá-los. Acontece que algumas aves, como melros, pardais e ferreiros, já aprenderam a entrar nas caixas e a retirar o isco para o ingerirem. O veneno pode ser fatal para as aves que, inclusivamente, podem estar a dá-lo também como alimento às suas crias. Mesmo que não partilhem o achado com as crias, estas serão igualmente vítimas, pois quando os progenitores morrem envenenados, ficam abandonadas nos ninhos, sem alimento.

É urgente ponderar se não existirão métodos alternativos de combate às pragas nas instituições públicas ou, pelo menos, de que formas se poderá tornar este método seguro para as aves.
Cabo Verde

Uma equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a estudar nove espécies de aves marinhas de Cabo Verde, no âmbito de um projeto internacional financiado em 2,4 milhões de euros pela fundação para a conservação da natureza MAVA.

Iniciado em 2017, o projeto, que é liderado pela BirdLife International, tem como objetivo final evitar a extinção de espécies marinhas em Cabo Verde. A investigação centra-se em duas grandes vertentes: produção de conhecimento científico sobre as aves marinhas do arquipélago, nomeadamente a sua distribuição, fenologia e ameaças a que estão sujeitas, e proteção e conservação das espécies através da criação de áreas marinhas protegidas.

Para observarem todos os movimentos e comportamentos das espécies em estudo, os investigadores da FCTUC colocaram dispositivos de seguimento (GPS Logger) em várias aves e, também, em barcos de pescadores artesanais que colaboram no projeto, para se compreender as interações das aves com as comunidades locais.

Estes dispositivos permitem «recolher e analisar detalhadamente informação sobre a distribuição e fenologia das várias espécies, como por exemplo, o tamanho das colónias existentes, a dieta, os locais de reprodução das aves, etc., e quais as ameaças que sofrem no mar, concretamente que tipo de interação têm com a pesca, para, por exemplo, perceber se a captura das aves é acidental ou intencional», detalha Vítor Paiva, coordenador da equipa portuguesa composta por oito investigadores, sublinhando que atualmente «há muito pouco conhecimento sobre as aves marinhas de Cabo Verde e sobre as reais ameaças que enfrentam».

Os investigadores estão ainda a utilizar nas aves tecnologia de GPS que deteta os radares de grandes embarcações para aferir o impacto da pesca industrial nas aves.

Com base nos resultados obtidos neste estudo que deverá ficar concluído até 2022, os investigadores vão, juntamente com o Governo de Cabo Verde, que também é parceiro no projeto, delinear áreas marinhas protegidas. Entretanto, até ao final deste ano, vão ser elaborados planos de ação para cada uma das nove espécies ao nível do arquipélago, o que poderá implicar regulamentação e fiscalização das pescas.

A adoção de fortes medidas de proteção e conservação das aves marinhas em Cabo Verde é urgente, pois «há espécies que correm sérios riscos de extinção. Por exemplo, a fragata, uma espécie marinha que já esteve presente em grandes quantidades no arquipélago, hoje em dia está praticamente extinta. O último casal foi avistado em 2012, e nunca mais houve reprodução. Esta espécie muito provavelmente foi capturada até à sua extinção», alerta Vítor Paiva.

As equipas vão ainda dar especial atenção à necessidade de erradicação de espécies invasoras que colocam em risco as aves marinhas, principalmente gatos e ratos. Além disso, o projeto tem também uma forte componente de sensibilização a ser aplicada por organizações não-governamentais locais, como a Biosfera. O projeto financia ainda mestrados e doutoramentos de alunos cabo-verdianos nas universidades de Coimbra e Barcelona para capacitação de investigadores locais.
Pomar

O National Trust, uma organização que cuida dos lugares de interesse histórico e de beleza natural no Reino Unido, vai criar 68 pomares tradicionais na Inglaterra e no País de Gales até 2025.

As árvores plantadas – entre as quais se contam macieiras, ameixeiras e pereiras – providenciarão habitat a inúmeros polinizadores, como aves, morcegos e insetos.

A medida também pretende combater o desaparecimento dos pequenos pomares tradicionais no Reino Unido. Na Inglaterra, 60% destes espaços desapareceram desde 1950, devido a um conjunto de razões que incluem as alterações das práticas agrícolas e a urbanização.

David Bullock, diretor de conservação de espécies e habitats do National Trust, explicou que a atual estratégia da organização para a conservação da vida selvagem e da natureza inclui a “criação de 25 mil hectares de zonas de habitat prioritário até 2025”.

“Identificamos os pomares tradicionais como sendo de especial importância, já que providenciam a casa perfeita para vários pássaros, polinizadores e insetos”, disse.

“Cada árvore é valiosa porque se pode tornar uma casa para aves como o pica-pau-galego, para morcegos e [até para a ameaçada] borboleta noturna Celypha woodiana. O fantástico número de maçãs e de outras variedades de fruta que podemos plantar reflete a maravilhosa diversidade da vida.”

Com o programa, o National Trust também conta ajudar a preservar variedades tradicionais de fruta, conta o jornal britânico The Guardian.

Os pomares também são vitais para as pessoas. Oferecem-nos alimentos e bebidas locais, sazonais e deliciosos, são lugares para serem desfrutados e neles se conviver, têm uma grande importância cultural e são espaços de indiscutível beleza”, contou David Bullock.
Foto: Steven Haywood/National Trust
Balões

Em 1979, Manuela Bravo levou ao Festival da Canção a música "Sobe, sobe, balão sobe". 40 anos depois, Carla Lourenço, do projeto Straw Patrol, adaptou-a para dar a conhecer o que acontece depois de largarmos um balão.

“Sobe sobe, balão sobe
Vais rebentar e cair
E uma ave marinha vai-te engolir.
Ela irá panicar
Ela irá sufocar
Uma em cada cinco irá morrer.”

Em 1979 Manuela Bravo levou ao RTP - Festival da Canção a música "Sobe sobe, balão sobe". 40 anos depois, adaptamo-la aos dias que se vivem no nosso planeta. #BalãoNão #Festivaldacanção

Publicado por Lourenço et al. em Terça-feira, 19 de março de 2019
Ave morta por ingestão de um balão

São coloridos e alegres e fazem-nos lembrar festas e momentos de diversão. Mas o que acontece aos balões que largamos, sem querer ou de propósito, e que desaparecem no céu? A verdade é que podem ter consequências devastadoras para os animais selvagens.

Uma equipa de investigadores australianos estudou os efeitos da ingestão de plástico por parte das aves marinhas, analisando o conteúdo intestinal de espécimes mortos, e descobriu que os plásticos maleáveis – como os balões – são os mais letais para estes animais.

“Embora os plásticos maleáveis tenham representado apenas 5% dos itens ingeridos, foram responsáveis por mais de 40% das mortes”, disse Lauren Roman, investigadora que liderou o estudo. “Os balões ou os seus fragmentos foram o detrito marinho mais suscetível de causar mortalidade, matando quase uma em cada cinco das aves marinhas que os ingeriram.”

“Entre as aves que estudamos, a principal causa de morte foi a obstrução do trato gastrointestinal, seguida por infeções e outras complicações provocadas por obstruções gastrointestinais”, contou a investigadora da Universidade da Tasmânia e da Organização para a Investigação Industrial e Científica da Commonwealth da Austrália (CSIRO).

“Os balões são feitos de um polímero que persistirá no ambiente durante muito tempo”, lembrou Mark Hamann, biólogo da Universidade de James Cook.

Ave morta por ingestão de um balão
Albatroz-de-cabeça-cinzenta junto a um fragmento de balão removido do seu aparelho digestivo | Foto: Lauren Roman

Embora a maioria dos balões retirados das aves estudadas estivessem degradados e não ostentassem logotipos ou mensagens, Lauren Roman acredita que se tratavam de balões de festa.

“Já removi um balão [de um pássaro] que tinha ‘feliz aniversário’ escrito nele”, disse. “Descobrimos um balão no qual se via a marca de uma empresa e conseguimos associá-lo a um evento em Sunnybank. Tratava-se, muito provavelmente, de um balão que uma criança tinha soltado.”

O estudo concluiu que a probabilidade de a ingestão de um balão conduzir à morte de uma ave é 32 vezes superior à da ingestão de um item de plástico rígido.

“Como estudos semelhantes sobre a ingestão de plástico por parte de tartarugas marinhas descobriram, parece que, ao passo que os fragmentos de plástico rígido podem passar rapidamente pelo intestino, os plásticos moles têm mais probabilidade de se comprimirem e de causarem obstruções fatais”, explicou a investigadora.

Ave morta por ingestão de um balão
Albatroz-de-sobrancelha morto, à deriva no mar, preso à fita de um balão | Foto: Todd Burrows

Para o estudo, os investigadores compararam mais de 1700 aves da ordem Procellariiformes, que inclui, por exemplo, pardelas e albatrozes.

A equipa levantou a hipótese de as aves serem atraídas pelos fragmentos de balão a flutuar perto da superfície por estes se assemelharem a lulas. Estudos anteriores tinham revelado que as aves marinhas também são atraídas pelo plástico a flutuar no mar por este emitir o cheiro de um composto de enxofre do qual diversas espécies se servem para encontrar alimento.

Embora o novo trabalho de investigação mostre que os itens maleáveis, como os balões, são mais perigosos, Lauren Roman lembra que todos os plásticos representam uma ameaça para as aves marinhas.

“Embora seja menos provável que os plásticos rígidos matem do que os maleáveis, os primeiros foram, mesmo assim, responsáveis por mais de metade das mortes de aves marinhas identificadas no nosso estudo.”

“A ingestão de plástico eleva o risco de mortalidade das aves marinhas e uma única peça pode ser fatal”, explicou a investigadora. “A evidência é clara de que, se queremos que não haja mais aves marinhas a morrer devido à ingestão de plástico, precisamos de reduzir ou remover o lixo marinho do seu ambiente, particularmente os balões.”

Várias cidades e vilas têm vindo a proibir o lançamento de balões. Em maio do ano passado, algumas cidades norueguesas interditaram a venda de balões de hélio durante as festividades do Dia da Constituição da Noruega. A vila de New Shoreham, nos EUA, também proibiu a venda e utilização de balões em 2018.

Se está a organizar um evento, casamento ou festa, conheça 15 alternativas aos balões de hélio.
Libertação da coruja-das-neves

Era uma rede como tantas outras, deixada na baliza apesar de ninguém utilizar o campo de futebol nos meses frios. Foi com essa rede que uma coruja-das-neves colidiu, em novembro, na cidade de Pickering, no Canadá. A ave ficou presa e as suas tentativas para se libertar foram infrutíferas.

Também foi nessa rede que uma equipa de resgate encontrou a coruja, que apresentava “alguns ferimentos e danos nas penas, especialmente nas asas”.

Depois de receber o tratamento necessário, parecia estar tudo a postos para a sua libertação. Só que, como se pôde verificar nos treinos de voo, a coruja, afinal, não se encontrava em condições para voar.

Este não é o primeiro animal a cair vítima das redes de futebol. Há muito que os grupos de defesa da vida selvagem se manifestam contra a permanência das redes nas balizas depois de acabados os jogos.

No princípio deste ano, os esforços destes grupos deram frutos: o Departamento de Parques da cidade de Hamilton, também no Canadá, comprometeu-se a “garantir que as redes são removidas no outono”, depois da morte de um veado que ficara preso numa destas redes.

SNOWY OWL TEST FLIGHT

SNOWY'S BIG DAY! Friday was this fellow's first test flight ... he did not pass! BUT, he did flap well and do all the right things. He just needs more training exercise to strengthen those very large wings. He will have an opportunity to fly daily and reach that optimal strength very soon. He's back in his indoor spot for the night.

Publicado por Shades of Hope Wildlife Refuge em Terça-feira, 18 de dezembro de 2018


Felizmente, ninguém desistiu da coruja-das-neves. A ave foi transferida para a Owl Foundation, uma associação dedicada à reabilitação destas rapinas noturnas.

Foram precisas semanas de treino de força para a coruja recuperar do seu encontro com a rede.

Finalmente, no grande dia, a ave não desapontou a sua equipa de salvamento e voou para a liberdade. “Vivemos para momentos como este”, disse Gail Lenters, fundadora do Refúgio para a Vida Selvagem Shades of Hope.

Libertação da coruja-das-neves
Libertação da coruja-das-neves
O momento da libertação da coruja-das-neves | Fotos: Ann Brokelman/Shades of Hope

Gail Lenters lamenta que, todos os invernos, cheguem ao seu centro tantos casos de colisões de aves com redes, vedações e carros.

“Chegam-nos tantas corujas no inverno devido ao facto de caçarem ao longo da margem das nossas estradas”, explicou. “A maioria está cá por causa de colisões com algo de origem humana.”

Veja, neste vídeo, o resgate de outra coruja emaranhada na rede de uma baliza:

Pisco-de-peito-ruivo

Com o seu peito alaranjado e canto melodioso, o pisco-de-peito-ruivo é uma das aves mais fáceis de identificar em Portugal. É também a Ave do Ano de 2019, escolhida por meio de uma votação online organizada pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), na qual conquistou 63% dos votos.

“Tanto machos como fêmeas cantam durante todo o ano, inclusive de noite junto a candeeiros de rua”, conta a SPEA. “Defendem agressivamente os seus territórios, e fazem o ninho junto ao chão, em sebes por entre as raízes das árvores ou noutros locais em que a entrada do ninho fique escondida.”

Pisco-de-peito-ruivo
Pisco-de-peito-ruivo adulto | Foto: jLasWilson

Os piscos-de-peito-ruivo são comuns em Portugal e podem ser avistados durante todo o ano, tanto em bosques como em jardins e parques urbanos. As regiões onde são mais abundantes variam com a estação do ano.

No sul do país, é mais provável encontrá-los no outono e inverno, quando a população é reforçada pelas aves migradoras vindas do norte da Europa. No norte de Portugal, são mais comuns na primavera e verão.

O peito de cor vermelho-alaranjada é comum aos machos e fêmeas. As aves juvenis, de tom acastanhado, podem ser mais difíceis de identificar.

Pisco-de-peito-ruivo Juvenil | Foto: Francis C. Franklin/Wikimedia Commons

Apesar de possuir o estatuto de conservação “Pouco preocupante” em Portugal, estas pequenas aves são frequentemente capturadas em armadilhas ilegais para serem vendidas como petiscos em cafés e restaurantes ou para serem mantidas em cativeiro.

É por isso que, se encontrar armadilhas ou outros engenhos ilegais, os deve comunicar ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR.

A SPEA promete dar a conhecer, ao longo do ano, mais informações sobre esta ave carismática e sobre as ameaças que ela enfrenta.

Ouça o seu canto:



Ficha do pisco-de-peito-ruivo


Nome Científico
Erithacus rubecula

Ordem
Passeriformes

Família
Muscicapidae

Comprimento
Cerca de 14 cm

Peso
15-21 g

Características
Distingue-se pela mancha ruivo-alaranjada que lhe ornamenta a face, garganta e peito, e que se destaca da restante plumagem acastanhada e acinzentada. O ventre é de um branco sujo. O bico e os olhos são escuros.

Habitat
Ocorre numa enorme variedade de habitats com cobertura arbórea e arbustiva, incluindo bosques, matos, áreas de montado e matas ribeirinhas. Também pode ser visto em jardins e parques de zonas urbanas.

Alimentação
Alimenta-se sobretudo de insetos, aranhas e outros invertebrados, mas também de frutos, bagas e sementes durante o outono e o inverno.

Nº de ovos
4-6 ovos

Incubação
13 a 14 dias

Distribuição geográfica
Europa, partes da Ásia Ocidental e do Norte de África

Estatuto de conservação
Pouco preocupante

Pisco-de-peito-ruivo
Foto: Michael Palmer/Wikimedia Commons | 1ª foto: learningthelight/Flickr

Coruja presa numa rede de uma baliza

Para os animais selvagens, as zonas urbanas e suburbanas estão repletas de obstáculos e perigos. As vedações e as cercas, em especial as de arame farpado, são um deles.

O que muitos desconhecem, conta Chantal Theijn, da organização de reabilitação animal Hobbitstee Wildlife Refuge, é que as redes das balizas de futebol também são uma ameaça para a vida selvagem.

No ano passado, a sua equipa deparou-se com 5 ou 6 casos de veados presos nestas redes e cerca de 15 em que os animais afetados foram aves de rapina, particularmente corujas, que não detetam a rede enquanto caçam à noite.

Nos casos de enredamento, a deteção e intervenção precoces podem ser decisivas para a sobrevivência do animal.

Um dos incidentes mais recentes que Chantal Theijn testemunhou foi o de um veado num parque da cidade de Hamilton, na província de Ontário, no Canadá. Quando chegou ao local, o animal debatia-se, preso na rede da baliza, e estava “extraordinariamente stressado”, o que fez com que o sedativo que lhe administraram não tivesse surtido qualquer efeito.

“Quando os veados estão mesmo, mesmo stressados, a sua adrenalina anula qualquer fármaco que se administre”, explicou.

O instinto de fuga de um veado é tão forte, que o animal também se pode ferir – por vezes fatalmente – só para se afastar daquilo que encara como um perigo, mesmo que este perigo sejam as pessoas que o estão a tentar ajudar.

Veado preso numa rede de uma baliza
O veado que ficou preso à rede de uma baliza em Hamilton | Fotos: Hobbitstee Wildlife Refuge

O animal acabou por ser libertado, mas a história não tem um final feliz. O veado, que se afastara do campo e acabara por cair, mostrava sinais de miopatia de captura – uma síndrome associada à captura e manuseamento de animais selvagens, causada por stress ou esforço extremos, que termina quase sempre na morte do animal.

O veado não sobreviveu ao seu encontro com a rede de futebol.

Ao contrário do que vemos nos vídeos de resgates de animais publicados no YouTube, os finais felizes são bem mais raros, conta Chantal.

Existe uma infinidade de vídeos no YouTube, nos quais os veados são libertados e depois fogem”, explicou ao site Mother Nature Network. “Mas eu gostava que prolongassem esses vídeos até dois dias depois de o veado ter fugido e me dissessem se ele ainda está vivo. Porque muitos deles não estarão.”

Candice Haskin, bióloga do Departamento de Recursos Naturais do estado norte-americano de Maryland, também se lembra de um dos seus encontros com uma situação destas. “Quando cheguei, o veado tinha envolvido [a rede de futebol] à volta do seu nariz e asfixiado.”

Uma solução simples

A solução para este problema é “estupidamente simples”, defende Chantal. Afinal, não há necessidade alguma de as redes permanecerem nas balizas depois de acabados os jogos.

“Pode-se, simplesmente, enrolar as redes até ao topo e prendê-las com alguns atilhos. Nem é preciso removê-las. Pode-se só enrolá-las”, disse. “Como seres humanos, temos mesmo de fazer isto. É algo que não custa nada.”

Chantal Theijn gostaria que esta prática se tornasse uma rotina nos campos de futebol, encorajada pelos treinadores.


Vídeo: Um dos resgates publicados no YouTube. As imagens deste vídeo podem chocar os leitores mais sensíveis.

Boas notícias

Após a morte do veado no campo de Hamilton, o Departamento de Parques da cidade decidiu tomar medidas.

“Perante este evento trágico, a Cidade de Hamilton garantirá que as redes serão removidas no outono e perguntará aos grupos que utilizam os campos se elas são mesmo necessárias”, disse Kara Bunn, gerente dos Parques e Cemitérios de Hamilton.

Chantal considerou “fantástico” este compromisso. “Esperemos, agora, que outras cidades tomem nota e sigam o exemplo [de Hamilton].”

O que fazer se encontrar um animal preso numa rede ou vedação

  • Contacte a linha SOS AMBIENTE 808 200 520 ou a GNR/SEPNA local.
  • Não se aproxime do animal, já que ele se poderá debater e agravar os seus ferimentos.
  • Mantenha as pessoas (especialmente as crianças) e os outros animais à distância.
  • Sempre que possível, deixe o resgate a cargo de um profissional especializado, que saberá a melhor forma de proceder ao mesmo.
Bando de estorninhos

O britânico Guy Benson captou em vídeo o voo de um bando de milhares de estorninhos sobre a Reserva Natural de Attenborough, em Nottingham, no Reino Unido. O vídeo mostra a espantosa “dança” das aves no ar, durante a qual o grupo parece assumir diferentes formas, entre as quais a de uma enorme ave.

“Estava com a minha esposa, Anita, ao entardecer, quando um bando de estorninhos apareceu sobre nós. Durante cerca de 20 minutos, estiveram todos a dançar no céu”, contou o britânico ao jornal The Independent.

“A dada altura, o bando tomou a forma de uma ave enorme no céu. É uma forma bem invulgar e acho que foi causada pelos quatro gaviões que estavam continuamente a mergulhar sobre as aves para as separarem e capturarem. Foi uma das cenas mais impressionantes que já vi na natureza.”



“Há cerca de 20 anos, viam-se 40 mil aves num bando, mas, hoje em dia, é mais provável encontrarem-se entre 10 e 20 mil”, explicou Guy Benson, aludindo ao declínio verificado nas populações de aves do continente europeu.

Desde que se reformou, o britânico de 60 anos passa muito do seu tempo a viajar para observar pássaros raros, juntamente com a sua esposa, Anita Benson.

“Nunca vi nada assim”, disse esta. “Ficava-se parado e de boca aberta; foi tão fantástico. Há centenas de milhares de pessoas a viver perto, mas elas não sabem que este tipo de coisas acontece.”

O voo sincronizado dos estorninhos já chamou a atenção muitas vezes, tanto pela sua elegância como pelas imagens impressionantes que, por vezes, as aves parecem formar.
beija-flor

São aves carismáticas, de pequeno porte e cores extravagantes. Existem mais de 300 espécies de beija-flor no mundo – todas nativas das Américas – e 58 estão presentes no México, onde algumas lendas locais os veem como mensageiros de entes queridos que já partiram.

Das espécies do México, 13 estão em perigo de extinção e cinco encontram-se ameaçadas. À semelhança de outros polinizadores, os números de beija-flores também têm sofrido declínios devido a um conjunto de fatores, que incluem a perda de habitat, a propagação de espécies invasoras e a utilização de pesticidas.

Estas ameaças levaram a UNAM, a maior universidade do México, a lançar um projeto ambicioso para proteger e monitorizar estas pequenas aves, através da criação de jardins urbanos com flores de cores vivas, escolhidas especialmente para elas.

beija-flor
Enquanto se alimentam do néctar das flores, os beija-flores pairam no ar, batendo as suas asas até 200 vezes por segundo | Foto: Kathy & Sam

O primeiro jardim

Em 2014, a professora e investigadora María del Coro Arizmendi Arriaga decidiu criar um jardim dedicado aos colibris na Faculdade de Estudos Superiores Iztacala, semeando, para tal, algumas das flores preferidas destas aves.

Desde então, muitos espécimes têm visitado o espaço e outras instituições e escolas têm pedido à professora para criar mais jardins. O projeto conta agora com vários destes espaços na área metropolitana da Cidade do México e já inspirou os cidadãos a fazer os seus próprios jardins, ajudando assim a alimentar os beija-flores durante a sua longa rota de migração.

“Não importa se se tem um quintal ou apenas um vaso de flores. Se as pessoas atraírem e alimentarem estas aves, utilizando o espaço de que dispõem, isso contribui imenso para a conservação da espécie”, disse María del Coro.

Também foram criados jardins em creches e lares de idosos. “É um projeto que custa muito pouco dinheiro e entusiasma muitas pessoas”, comentou a investigadora.



“O propósito deste projeto é implementar jardins de colibris para atrair estes animais e para lhes proporcionar recursos alimentares numa cidade onde o seu habitat natural foi deteriorado, utilizando [estes espaços] como meio de educação ambiental para destacar a importância da conservação destas aves como polinizadoras”, explicou a UNAM.

“Desta maneira, e de forma colateral, propõe-se promover como passatempo a observação destes animais entre os habitantes de cidades cuja perceção do meio natural é mínima.”

Os beija-flores são responsáveis pela polinização de um grande número de espécies na natureza, especialmente das plantas que requerem polinizadores de bico longo.

beija-flor
No México, o macabro comércio de talismãs também ameaça estas pequenas aves. Beija-flores taxidermizados são vendidos por 2000 pesos como amuletos destinados a dar sorte no amor.

A UNAM também possui uma estação de monitorização de colibris – um projeto conjunto com investigadores dos Estados Unidos e do Canadá.

O sítio, recuperado pela universidade, possui redes que permitem aos cientistas capturar as aves, colocar-lhes uma anilha de identificação e, posteriormente, libertá-las. O objetivo é monitorizar o estado da população e os seus padrões de migração.
1ª foto: Calypte anna (Becky Matsubara)

Ave marinha

Desde 1950, os números globais de aves marinhas sofreram um declínio de 70% – e os seres humanos são, em grande medida, os culpados. A pesca industrial, em particular, está a privar estas aves dos seus alimentos e a colocar as suas comunidades em risco.

“A pesca [industrial] continua a condenar à fome uma comunidade de aves marinhas que se está a desvanecer, como uma jiboia a apertar a sua presa”, alertou o oceanógrafo francês David Grémillet, coautor de um novo estudo sobre o tema e investigador do Centro Nacional de Investigação Científica de França (CNRS).

O estudo, publicado na revista Current Biology, descobriu que o consumo médio anual de alimentos por parte das aves marinhas caiu quase 20% – de 70 para 57 milhões de toneladas – entre 1970 e 2010. Por outro lado, a captura média anual das presas destas aves pela indústria pesqueira aumentou de 59 milhões de toneladas nos anos 70 e 80 para 65 milhões de toneladas nos últimos anos.

“Apesar do facto de as comunidades mundiais de aves marinhas estarem a diminuir, o nível de competição entre as aves e as pescarias permaneceu igual entre 1970-1980 e 1990-2000”, disse o investigador.

Pinguins africanos
Pinguins africanos (Spheniscus demersus) | Foto: Paul Mannix

A diminuição da quantidade de alimentos disponíveis está a colocar em risco as aves marinhas, que já são o grupo de aves mais ameaçado do mundo.

Desde os anos 70 e 80 perdemos um quarto de todos os pinguins e quase metade dos garajaus e das fragatas”, afirmou David Grémillet. “Entretanto, a competição entre as aves marinhas e a indústria pesqueira continua a aumentar em zonas como as plataformas continentais asiáticas, o mar Mediterrâneo, o mar da Noruega e a costa californiana.”

A situação é particularmente alarmante para o pinguim africano, uma espécie em perigo de extinção. As sardinhas, que perfazem uma parte significativa da sua dieta, estão a ser alvo de sobrepesca no sul de África, comprometendo o futuro da espécie.

“As aves marinhas que se alimentam de calamares, krill antártico e de peixes pequenos de águas intermédias, como os arenques e as sardinhas, são as que estão a ser mais afetadas”, disse Deng Palomares, investigadora da iniciativa Sea Around Us da Universidade da Colúmbia Britânica e coautora do estudo. “No total, analisamos o comportamento de mil milhões de aves marinhas ao longo de quatro décadas, o que é aproximadamente 60% da população mundial destas aves.”

“A exploração desenfreada de pequenos peixes pelágicos, como as sardinhas, anchovas ou sardinelas nas águas ao largo da costa da África Ocidental, pelos navios de pesca industrial para a produção de farinhas destinadas a engordar salmões de viveiro ou galinhas é desastrosa para o ambiente e para as aves marinhas”, defendeu David Grémillet. “E esses recursos deveriam ser utilizados para alimentar as pessoas da região; é uma aberração que [sejam usados] para fazer farinhas de peixe.”

Ave presa em redes de pesca

Deng Palomares explicou que são necessárias medidas urgentes para fazer face a este problema, dado não ser o único que as aves marinhas enfrentam.

Outras ameaças incluem o enredamento em artes de pesca, a ingestão de resíduos de plástico a flutuar nos oceanos, a poluição no mar por hidrocarbonetos, a introdução de espécies predadoras invasoras e a destruição do seu habitat.

“Se não fizermos nada, as populações de aves marinhas vão colapsar”, advertiu a investigadora.
1ª foto: JJ Harrison

Competição aves marinhas/pescarias no mundo | Imagem: Universidade da Colúmbia Britânica

Chapim

As comunidades de plantas nativas nas zonas urbanas são frequentemente convertidas em habitats dominados por espécies não indígenas. Estas plantas podem ser menos suscetíveis aos danos causados por ataques de parasitas e exigir menos trabalho de manutenção, mas também criam “desertos alimentares” para os insetos e, consequentemente, para os animais que, como as aves, se alimentam deles.

O declínio na disponibilidade de alimentos pode afetar estes animais, colocando-os em risco de extinção local nas zonas urbanas e suburbanas.

“A maioria dos proprietários acha que as plantas são apenas decorações e não se preocupa com os papéis ecológicos que elas devem desempenhar nas nossas paisagens. Assim, vão ao viveiro e compram a planta mais bonita que conseguem encontrar. A indústria dos viveiros impinge plantas de outros lugares há um século por estas serem invulgares e terem valor de mercado”, disse Doug Tallamy, professor do Departamento de Entomologia e Ecologia da Vida Selvagem da Universidade de Delaware.

Juntamente com a investigadora Desirée Narango e Peter Marra, diretor do Centro de Aves Migratórias do Smithsonian, o professor examinou o impacto das plantas não indígenas nas aves nidificantes presentes nos quintais particulares de centenas de norte-americanos.

A maioria dos insetos herbívoros só consegue alimentar-se de espécies com as quais coevoluiu. As plantas não nativas têm substâncias químicas defensivas nos seus tecidos que repelem os insetos autóctones. Estes insetos não podem comer uma planta a menos que tenham desenvolvido as adaptações necessárias para contornar essas defesas. Para além de terem um cheiro e sabor diferentes, as plantas alóctones também são frequentemente tóxicas para a maioria dos insetos nativos.

“A título de exemplo, as [lagartas das] borboletas-monarcas só se alimentam de asclépias porque essa é a linhagem de plantas à qual se adaptaram”, explicou Doug Tallamy. “Mas agora não se podem alimentar de mais nada. Por isso, quando trazemos plantas exóticas para o país, os nossos insetos não possuem as adaptações necessárias para as comerem sem morrerem.”

Chapim
Poecile carolinensis | Foto: Douglas Tallamy

As descobertas do estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), mostraram que os jardins residenciais dominados por plantas não nativas têm menos artrópodes, como lagartas herbívoras e aranhas predadoras. Isto são más notícias para as aves que dependem destas espécies para alimentar as suas crias.

Quanto mais plantas não indígenas tinha um jardim, menos provável era que as aves o ocupassem e nele nidificassem. Os pássaros que, mesmo assim, nidificavam, produziram menos crias do que os que o fizeram em quintais dominados por plantas nativas.

A utilização de plantas não nativas força as aves a mudar as suas dietas para presas menos desejáveis e adequadas.

“Essas plantas exóticas atrativas fornecem menos alimentos à base da cadeia alimentar e, como tal, sustentam menos aves do que as plantas nativas”, comentou Doug Levey, da Fundação Nacional de Ciência, que financiou o estudo.

Os investigadores observaram em especial a ave Poecile carolinensis (uma espécie de chapim), que consideraram tratar-se de uma representante ideal das espécies de aves insetívoras.

“[Esta ave] é quase exclusivamente insectívora durante a época de nidificação. Alimenta-se maioritariamente de lagartas, aranhas e outros insetos”, contou Desirée Narango. “Os jardins com plantas não indígenas tornam-se ‘sinks’ [habitats onde a reprodução não é suficiente para igualar a mortalidade] para estes chapins, que precisam de insetos para se reproduzirem e sobreviverem.”

“Estas observações fazem soar o alarme para os outros pássaros”, disse Peter Marra. “Se fizermos um esforço concertado para replantar espécies nativas, isto poderá constituir uma oportunidade para trazer as aves de volta para os nossos quintais.”

Gingko biloba
Gingko biloba | Foto: CS76/Wikimedia Commons

A chave é 70%

Os investigadores descobriram que a chave está nos 70%. Se o quintal tiver mais de 70% de biomassa vegetal nativa, os chapins têm hipótese de se reproduzir e repor a sua população local. Assim que o número de espécies nativas se torna inferior a 70%, essa probabilidade cai para zero.

De forma a promoverem a biodiversidade urbana e redes tróficas sustentáveis, os planeadores urbanos e os proprietários privados devem dar prioridade às espécies vegetais nativas.

“Vejo os nossos resultados como um passo em frente para permitirmos que as nossas paisagens urbanas e suburbanas sejam partilhadas com a biodiversidade”, contou Desirée Narango. “Espero que as nossas descobertas proporcionem metas claras que os proprietários e paisagistas possam tentar alcançar.”

Os investigadores destacaram ainda a importância das árvores nativas, especialmente dos carvalhos, das cerejeiras e dos salgueiros. “Quando se deitam abaixo estas árvores, altera-se o ecossistema dessa zona”, disse Doug Tallamy.

Em vez de um gingko, plante um carvalho. Os gingkos não sustentam nenhuma espécie de lagarta – um importante alimento para as aves –, ao passo que os carvalhos asseguram a subsistência de 557 espécies de lagartas”, explicou o professor.
1ª foto: Chapim-real (Parus major)
Águia ibérica

Uma águia-imperial-ibérica foi avistada no concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança, o que pode significar que esta "ave rara" poderá estar de volta ao território do Douro Internacional.

Em Portugal só existem 17 casais de águia-imperial-ibérica nidificantes e este avistamento pode significar que o número esteja a aumentar, uma vez que a ave avistada era juvenil.

"Esta espécie está restrita como nidificante em Portugal e em Espanha, e é uma das aves de rapina mais ameaçadas da Europa, estando igualmente entre as mais raras do mundo", especificou o biólogo José Pereira que se dedica ao estudo das aves rupícolas na área do Parque Natural do Douro.

"A águia-imperial-ibérica só existe na Península Ibérica sendo uma espécie que está em perigo de extinção, o que significa que está muito ameaçada, e os 17 casais nidificantes estão todos na zona Sul do país, sendo muito raro avistá-las na região Norte", explicou o biólogo e presidente da Associação Palombar.

O avistamento foi captado por uma câmara de fotoarmadilhagem existente no campo de alimentação de aves necrófagas gerido pela Associação Palombar, em Miranda do Douro, e que está inserido no projeto Life Rupis, que se dedica ao estudo e conservação do britango ou abutre-do-egito.

"Ficamos muito satisfeitos e motivados com o trabalho que a Palombar está a desenvolver, nomeadamente ao nível do reforço da rede de campos de alimentação para aves necrófagas, que tem vindo a crescer e que permite um aumento da disponibilidade alimentar para estas espécies, e promove a conetividade entre as áreas protegidas", disse José Pereira.

Nos finais da década de 70 e inícios dos anos 80, a população reprodutora da águia-imperial-ibérica terá desaparecido de Portugal e a nidificação só voltou a ser confirmada em 2003 na região do Tejo Internacional.

Foto: Palombar
Campo de girassóis

Um projeto agrícola pioneiro que utiliza técnicas que remontam ao séc. XIII transformou uma faixa da orla costeira do sul do País de Gales num refúgio para animais ameaçados e flores silvestres.

Na paisagem agrícola dividida em faixas de Vile, o número de espécies de flores silvestres triplicou e foram avistadas 23 espécies de aves raras no país – como o tartaranhão-cinzento (Circus cyaneus) e a cigarrinha-malhada (Locustella naevia) – e quatro tipos de répteis ameaçados.

Num destes campos, foram avistadas 63 borboletas em apenas 60 segundos, um marcado contraste com as seis avistadas nas pastagens vizinhas, cultivadas com métodos convencionais.

O projeto foi lançado há dois anos pelo National Trust (Fundo Nacional para Locais de Interesse Histórico ou Beleza Natural) para restaurar por completo os campos cultivados tradicionalmente em Vile até ao fim dos anos 40, altura em que se assistiu à intensificação da agricultura no Reino Unido.

Pintarroxos nos campos de Vile
Pintarroxos nos campos de Vile | Foto: National Trust / Mark Hipkin

Os campos são cultivados segundo o sistema de campo aberto, um sistema que remonta ao período medieval e que permitia aos camponeses partilharem a terra, alugando faixas do terreno ao proprietário, para cultivarem as suas próprias plantações.

Em Vile, funcionários e 80 voluntários criaram 2000 metros de sebes e divisões, que tornaram seis campos num mosaico de 17 áreas diferentes.

As culturas plantadas pela equipa incluem aveia, cevada, espelta, milho-painço e trigo-sarraceno, juntamente com flores como papoilas, alfazema e tremoceiros. Os campos de girassóis atraíram muitas abelhas e outros insetos.

“Ao plantarmos grandes quantidades de girassóis, papoilas e as nossas outras culturas, atraímos mais polinizadores e aves. De facto, este ano, caminhando nos campos de girassóis, vimos um abelhão em praticamente todos os girassóis”, disse Mark Hipkin, do National Trust.

Na altura da colheita, a equipa deixa para trás um pouco das culturas. As sementes secam e atraem as aves. A linhaça, por exemplo, atrai os pintarroxos e as sementes de girassol que sobram servem de alimento às aves que passam o inverno na região.

Abelhão
Foto: National Trust / John Miller

O National Trust admite que este ainda não é, pelo menos por enquanto, um método agrícola economicamente viável, mas a organização espera que sejam encontradas formas de o tornar atrativo para alguns agricultores.

“É fantástico ver estes resultados. Regressamos simplesmente a uma agricultura sustentável e com resultados impressionantes”, afirmou Alan Kearsley-Evans, do National Trust. “Sabemos que a nossa exploração agrícola é muito pequena, mas o princípio do que estamos a fazer e os seus resultados poderiam ser aplicados a grandes explorações agrícolas intensivas. Procuramos provar, dentro de alguns anos, a viabilidade deste método e mostrar os muitos benefícios que traz.”

Todas as culturas foram plantadas por uma razão e a vida selvagem é o grande vencedor, sendo que cada campo beneficia uma grande variedade de invertebrados e pássaros ao longo do ano”, disse.

No próximo ano, a equipa planeia alternar as plantações, atribuir mais duas ou três faixas à plantação de alfazema e introduzir colmeias para a produção de mel.

O que se tinha tornado um pedaço de campo bastante estéril foi trazido de volta à vida, a fervilhar de cores e como um refúgio para aves, borboletas e insetos de todos os tipos, assim como para pequenos mamíferos e répteis”, sublinharam dois dos voluntários envolvidos no projeto, Malcolm e Ruth Ridge.
Águia-das-estepes

São más notícias para as emblemáticas aves de rapina. Um novo estudo, que analisou o estatuto de conservação das 557 espécies de aves de rapina, descobriu que 18% delas estão ameaçadas de extinção e que as populações globais de 52% estão em declínio.

“Por estarem no topo da cadeia alimentar e apresentarem uma reprodução mais lenta do que muitas outras aves, as rapinas são muito sensíveis a ameaças causadas pelos humanos e têm mais probabilidade de ficarem extintas”, explicou Sarah Schulwitz, coautora do estudo e bióloga da organização The Peregrine Fund.

Entre as ameaças enfrentadas por estas aves estão a destruição e a alteração do habitat, o abate intencional e o envenenamento deliberado ou acidental.

“Os abutres no sul da Ásia sofreram declínios populacionais catastróficos devido aos efeitos tóxicos do medicamento veterinário diclofenac. Na África, os abutres e as corujas são mortos para que as suas partes corporais sejam usadas para supostos benefícios medicinais. Muitas outras aves de rapina são vulneráveis à eletrocussão ou à colisão com linhas elétricas. Mas, como com a maioria das espécies de aves, a agricultura insustentável e o abate de árvores são as principais ameaças”, disse Stuart Butchart, cientista-chefe da BirdLife International e um dos coautores do estudo.

Serpentário
O serpentário ou secretário (Sagittarius serpentarius), uma ave de rapina do continente africano, classificada como "Vulnerável" pela UICN | Foto: Mathias Appel/Flickr

As atividades humanas têm vindo a acelerar o ritmo da perda de biodiversidade no mundo. O desaparecimento de espécies pode ter impactos inesperados e negativos também para o bem-estar humano.

“As aves de rapina desempenham papéis críticos nos ecossistemas”, sublinhou Chris McClure, da The Peregrine Fund.

Nos anos 90, as populações de três espécies de abutres no subcontinente indiano sofreram um declínio de 97-99% devido ao uso veterinário do medicamento diclofenac. Esse declínio também teve impactos inesperados na saúde humana.

Quando os abutres se alimentavam de animais mortos tratados com diclofenac, as quantidades residuais do fármaco nos tecidos dos animais provocavam insuficiência renal e a morte destas aves necrófagas.

“O desaparecimento dos abutres causou o aumento do número de cães vadios e das mortes de pessoas associadas a raiva. No total, a quase extinção de três espécies de abutres resultou no dispêndio de mais de 34 mil milhões de dólares em despesas médicas em toda a região”, conta o The Peregrine Fund.

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O abutre-de-bico-longo (Gyps indicus), uma das espécies de abutre que sofreram declínios dramáticos devido ao envenenamento por diclofenac | Foto: Deepak Sankat

O estudo também revelou que a Indonésia apresenta a maior variedade de espécies de aves de rapina e o maior número de espécies em declínio, e que as rapinas que dependem de habitats florestais têm maior probabilidade de estarem ameaçadas e em declínio.

“As aves de rapina estão entre as aves mais emblemáticas, mas também estão altamente ameaçadas, sendo que muitas das espécies de maior dimensão necessitam de vastas extensões florestais intactas e outras são perseguidas devido aos seus supostos impactos na pecuária e na caça”, destacou Stuart Butchart.

Coruja-das-neves
A coruja-das-neves (Bubo scandiacus), uma espécie classificada pela UICN como "Vulnerável" | Foto: David Hemmings Quebec

Os investigadores ofereceram algumas recomendações para travar estes declínios.

“Para além da proteção dos habitats, precisamos de reforçar e fazer cumprir as leis que previnem o abate ilegal e a caça insustentável”, aconselhou o cientista-chefe da BirdLife International. “Outras prioridades incluem a educação e a sensibilização, mudanças políticas – como uma melhor regulamentação da utilização de venenos – e medidas de segurança para as linhas elétricas perigosas. Para as espécies migradoras, a cooperação internacional reveste-se de especial importância.”

1ª foto: Águia-das-estepes, Aquila nipalensis (Sumeet Moghe)