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Alface-do-mar

A alface-do-mar pode ser a solução para se limparem águas contaminadas pela indústria e pelo consumo doméstico. Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) descobriu que esta alga tem uma grande capacidade para remover elementos potencialmente tóxicos da água, a maior parte deles perigosos para a saúde humana e para o ambiente.

A remoção alcançada com a alga que temos testado para remover da água, entre outros elementos, arsénio, mercúrio, cádmio e chumbo, é muito elevada”, congratula-se Bruno Henriques, o investigador do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Química (DQ) da Academia de Aveiro, que garante que, comparativamente a outros materiais, naturais ou sintéticos, usados hoje correntemente para o mesmo efeito, a taxa de sucesso da alface-do-mar “é superior”.

Por isso, o investigador considera que “estas algas são uma alternativa eficiente, pois removem percentagens elevadas de contaminantes num período curto de tempo, a metodologia é económica e mais ecológica do que os métodos ‘clássicos’ para a remoção destes elementos, que são menos eficazes e, muitas vezes, mais caros, o que se traduz em baixo custo-benefício”.

O estudo da UA indica que cada grama de alga consegue remover em simultâneo 120 microgramas de mercúrio, 160 microgramas de cádmio, 980 microgramas de chumbo, 480 microgramas de crómio, 660 microgramas de níquel, 550 microgramas de arsénio, 370 microgramas de cobre e 2000 microgramas de manganês.

Estes elementos químicos, explica o investigador, apesar de se denominarem de ‘clássicos’ continuam a ser atualmente “muito usados por várias indústrias e a sua presença no ambiente causa impactos negativos, tais como toxicidade, observada mesmo para concentrações muito baixas”. Outros problemas associados a estes elementos “estão relacionados com o seu carater persistente no ambiente e facilidade em se bioacumularem nos tecidos dos organismos”.

Algas cultivadas em locais contaminados

O segredo da grande capacidade de ‘limpeza’ pela alga explica-se através da sorção, processo através do qual a alface-do-mar consegue incorporar nos seus tecidos os contaminantes. O rápido crescimento destas algas, congratula-se Bruno Henriques, “contribui para que se consigam remover os contaminantes em cada vez maior quantidade, pois o crescimento da alga aumenta o número de locais de superfície aos quais estes elementos tóxicos se podem ligar”.

Assim, explica o investigador, “as algas poderão ser utilizadas para diminuir a contaminação de locais muito afetados por descargas destes elementos, através da introdução da alga no local a descontaminar se as condições forem adequadas ao seu crescimento ou cultivando algas num outro local e transportando estas para os locais a serem descontaminados”.

Além da remoção dos elementos tóxicos, os investigadores da UA asseguram que as alfaces-do-mar permitem reduzir também o teor de fosfatos e nitratos em águas e ao usarem dióxido de carbono como fonte de carbono, permitem reduzir a pegada de carbono.

O trabalho foi desenvolvido por uma equipa multidisciplinar da UA constituída por Bruno Henriques, Ana Teixeira, Paula Figueira, Joana Almeida e Eduarda Pereira (investigadores do DQ, do CESAM, do CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro e do Laboratório Central de Análises), e com a cooperação da Universidade do Porto e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Investigadores
Cantina

As escolas públicas da cidade de Nova Iorque vão aderir ao movimento “Segundas sem Carne”, num esforço para reduzir a pegada ambiental da cidade e melhorar a saúde pública, anunciou o mayor nova-iorquino, Bill de Blasio.

“Estamos a levar as Segundas sem Carne a todas as escolas públicas para manter o nosso almoço e o planeta verde para as gerações futuras”, declarou o autarca.

A partir do outono, às segundas-feiras, os pequenos-almoços e os almoços servidos aos 1,1 milhões de estudantes destas escolas serão totalmente vegetarianos.

Quem estiver reticente em participar poderá continuar a levar para a escola a marmita com uma refeição com carne, lembra Bill de Blasio.

A iniciativa tinha sido testada em 15 escolas do distrito nova-iorquino de Brooklyn, no ano passado, e a decisão de a estender a todas as instituições públicas de ensino da cidade foi tomada devido aos resultados positivos do projeto-piloto e ao feedback favorável recebido.

“Percorremos um longo caminho. Passamos de 15 escolas em Brooklyn para todas as escolas de Nova Iorque”, disse Eric Adams, presidente do distrito de Brooklyn.

No princípio do ano, os onze hospitais públicos de Nova Iorque também adotaram as 2as sem Carne.

“A redução do nosso apetite por carne é uma das principais formas como podemos, individualmente, reduzir o nosso impacto ambiental no planeta”, disse Mark Chambers, diretor do Gabinete de Sustentabilidade do mayor de Nova Iorque. “As Segundas sem Carne apresentarão centenas de milhares de jovens nova-iorquinos à ideia de que pequenas mudanças nas suas dietas podem originar mudanças maiores na sua saúde e na saúde do nosso planeta.”
Foto: Joseph Molieri/Bread for the World

Ave morta por ingestão de um balão

São coloridos e alegres e fazem-nos lembrar festas e momentos de diversão. Mas o que acontece aos balões que largamos, sem querer ou de propósito, e que desaparecem no céu? A verdade é que podem ter consequências devastadoras para os animais selvagens.

Uma equipa de investigadores australianos estudou os efeitos da ingestão de plástico por parte das aves marinhas, analisando o conteúdo intestinal de espécimes mortos, e descobriu que os plásticos maleáveis – como os balões – são os mais letais para estes animais.

“Embora os plásticos maleáveis tenham representado apenas 5% dos itens ingeridos, foram responsáveis por mais de 40% das mortes”, disse Lauren Roman, investigadora que liderou o estudo. “Os balões ou os seus fragmentos foram o detrito marinho mais suscetível de causar mortalidade, matando quase uma em cada cinco das aves marinhas que os ingeriram.”

“Entre as aves que estudamos, a principal causa de morte foi a obstrução do trato gastrointestinal, seguida por infeções e outras complicações provocadas por obstruções gastrointestinais”, contou a investigadora da Universidade da Tasmânia e da Organização para a Investigação Industrial e Científica da Commonwealth da Austrália (CSIRO).

“Os balões são feitos de um polímero que persistirá no ambiente durante muito tempo”, lembrou Mark Hamann, biólogo da Universidade de James Cook.

Ave morta por ingestão de um balão
Albatroz-de-cabeça-cinzenta junto a um fragmento de balão removido do seu aparelho digestivo | Foto: Lauren Roman

Embora a maioria dos balões retirados das aves estudadas estivessem degradados e não ostentassem logotipos ou mensagens, Lauren Roman acredita que se tratavam de balões de festa.

“Já removi um balão [de um pássaro] que tinha ‘feliz aniversário’ escrito nele”, disse. “Descobrimos um balão no qual se via a marca de uma empresa e conseguimos associá-lo a um evento em Sunnybank. Tratava-se, muito provavelmente, de um balão que uma criança tinha soltado.”

O estudo concluiu que a probabilidade de a ingestão de um balão conduzir à morte de uma ave é 32 vezes superior à da ingestão de um item de plástico rígido.

“Como estudos semelhantes sobre a ingestão de plástico por parte de tartarugas marinhas descobriram, parece que, ao passo que os fragmentos de plástico rígido podem passar rapidamente pelo intestino, os plásticos moles têm mais probabilidade de se comprimirem e de causarem obstruções fatais”, explicou a investigadora.

Ave morta por ingestão de um balão
Albatroz-de-sobrancelha morto, à deriva no mar, preso à fita de um balão | Foto: Todd Burrows

Para o estudo, os investigadores compararam mais de 1700 aves da ordem Procellariiformes, que inclui, por exemplo, pardelas e albatrozes.

A equipa levantou a hipótese de as aves serem atraídas pelos fragmentos de balão a flutuar perto da superfície por estes se assemelharem a lulas. Estudos anteriores tinham revelado que as aves marinhas também são atraídas pelo plástico a flutuar no mar por este emitir o cheiro de um composto de enxofre do qual diversas espécies se servem para encontrar alimento.

Embora o novo trabalho de investigação mostre que os itens maleáveis, como os balões, são mais perigosos, Lauren Roman lembra que todos os plásticos representam uma ameaça para as aves marinhas.

“Embora seja menos provável que os plásticos rígidos matem do que os maleáveis, os primeiros foram, mesmo assim, responsáveis por mais de metade das mortes de aves marinhas identificadas no nosso estudo.”

“A ingestão de plástico eleva o risco de mortalidade das aves marinhas e uma única peça pode ser fatal”, explicou a investigadora. “A evidência é clara de que, se queremos que não haja mais aves marinhas a morrer devido à ingestão de plástico, precisamos de reduzir ou remover o lixo marinho do seu ambiente, particularmente os balões.”

Várias cidades e vilas têm vindo a proibir o lançamento de balões. Em maio do ano passado, algumas cidades norueguesas interditaram a venda de balões de hélio durante as festividades do Dia da Constituição da Noruega. A vila de New Shoreham, nos EUA, também proibiu a venda e utilização de balões em 2018.

Se está a organizar um evento, casamento ou festa, conheça 15 alternativas aos balões de hélio.


O Trashtag Challenge é um desafio das redes sociais que foi criado em 2015 e encoraja as pessoas a limparem a natureza (praias, parques, etc.) e a mostrarem lado a lado o antes e o depois da limpeza.

Em outubro de 2015, a UCO, uma empresa de equipamentos para campismo, lançou o desafio #Trashtag e comprometeu-se a limpar 10 000 peças de lixo até outubro de 2016.

Por todo o mundo as pessoas têm publicado fotos no Instagram e no Twitter a participarem no desafio com a hashtag #Trashtag.

Já participou?



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Наконец-то пoявился челлендж кoторый действительно пoлезен👍🏻 На популярном зарубежном ресурсе набирает популярность челлендж #trashtag . Люди фотографируют загрязненное место в природе, а потом очищают его от мусора и фотографируют еще раз. @dinarasatzhan @kudaibergen_kairat @margulan_seissembai @ardaknazarov @alibekovkz @yrashev @kuantr @meirzhach_tv @make_sakevich @muturganov_murat @justrasul @kyran_talapbek @akimat_medeu @akimat_almaty @almaty_brothers @100baksoff @kris_p_almaty

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Saco de pano para o pão numa padaria

O Município da Guarda lançou uma campanha de sensibilização ambiental, em parceria com a SUMA (Serviços Urbanos e Meio Ambiente S.A), nos dias 7 e 8 de março, em padarias e pastelarias, através da qual distribuiu sacos de pano para o pão aos consumidores, à semelhança dos que se usavam antigamente.

Esta ação tem em vista prevenir a produção de resíduos e a poupança de recursos, que tem como foco o princípio da reutilização, transmitido através do apelo e recuperação de hábitos “antigos” de utilização de materiais resistentes e duradouros, por oposição aos descartáveis.

Esta campanha alia os conceitos de reaproveitamento e conservação às problemáticas ambientais prementes, as quais se refletem, igualmente, nos impostos da fiscalidade verde aplicados aos sacos de plástico.

A campanha passou por 16 padarias/pastelarias da cidade: Forninho da Estação, Padaria Pão Quente Nova Gente, Lili Cari Pão Quente, Doce Miminho, Farinha Mágica, Padaria do Mileu, Pastelaria Rossio, Padaria do Bonfim, Pastelaria Cristal, Padaria das Véritas, Pastelaria Colmeia, Padaria Pão D’Art, Pastelaria Quebra Gelo, Pastelaria Avenida, Pastelaria Cidade Doce e Pastelaria Euro Latina.

Capa da Raízes Mag nº 4

Saiu ontem, dia 10 de março, a Raízes Mag nº4, a nossa revista online bimestral dedicada ao ambiente e à sustentabilidade.

Neste número falamos sobre turismo sustentável e entrevistamos Miriam Augusto da The Wanderlust, viajante profissional cujo objetivo de vida é deixar um impacto positivo pelos países em que passa, e Marta Guerreiro, em representação do Governo dos Açores, que nos fala sobre a certificação do arquipélago como destino de turismo sustentável. Conta também com a participação do João e da Sara, da No footprint nomads.
Vão encontrar também uma nova rubrica que irá divulgar o trabalho de associações de defesa da vida selvagem. Desta vez vão ficar a conhecer melhor o trabalho do CERAS.

Para adquirirem a Raízes Mag nº4 ou para a subscreverem por um ano, visitem a nossa loja aqui.

Obrigado a todos os que já subscreveram a nossa revista! O vosso apoio é muito importante para nós! Boas leituras!

A Raízes Mag é um projeto fruto de uma parceria entre o UniPlanet e o Âncora Verde.
Libertação da coruja-das-neves

Era uma rede como tantas outras, deixada na baliza apesar de ninguém utilizar o campo de futebol nos meses frios. Foi com essa rede que uma coruja-das-neves colidiu, em novembro, na cidade de Pickering, no Canadá. A ave ficou presa e as suas tentativas para se libertar foram infrutíferas.

Também foi nessa rede que uma equipa de resgate encontrou a coruja, que apresentava “alguns ferimentos e danos nas penas, especialmente nas asas”.

Depois de receber o tratamento necessário, parecia estar tudo a postos para a sua libertação. Só que, como se pôde verificar nos treinos de voo, a coruja, afinal, não se encontrava em condições para voar.

Este não é o primeiro animal a cair vítima das redes de futebol. Há muito que os grupos de defesa da vida selvagem se manifestam contra a permanência das redes nas balizas depois de acabados os jogos.

No princípio deste ano, os esforços destes grupos deram frutos: o Departamento de Parques da cidade de Hamilton, também no Canadá, comprometeu-se a “garantir que as redes são removidas no outono”, depois da morte de um veado que ficara preso numa destas redes.

SNOWY OWL TEST FLIGHT

SNOWY'S BIG DAY! Friday was this fellow's first test flight ... he did not pass! BUT, he did flap well and do all the right things. He just needs more training exercise to strengthen those very large wings. He will have an opportunity to fly daily and reach that optimal strength very soon. He's back in his indoor spot for the night.

Publicado por Shades of Hope Wildlife Refuge em Terça-feira, 18 de dezembro de 2018


Felizmente, ninguém desistiu da coruja-das-neves. A ave foi transferida para a Owl Foundation, uma associação dedicada à reabilitação destas rapinas noturnas.

Foram precisas semanas de treino de força para a coruja recuperar do seu encontro com a rede.

Finalmente, no grande dia, a ave não desapontou a sua equipa de salvamento e voou para a liberdade. “Vivemos para momentos como este”, disse Gail Lenters, fundadora do Refúgio para a Vida Selvagem Shades of Hope.

Libertação da coruja-das-neves
Libertação da coruja-das-neves
O momento da libertação da coruja-das-neves | Fotos: Ann Brokelman/Shades of Hope

Gail Lenters lamenta que, todos os invernos, cheguem ao seu centro tantos casos de colisões de aves com redes, vedações e carros.

“Chegam-nos tantas corujas no inverno devido ao facto de caçarem ao longo da margem das nossas estradas”, explicou. “A maioria está cá por causa de colisões com algo de origem humana.”

Veja, neste vídeo, o resgate de outra coruja emaranhada na rede de uma baliza:

Garrafas de plástico

O maior festival de música do Reino Unido e um dos maiores a céu aberto do mundo vai proibir a venda de garrafas de bebidas de plástico para reduzir a quantidade de resíduos produzidos e o impacto negativo destes no ambiente.

Conhecido pelo seu cartaz aliciante, o festival de Glastonbury também tem sido motivo de notícia por outra razão: a chocante montanha de lixo deixada para trás pelos seus espetadores.

“Estamos todos, obviamente, envolvidos no combate contra o plástico, o que se trata de uma tarefa imensa e que se encontra bem atrasada, e precisamos de dar passos na direção certa”, disse Emily Eavis, co-organizadora do festival.

“[Nas últimas edições] foi vendida uma quantidade enorme de garrafas de plástico e é bastante inquietante ver as imagens do espaço completamente coberto de garrafas velhas”, contou Emily. Em 2017, os visitantes do evento compraram 1,3 milhões de garrafas de plástico.

Os organizadores encorajam os festivaleiros a levarem as suas próprias garrafas reutilizáveis e a encherem-nas nos postos de distribuição gratuita de água. As pessoas também poderão adquirir refrigerantes em latas recicláveis.


O festival de Glastonbury, que decorrerá entre 26 e 30 de junho, já tinha tomado outras medidas para reduzir o uso de plástico descartável, eliminando os talheres, pratos, palhinhas e copos deste material.

O grupo ambientalista Friends of the Earth saudou a medida, mas lembrou que ainda existe muito trabalho pela frente para se resolver o problema do lixo associado a este tipo de eventos. “É importante que o equipamento para os festivais, como as tendas, seja construído para durar, em vez de ser abandonado num campo após uma utilização”, afirmou um representante do grupo.

Ecopontos humanos

É Carnaval, ninguém recicla mal” é o mote que a Novo Verde, Entidade Gestora de Resíduos de Embalagens, leva até Torres Vedras para aquele que se quer tornar no “Carnaval mais verde de Portugal”. Nos dias 1, 3 e 5 de março, vão juntar-se ao Carnaval de Torres Vedras várias “personalidades” emblemáticas portuguesas, como Fernando Pessoa, Amália, Eusébio, Cristiano Ronaldo, Florbela Espanca, Cristina Ferreira, Salvador Sobral, entre outros, prontos a recolher as embalagens do público que festeja este entrudo com o tema ‘Made in Portugal’.

Para Ricardo Neto, Presidente da Novo Verde, “a sustentabilidade e a reciclagem são valores que devem constar em todos os momentos do nosso dia a dia, até nos de festa e folia. Plenamente integrada no ADN do evento, a Novo Verde pretende passar, através do humor, a mensagem de que a responsabilidade ambiental deve marcar qualquer celebração. Assim, 15 ecopontos humanos, caracterizados de grandes referências nacionais e com frases icónicas adaptadas à mensagem da reciclagem, vão circular pelo recinto e contribuir ativamente para a deposição seletiva e reciclagem de embalagens de plástico, metal, vidro e cartão. Em colaboração com a Câmara Municipal, temos o objetivo de tornar o Carnaval de Torres Vedras o mais verde do ano”.

Entre as 15 personagens que marcarão este Carnaval constam representações de Fernando Pessoa que desafia a “Cartão no caminho? Reciclo todos”, Beatriz Costa solicitará “Ai chega, chega, chega, chega o ecoponto”, Florbela Espanca quer “Reciclar-te assim, perdidamente”, o Toy vai “Reciclar até me cansar”, o Tim dos Xutos e Pontapés terá “A carga pronta e metida nos contentores” e nem o Emplastro vai faltar a esta ação de sensibilização.

Os ecopontos humanos vão estar na cidade nos três grandes corsos diurnos do Carnaval: sexta-feira, dia 1, a partir das 9h00, durante o corso escolar, e no domingo e terça-feira, dia 3 e 5 de março, a recolha de resíduos decorre a partir das 14h00, durante os corsos diurnos que marcam a realização do Carnaval “mais português de Portugal”. Esta iniciativa integra o conjunto de ações de educação e sensibilização ambiental levadas a cabo pela Novo Verde em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Oeste, no âmbito do Programa Oeste Circular.
Monda manual

“Encontrar soluções mais ecológicas e sustentáveis é uma obrigação de todos os municípios. E é isso que a Maia está a fazer” foi assim que o Presidente da Câmara Municipal da Maia, António da Silva Tiago, testemunhou a aplicação de ácido pelargónico, uma substância natural extraída das plantas, e comum na natureza, como uma das potenciais alternativas ao glifosato para o controlo de ervas daninhas no município. A ação decorreu no dia 16 de fevereiro, integrado na inauguração da 2ª fase do EcoCaminho da Maia.

De acordo com um comunicado da Maiambiente, a aplicação destas medidas, mais ecológicas e amigas do ambiente, necessitam de uma maior compreensão por parte da população, pois são menos eficazes e eficientes relativamente à monda química. Para o edil, o caminho futuro passará pela sensibilização da população para encarar o crescimento natural das ervas. “É preciso ter coragem para encarar o futuro. Este controlo depende exclusivamente da ação do homem, com o recurso a meios mecânicos e utilização de substâncias que permitam atuar em profundidade (monda química). Ao retirar essa aplicação, é natural que o crescimento das ervas seja mais rápido pois as soluções mais ecológicas são também menos eficazes, atuando apenas a nível superficial.”

As ervas vão crescer mais? Sem dúvida. Mas mesmo com todos os inconvenientes que esta medida possa ter, acreditamos que este é o caminho. Queremos uma Maia sustentável para gerações futuras. Atuamos com a certeza que estamos a fazer o melhor para os maiatos e para o planeta”.

Desde setembro passado, os serviços públicos da Maia deixaram de usar glifosato, utilizado na monda química, para controle de infestantes nos arruamentos e jardins do concelho. A Câmara Municipal da Maia, responsável pela atuação nos jardins públicos, e a Maiambiente, responsável pela limpeza e manutenção dos arruamentos, estão fortemente empenhadas em encontrar soluções alternativas mais ecológicas, mas também eficazes, que permitam a limpeza dos locais públicos. Neste momento está já ser aplicada o corte mecânico e estão também a ser estudados os mecanismos para aplicação da monda térmica.
Copo de plástico na praia

A província chinesa de Hainan vai proibir a produção, venda e uso de todos os plásticos não-biodegradáveis de uso único até 2025 para combater a poluição.

A ilha de Hainan é assim a primeira região da China a comprometer-se formalmente a banir estes produtos. O primeiro passo será a proibição dos sacos e talheres de plástico não-biodegradáveis, que ocorrerá até ao final de 2020.

Segundo estimativas do governo, a província utiliza cerca de 120 mil toneladas deste material todos os anos.

A poluição por plástico é um dos grandes problemas ambientais da China, onde grandes quantidades de resíduos plásticos não tratados são enterradas em aterros ou despejadas nos rios, conta a Reuters.

Os rios mundiais transportam, todos os anos, entre 1,15 e 2,41 milhões de toneladas de plástico até ao mar. 86% deste plástico provém dos rios de um único continente – a Ásia. No topo da lista dos rios mais poluidores está o Yangtze, na China, o terceiro maior do mundo, que despeja, anualmente, cerca de 330 mil toneladas de plástico no mar.

A China, que processou metade dos plásticos reciclados no mundo em 2016, proibiu a importação de vários tipos de resíduos sólidos no início de 2018, em parte para encorajar as empresas a processarem o lixo doméstico.

O governo chinês também está a trabalhar em novas medidas para garantir que mais produtos são reutilizados e para restringir o uso de embalagens de plástico em alguns sectores.
Abelha

A biodiversidade que sustenta os nossos sistemas alimentares está em declínio no mundo, o que representa uma “grave ameaça” para o futuro da nossa alimentação e do ambiente, concluiu o primeiro estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) sobre as plantas, animais e microrganismos que ajudam a produzir os nossos alimentos.

Nas últimas duas décadas, cerca de 20% da superfície terrestre coberta por vegetação tornou-se menos produtiva, revelou o estudo, que também relatou uma perda “debilitante” de biodiversidade do solo e de ecossistemas vitais, como florestas, prados, recifes de coral, mangais e pradarias de ervas-marinhas.

Muitas espécies que estão indiretamente envolvidas na produção alimentar, ou seja, aquelas que não chegam à mesa do consumidor, mas fornecem serviços essenciais para a alimentação e agricultura, estão a sofrer declínios. É este o caso das aves que comem as pragas das culturas e das árvores de mangue que ajudam a purificar o ar.

As espécies polinizadoras – fundamentais para três quartos das plantações mundiais – também estão ameaçadas. 17% dos polinizadores vertebrados, como as aves e os morcegos, estão em risco de extinção e cada dia nos chegam mais dados inquietantes sobre o “colapso” das populações das abelhas e de outros insetos.

33% das unidades populacionais de peixe são sobre-exploradas e um terço das espécies de peixes de água doce está ameaçado, informa ainda o relatório, que reuniu informações de 91 países.

“Isto coloca o futuro da nossa comida e do ambiente sob grave ameaça”, defendeu o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva. “A biodiversidade é fundamental para proteger a segurança alimentar global, sustentar dietas saudáveis e nutritivas, melhorar os modos de vida rurais e a resiliência das pessoas e das comunidades.

Desflorestação
Floresta destruída para ser convertida em plantações | Foto: Mighty Earth

Por trás desta perda de biodiversidade estão ameaças como a destruição e degradação de habitats, a sobre-exploração dos recursos, a poluição, a urbanização, as espécies invasoras, entre outras.

O atual modelo agrícola tem uma enorme fatia de culpa, devido às alterações do uso das terras e às suas práticas insustentáveis, como a sobre-exploração do solo e a dependência de pesticidas, herbicidas e outros agroquímicos.

“Os alicerces dos nossos sistemas alimentares estão a ser minados, frequentemente – pelo menos em parte – devido ao impacto das práticas de gestão e das alterações da utilização dos solos associadas à alimentação e à agricultura”, escreveu o diretor-geral da FAO no prefácio do relatório.

“Em todo o mundo, a biblioteca da vida que evoluiu durante milhares de milhões de anos – a nossa biodiversidade – está a ser destruída, envenenada, poluída, invadida, fragmentada, pilhada, esgotada e queimada a um ritmo nunca visto na história humana”, disse o presidente da República da Irlanda, Michael Higgins, numa conferência sobre a biodiversidade.

Falta de diversidade genética nos nossos alimentos

A FAO também vê com preocupação a falta de diversidade genética nas espécies de cultivo e de gado. Das cerca de 6 mil espécies de plantas cultivadas para alimentação, menos de 200 contribuem substancialmente para a produção global de alimentos.

Um dado mais desconcertante: apenas nove respondem por dois terços da produção agrícola total. São elas a cana de açúcar, milho, arroz, trigo, batatas, soja, palmeiras-de-óleo, beterraba sacarina e mandioca.

Monoculturas de trigo e soja
Monoculturas de trigo e soja

Muitas das restantes 6000 espécies vegetais cultivadas estão em declínio.

Menos biodiversidade significa que as plantas e animais são mais vulneráveis a pragas e doenças. A crescente perda de biodiversidade para alimentação e agricultura, agravada pelo facto de dependermos de cada vez menos espécies para nos alimentarmos, coloca a segurança alimentar e a nutrição em risco”, explicou José Graziano da Silva.

Os autores do estudo relatam como a dependência excessiva de um número limitado de espécies foi um fator determinante na fome causada pelo míldio da batata na Irlanda na década de 40 do séc. XIX, nas más colheitas de cereais nos EUA durante o séc. XX e nas perdas na produção de inhame em Samoa nos anos 90.

Os supermercados estão cheios de comida, mas trata-se sobretudo de importações de outros países e não há muitas variedades”, avisou Julie Bélanger, coordenadora do relatório.

É necessário e urgente mudar a forma como os alimentos são produzidos e garantir que a biodiversidade não é ignorada, mas antes tratada como um recurso insubstituível e uma parte essencial das estratégias de gestão”, disse a investigadora.

Beija-flor
À semelhança de outros polinizadores, os beija-flores também têm sofrido declínios

Práticas amigas da biodiversidade em plano ascendente

Por outro lado, a FAO aponta para um interesse crescente em práticas e abordagens favoráveis à biodiversidade e para um aumento global dos esforços de conservação, como a criação de áreas protegidas. A agência considera, contudo, que o progresso feito é insuficiente.

A agricultura biológica, por exemplo, cobre atualmente 58 milhões de hectares no mundo, o que representa apenas 1% da superfície agrícola global.

Outras práticas favoráveis à biodiversidade incluem a gestão integrada das pragas, a agricultura de conservação, a gestão sustentável de florestas e do solo, o sistema agroflorestal, a abordagem ecossistémica para as pescarias e a restauração de ecossistemas.

“Os agricultores californianos, por exemplo, permitem [agora] que os seus arrozais sejam inundados no inverno, em vez de os queimarem”, diz a FAO. “Isto proporciona 111 mil hectares de zonas húmidas e espaço aberto para 230 espécies de aves, muitas delas em risco de extinção. Como resultado, muitas espécies começaram a aumentar em número. A quantidade de patos duplicou.”

Outro exemplo apontado no relatório é o dos agricultores no Gana, que estão a plantar mandioca nos limites dos seus campos. As flores desta planta produzem muito néctar, atraindo abelhas e outras espécies, o que beneficia as suas culturas.

A FAO pede mais esforços para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade e o seu papel no sistema alimentar, lembrando que muitas espécies ainda não foram identificadas e descritas, especialmente no caso dos invertebrados e microrganismos. Mais de 99% das espécies de bactérias e protistas – e o seu impacto na alimentação e agricultura – permanecem desconhecidas.

O que os consumidores podem fazer

O público em geral também pode ter um papel na redução das pressões sobre a biodiversidade, optando por produtos cultivados de forma sustentável, frequentando mercados de agricultores, boicotando alimentos considerados insustentáveis ou participando em projetos de ciência cidadã, que ajudam a melhorar os conhecimentos sobre a biodiversidade.

“Uma coisa que sobressaiu muito claramente foi a importância do papel dos cidadãos-cientistas”, disse Julie Bélanger. “As pessoas envolvidas em trabalho voluntário para a monitorização da biodiversidade bem como em atividades de conservação estão a desempenhar um papel muito importante em diversos países.”
Glifosato

Um estudo da Plataforma Transgénicos Fora revelou que todas as pessoas que em outubro fizeram análises à presença de glifosato na urina estavam contaminadas.

O glifosato foi classificado em 2015 pela Organização Mundial de Saúde como "carcinogéneo provável para o ser humano".

Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos Fora, considera que a contaminação é "crónica", uma vez que "Portugal está acima da média dos 18 países da União Europeia, onde as amostrar contaminadas são 50%".

Na sequência deste estudo, os responsáveis pela Plataforma Transgénicos Fora fazem um apelo ao Governo para que proíba a venda de herbicidas à base de glifosato e lance um estudo abrangente sobre a exposição dos portugueses. A Plataforma quer análises obrigatórias para detetar glifosato na água de consumo, o fim do uso de herbicidas sintéticos na limpeza urbana e pede ao Governo apoio aos agricultores na transição para uma agricultura pós-glifosato nos próximos anos.

Em Portugal, uma lei de 2017 proíbe a aplicação de glifosato em vários espaços públicos.

Das 308 câmaras em Portugal, apenas 13 integram a campanha Autarquias sem Glifosato: Alcanena, Aveiro, Braga, Cabeceiras de Basto, Castelo de Paiva, Castro Verde, Funchal, Lousada, Porto, São Vicente, São Pedro do Sul, Vila Real e Vila Nova de Paiva.

O estudo pode ser consultado aqui.
Árvore

A partir de 2020, a cidade de Bruxelas plantará uma árvore para celebrar cada nascimento de uma criança no seu território. Esta medida simbólica insere-se no contexto do Plano Climático da cidade, adotado em maio do ano passado.

As árvores serão plantadas não na capital belga, mas na América do Sul ou em África. Com a iniciativa, batizada de “Baby Boom”, pretende-se “mitigar os impactos das emissões de CO2” e “contribuir para a reflorestação dos países do Sul”.

Todos os anos, cerca de 3000 crianças nascem no território bruxelense. Os pais dos recém-nascidos serão informados da plantação da árvore aquando do registo do bebé. Esta informação também será difundida no site da cidade.

As primeiras plantações deverão ter lugar no final de 2019 ou no princípio de 2020.

Na cidade de Lausana, na Suíça, também existe uma iniciativa semelhante, implementada em 2001, embora, neste caso, as árvores sejam plantadas exclusivamente na cidade helvética por forma a promover a ligação dos cidadãos às florestas.

O Plano Climático de Bruxelas prevê várias outras medidas, entre as quais a aquisição de veículos de serviço mais verdes e a substituição da iluminação tradicional nos edifícios públicos por lâmpadas LED.

Incluída está também uma secção relativa à regeneração da cobertura vegetal dos espaços da cidade. “Como outros centros urbanos (Paris, Liège, etc.), a cidade de Bruxelas pretende desenvolver uma ferramenta em linha destinada aos habitantes ou grupos de habitantes que queiram tornar os espaços mais verdes”, explica o plano.

“Não se trata só de melhorar a qualidade de vida e de tornar a cidade mais agradável, mas de lutar contra a poluição. As árvores são eficazes na filtragem de poluentes”, declarou a conselheira municipal Zoubida Jellab, responsável pelos espaços verdes da cidade.
Cotonetes

A partir de julho de 2020, a venda de palhinhas, pratos, talheres, palhetas para o café, copos e cotonetes de plástico vai ser proibida em Portugal. O Governo pretende assim antecipar em seis meses o que é definido pela diretiva europeia de acabar com a venda destes descartáveis de plástico até janeiro de 2021.

Os restaurantes, os cafés e outros estabelecimentos públicos não poderão utilizar este tipo de artigos. A medida já está a ser aplicada em toda a administração pública.
Outra meta do Governo passa por garantir que até 1 de janeiro de 2021 as garrafas de plástico vão ter tara retornável.
Fralda descartável

Vanuatu, um país insular do Pacífico Sul, vai proibir as fraldas e outros artigos descartáveis a partir de 1 de dezembro para lutar contra este tipo de poluição.

A medida vai incluir copos e talheres de plástico, assim como o poliestireno, palitos de plástico e outros tipos de embalagens para alimentos.

Ralph Regenvanu, o ministro das Relações Exteriores, explicou que um estudo demonstrou que as fraldas descartáveis são o objeto mais comum no lixo doméstico da capital do país.
"Proibi-las reduzirá consideravelmente a quantidade de resíduos plásticos", afirmou.
Lixo na Malásia

POR JORGE SÁ | 21 de fevereiro de 2019, 21:00

A Malásia é uma das nações que mais plástico importa em todo o globo, recebendo o lixo que os outros países não desejam. Mas há uma pequena cidade, Jenjarom, que está a pagar o preço de estar mergulhada em 17 mil toneladas de lixo.

Em 2017, as autoridades chinesas decidiram deixar de importar plástico oriundo de outras nações. Em apenas um ano, o país liderado por Xi Jinping tinha recebido, aproximadamente, sete milhões de toneladas de plástico.

Sem lugar no maior país da Ásia Oriental, o lixo, na sua maioria proveniente do Japão, Reino Unido ou dos Estados Unidos da América, foi encaminhado para a Malásia e Jenjarom foi a eleita para receber o presente envenenado.

A proximidade com o porto de Klang, no estreito de Malaca, fez de Jenjarom o local ideal. Segundo números da BBC, só entre fevereiro e julho de 2018, Jenjarom recebeu 754 mil toneladas de lixo.

A desmedida quantidade de lixo que, de um momento para o outro, apareceu naquela cidade foi recebida como uma oportunidade de negócio e foi o ponto de partida para a eclosão de várias fábricas ilegais de reciclagem. Só naquele distrito, de acordo com dados das autoridades locais, eclodiram 33.
As autoridades já terão encerrado algumas fábricas ilegais. Não obstante, 17 mil toneladas de plástico permanecem lá.

Lixo na Malásia

Lixo na Malásia

Lixo na Malásia

Fotos: EPA
Peixe dentro de um saco

Nat Senmuang estava a mergulhar com os seus amigos, quando descobriu um peixe preso dentro de uma embalagem de plástico transparente no mar, perto de Phuket, no sul da Tailândia.

A professora de mergulho filmou o momento em que segurou no saco e ajudou o pequeno peixe, que já estava com dificuldade em respirar, a libertar-se. Sem esta intervenção, o animal teria sufocado e acabado por morrer afogado.

Nat conta que já viu muitos animais marinhos afetados e mortos pela poluição por plástico, durante os seus mergulhos no mar das Andaman.

Tenho visto a cidade ficar cada vez mais poluída com o aumento do número de visitantes tailandeses e estrangeiros. O lixo tornou-se cada vez mais perigoso para muitas vidas no oceano”, disse.

“Quero que todos tenham mais consideração pelas outras criaturas [e que o mostrem] colocando o lixo no contentor, em vez de o espalharem pela praia. Estes animais encantadores ficarão extintos por nossa causa, a não ser que mudemos os nossos hábitos”, afirmou a mergulhadora.

Monda térmica

A Câmara Municipal de Setúbal adquiriu um equipamento de monda térmica para remoção de infestantes em espaços urbanos, energeticamente eficiente e que funciona sem recurso à utilização de quaisquer produtos químicos.

O novo equipamento, comparticipado em 50 por cento pelo Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente e Transição Energética, constitui uma alternativa inovadora para remoção de ervas infestantes em zonas urbanas, neste caso através de tratamento térmico.

A aquisição do equipamento de monda térmica enquadra-se na estratégia ambiental promovida pela Câmara Municipal de Setúbal, que, nos últimos anos, tem promovido, adotado e implementado um conjunto de medidas ambientalmente sustentáveis para o controlo de infestantes.

Neste sentido, a autarquia tem abandonado a utilização dos convencionais produtos fitofarmacêuticos e adotado alternativas para a execução deste serviço, nomeadamente a um controlo de ervas infestantes por via mecânica, como roçadeiras e, agora, também por via térmica.

Numa primeira fase, o equipamento de monda térmica está em utilização no território azeitonense e complementa o trabalho regular dos serviços da Junta de Freguesia de Azeitão em matéria de controlo de ervas infestantes em calçadas e noutros locais do espaço público.

Posteriormente, a Câmara Municipal de Setúbal prevê a utilização deste novo equipamento de monda térmica, totalmente elétrico, nas outras freguesias do concelho, concretamente São Sebastião, Sado e Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra e também na União das Freguesias de Setúbal.

Monda térmica

Monda térmica
Abelhas na equinácea

A aquisição de alimentos biológicos e a pressão sobre os governos para que estes restrinjam o uso de pesticidas nas explorações agrícolas convencionais são algumas das formas como as pessoas podem contribuir para travar o declínio das populações de insetos no mundo, defendem cientistas e ambientalistas.

A agricultura intensiva e a forte utilização de pesticidas estão entre as principais causas deste declínio, que ameaça provocar um “colapso catastrófico dos ecossistemas da natureza” devido ao papel de crítica importância que os insetos desempenham na cadeia alimentar, polinização e saúde do solo, concluiu um estudo recente.

“Trata-se definitivamente de uma emergência”, avisou o professor Axel Hochkirch, presidente do Subcomité de Conservação de Invertebrados da UICN. “É um problema real, global e dramático.”

Quando compramos comida biológica, garantimos que a terra é usada de um modo menos intensivo”, disse o cientista ao jornal britânico The Guardian. “Existem muitos estudos que mostram que a agricultura biológica é melhor para os insetos do que a intensiva. É perfeitamente lógico.”

Os nossos quintais também podem ajudar as populações de insetos em declínio. “Em vez de cortarmos a relva a cada duas semanas, [podemos] cortá-la uma vez por ano, o que é geralmente suficiente. Também é importante semear plantas nativas da zona”, explicou Axel Hochkirch.

Um estudo de 2018 revelou que a presença de plantas não indígenas nos jardins os torna em “desertos alimentares” para os insetos e para as aves.

“Não utilize fertilizantes ou pesticidas”, continuou o cientista. “Os fertilizantes são um grande problema por causa da vegetação densa que originam e que se traduz no declínio de todas estas espécies que necessitam de áreas [com vegetação] mais dispersa.”

Algumas espécies de insetos – incluindo o pequeno número que prejudica os seres humanos – estão a resistir ao declínio global. “Aqueles que nos estão mesmo a afetar não estão a sofrer declínios, como os mosquitos, que estão a alastrar-se para outros países e a propagar doenças. Estão adaptados aos ambientes humanos e também se propagam com as atividades antrópicas.”

O professor acredita que a reforma dos enormes subsídios públicos concedidos à agricultura intensiva é uma das principais medidas a tomar para ajudar os insetos. “Esta é a maior ameaça à maioria das espécies. Só pode ser abordada com a atuação no plano político”, disse. “Não é o agricultor que tem a culpa, é o sistema. O agricultor tem de se adaptar aos regimes de pagamento da União Europeia, dos Estados Unidos ou seja de onde for.”