Capa

Saiu no dia 10 de julho, a Raízes Mag nº6, a nossa revista online bimestral dedicada ao ambiente e à sustentabilidade.
Este número aborda o tema da Economia Circular.

Andreia Barbosa, do Circular Economy Portugal, escreveu “Circular e Social— a Economia que o Planeta Quer”, onde poderá perceber quais as vantagens deste modelo.

Leyla Acaroglu, ativista australiana e “Champion of the Earth” – distinção atribuída pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente falou sobre a economia circular, o poder dos consumidores, greenwashing e a obsolescência programada.

Ana Torradinhas, do Movimento Somos Natureza, explicou porque é importante lutarmos pelos Direitos da Natureza, e Sónia Sousa Ell, do projeto Quando +1 é = -1, falou sobre a degradação dos ambientes marinhos ao longo do tempo.

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A Raízes Mag é um projeto fruto de uma parceria entre o UniPlanet e o Âncora Verde.
Supermercado

A comissão parlamentar de Ambiente aprovou no dia 16 de julho um projeto de lei dos Verdes que proíbe a distribuição de sacos de plástico transparentes e cuvetes descartáveis para a fruta, legumes e pão.

O projeto de lei dos Verdes vai ter votação final em plenário no dia 19 de julho e prevê que a proibição entre em vigor em 2023.

As lojas vão ter que ter "alternativas de embalagem primária de pão, frutas e legumes vendidos a granel", sejam elas sacos de papel ou outras alternativas biodegradáveis.
As lojas que não cumprirem ficam sujeitas a pagar coimas.

Os consumidores vão ser incentivando a trazer os seus sacos reutilizáveis de casa para o pão, fruta e legumes.
Prancha

O Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC) está a desenvolver uma prancha de surf construída com materiais ecológicos e reciclados e que ainda previne erros de postura e de falta de equilíbrio de quem pratica este desporto.

"A biomecânica permite associar a destreza dos materiais da prancha com a forma como o atleta se deve posicionar para atingir um maior equilíbrio e melhor postura corporal, do seu corpo e acelerar a sua aprendizagem", explica Mário Velindro, presidente do ISEC.

"Os materiais e a estrutura da prancha já estão a ser trabalhados, assim como o interface homem-máquina, no qual estamos a estudar o envolvimento entre o praticante e o produto."

Mário Velindro prevê que, em 2021, a prancha já esteja pronta para ser comercializada.

"As pranchas das escolas de surf são geralmente poluentes, uma vez que os materiais que as compõem são derivados do petróleo e estas não costumam durar muitos meses", explica Eurico Gonçalves, presidente da Associação de Desenvolvimento Mais Surf (ADMS), da Figueira da Foz, a entidade onde nasceu a ideia deste projeto.
Palheta para mexer o café

Será que podemos colocar as palhetas de plástico para mexer o café no ecoponto amarelo?

O UniPlanet perguntou à Sociedade Ponto Verde e a resposta foi a seguinte:
As palhetas do café não são consideradas embalagens, elas caracterizam-se como um produto. Por essa razão não devem ser colocadas no ecoponto amarelo.
O nosso conselho é, sempre que possível, evitar a utilização deste produto.”

Alternativa:
Palhetas de madeira para mexer as bebidas quentes
Cobertura verde em paragem de autocarro

A cidade de Utrecht, na Holanda, criou coberturas verdes em 316 paragens de autocarro para proteger as abelhas e outros insetos e para melhorar a qualidade do ar.

Os telhados verdes e as coberturas verdes fornecem habitat para abelhas, borboletas, escaravelhos e aves e estão a tornar-se mais comuns nos edifícios um pouco por todo o mundo.

Além destes tetos verdes, as paragens de autocarro de Utrecht têm iluminação LED e bancos feitos de bambu. Até ao final de 2019, a cidade pretende ter 55 veículos elétricos e substituir toda a frota atual até 2028. A energia utilizada para mover estes autocarros elétricos vai ser totalmente produzida nos parques eólicos do país.

Através de subsídios, a cidade incentiva também os habitantes locais a criarem tetos verdes nas suas habitações.

Dutch City turns bus stops into bee stops

This Dutch city has transformed its bus 🚌 stops into bee 🐝 stops 🌼



Cobertura verde

Veja também:
Proteger a vida selvagem urbana com árvores, telhados verdes, hotéis de abelhas e “ideias criativas”
Médicos

O Centro Médico de Maine, nos Estados Unidos, deixou de utilizar animais vivos no treino em emergência médica.

Em comunicado, o hospital explicou que vai substituir a prática por tecnologias de simulação.

A decisão foi saudada pelo Comité para a Medicina Responsável, que decidiu assim não dar seguimento à denúncia que se preparava para apresentar ao Serviço de Inspecção Zoossanitária e Fitossanitária.

“É para nós um motivo de satisfação que, com a informação que lhe fornecemos, (…) [o hospital] tenha decidido que dispunha de alternativas para acabar com o uso de animais vivos”, disse John Pippin, médico do Comité para a Medicina Responsável.

O Centro Médico de Maine utilizou 13 porcos no seu programa de treino médico em 2018, de acordo com um relatório anual apresentado ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. No final dos procedimentos praticados, os animais eram eutanasiados.

Segundo o Comité para a Medicina Responsável, já são menos de uma dúzia os programas de formação em emergência médica nos EUA e no Canadá que ainda utilizam animais vivos.
Cartaz

Vai decorrer no dia 11 de julho, a partir das 18 horas, no pátio do Museu Nacional Machado de Castro, o quarto mercado de troca de roupa organizado pela Casa da Esquina.

O objetivo desta iniciativa é incentivar as pessoas a trocarem a roupa que têm em casa em bom estado, mas que não usam.
Para participar tem de preencher o seguinte formulário. Pode levar até 15 itens.

No mesmo dia, durante a troca de roupa, os claustros do Museu Nacional Machado de Castro vão receber um concerto do projecto Seam Beat Experience, com a Agente Costura e os seus Dedais Cósmicos (Lisa Simpson + Wipeout Beat). Para além do concerto, Lisa Simpson vai dar também um workshop de upcycling.
Sacos ecológicos

Com o objetivo de reduzir o consumo de plástico, o Lidl passou a disponibilizar sacos reutilizáveis e 100% recicláveis para a fruta e legumes, em todas as suas lojas.

Estes sacos aguentam um peso até 5 kg e podem ser reutilizados e lavados a 30°C múltiplas vezes. Cada um tem dois sacos e custa 0,69€.

Para que haja reflexo a nível ambiental bastam cinco utilizações destes sacos. Por exemplo, se cada um deles for utilizado uma vez por semana, ao final do ano terão sido menos 52 sacos de plástico que entraram no sistema, correspondendo a menos 104 g de plástico.

Cada reutilização contribui para se atingir o objetivo do REset Plastic, a estratégia de plástico levada a cabo pelo Grupo Schawrz, no qual se inclui o compromisso do Lidl de reduzir o consumo de plástico em pelo menos 20% até 2025, data em que se comprometeram a que 100% das suas embalagens plásticas da marca própria incorporem materiais recicláveis, apoiando e antecipando em cinco anos parte da estratégia da Comissão Europeia para a redução dos plásticos.
Glifosato

O parlamento austríaco aprovou, no dia 2 de julho, a total interdição do glifosato no país.
A Áustria torna-se assim no primeiro país da União Europeia a banir este herbicida.

A maioria dos deputados votou favoravelmente à proposta feita pelo partido social-democrata SPÖ, sendo apoiada mesmo pelo partido da extrema-direita FPÖ.

Em 2015, um estudo da Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC) da Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou o glifosato como um “carcinogénio provável”.

A licença de utilização de glifosato na UE foi renovada em 2017 e foi prolongada até 15 de dezembro de 2022.
Mocho

As fotografias da natureza de Fernando Ferreira não deixam ninguém indiferente.

O UniPlanet falou com Fernando Ferreira para ficar a conhecer melhor o seu trabalho.


UniPlanet (UP): Parabéns pelo seu trabalho! O que o inspirou a começar o registo fotográfico da Fauna e Flora da União de Freguesias de Malta/Canidelo?

Antes de mais o meu agradecimento pelo vosso interesse ao meu trabalho, e sinto-me honrado em responder às vossas questões.
Sou natural de Mafamude – Vila Nova de Gaia, mas quando tinha três anos fui viver com os meus pais para Labruge – Vila do Conde.

Desde muito novo que me interesso pela Natureza (não fosse eu de uma geração que passava todo o tempo livre a brincar no meio da mesma), devorava sempre que tinha a possibilidade para isso, revistas, livros e principalmente documentários da National Geographic, Discovery e em especial e que muito me marcou, uma coleção de documentários do Jacques Cousteau em VHS, A Odisseia Submarina, coleção essa que consegui fazer com muito sacrifício e que a mantenho até hoje.





A minha primeira máquina fotográfica (analógica) mais parecia uma máquina descartável, era toda em plástico e de cor verde.
Por impossibilidade financeira, as minhas primeiras fotos só as consegui revelar quase um ano depois de as ter tirado.
Há 20 anos, casei-me e vim morar para a Freguesia de Malta, (atualmente é União de Freguesias de Malta e Canidelo) tenho dois filhos e tenho a sorte de ainda poder viver no meio da Natureza.

Infelizmente vi-me na situação de desemprego, e foi aí que despoletou esta ideia de começar a fotografar a Fauna e Flora das minhas Freguesias, temos uma riqueza natural tão grande e que a maioria das pessoas desconhece.

Depois de alguma pesquisa verifiquei que não existia qualquer registo ou bibliografia da nossa Biodiversidade, foi assim que tudo começou, de há três anos para cá, faço o registo de toda a Fauna e Flora de algumas (o objetivo é fazer de todas) Freguesias do concelho de Vila do Conde, inclusive da Reserva Ornitológica de Mindelo, que é a mais antiga da Europa.
Infelizmente até à data ainda não consegui nenhum apoio para o trabalho que tenho vindo a desenvolver.



UP: Como planeia cada foto que tira?

Gosto muito de sair à aventura, escolho o local para onde vou fotografar e depois de lá estar registo tudo o que encontrar. Tudo me sai de forma natural e fluída.
Claro que há situações em que é importante conhecer bem o que vamos fotografar.

Quando procuro uma espécie em específico, tento estudar o comportamento e as características da mesma.
Para se fazer um bom trabalho tem de haver alguma planificação antes.






UP: Tem algum animal que seja o seu preferido para fotografar?

O que eu mais gosto de fazer é macrofotografia, adoro fotografar insetos, conseguir mostrar toda a beleza de um inseto microscópico é fascinante, infelizmente não tenho equipamento que me permita registar as macros com o pormenor e a qualidade de que eu gostaria.
Outros animais que me dão imenso prazer em fotografar são os Répteis e os Anfíbios.

São uma classe de animais que erradamente repugna a maior parte das pessoas devido a muitos mitos e lendas associados a este grupo tão especial de animais.
Daí eu tentar desmistificar estes maravilhosos animais através das minhas fotografias.

Atualmente, estou a tentar finalizar um pequeno folheto didático da minha autoria, que irá ajudar as pessoas a conhecerem um pouco mais sobre as cobras existentes no nosso concelho, e o que devem fazer se tiverem um encontro casual com um destes belos animais.
Escolhi as cobras porque têm sido os animais que sempre foram perseguidos pelo Homem devido a muitos mitos e lendas (como já tinha referido anteriormente), mas que são imprescindíveis à nossa Biodiversidade.






UP: Estudou fotografia ou aprendeu sozinho?

Infelizmente tive que ir trabalhar aos 12 anos para ajudar a família, logo as minhas habilitações são muito baixas (6º ano de escolaridade), também nunca tive uma vida financeira que me permitisse ter formação na área da fotografia ou a possibilidade de ter um bom equipamento.
Tudo o que sei e que faço é de forma autodidata.






UP: Que tipo de equipamento usa?

No início comecei com uma Sony CyberShot DSC-W350. Há cerca de quatro anos consegui comprar uma máquina digital compacta melhor, uma Canon PowerShot SX 60 HS, tem um zoom generoso que me permite fotografar aves, coisa que com a anterior era impossível.
Mesmo assim estou muito limitado por não ter um equipamento melhor.
Uso também um Tripé Slik 450G, que já tem mais de 20 anos e muita fita isoladora… :D






UP: De todas as fotografias que tirou qual é a sua preferida?

Tenho muitas fotos preferidas e com histórias engraçadas (talvez as possa a vir a contar em publicações futuras).
Mas as que me marcam sempre e que acabam por ter a minha preferência, são as fotos que faço de resgates de animais e que tiveram um final feliz.






UP: Que dificuldades enfrenta alguém que se dedica à fotografia da Natureza?

A principal dificuldade é o retorno financeiro ser quase nulo em Portugal. Viver exclusivamente da fotografia da natureza é impossível.
Infelizmente somos pouco participativos neste tipo de questões ambientais e temos poucas publicações que adquiram este tipo de imagens.

Depois também há um desinteresse generalizado por parte dos nossos governantes em apoiar esta área, e principalmente os trabalhos portugueses.
A fotografia da natureza em Portugal tem uma excelente qualidade. Temos alguns fotógrafos que o fazem de forma profissional e amadores com trabalhos notáveis e de grande qualidade.

Infelizmente, em vez de apostarem na “prata da casa” cada vez mais recorrem a trabalhos de fotógrafos estrangeiros.
E convém não esquecer que a fotografia ajuda na conservação de muitas espécies.






UP: Que projetos se seguem?

A biodiversidade de Vila do Conde é enorme e rica e é uma pena que não esteja devidamente documentada.
O meu objetivo é mostrar à população de Vila do Conde (e não só) as espécies que tenho registado, principalmente aos nossos jovens, os tesouros naturais e selvagens que temos e que devemos preservar.

Gostava de fazer exposições didáticas nas nossas escolas, juntas de freguesias e mesmo na nossa Câmara de Vila do Conde, locais onde fosse possível divulgar todos estes registos de forma pedagógica e educativa.

Existe de momento uma reestruturação na Reserva Ornitológica de Mindelo, gostaria de um dia vir a fazer parte da equipa destinada à proteção e preservação da mesma.
E, um dia, registar para a eternidade toda a nossa Biodiversidade num livro.






UP: Tem algumas dicas para quem quer começar a fotografar a Natureza?

Acima de tudo, é precisa uma grande dose de paciência e de perseverança.
Depois é necessário também ter alguma sensibilidade neste tipo de fotografia, evitar ao máximo stressar ou alterar a rotina diária do animal que se quer fotografar.

Não danificar e até mesmo melhorar o local onde esteve a fotografar: removendo lixo, resgatar algum animal que esteja em perigo, e alertando as autoridades para situações anómalas ou que estejam a infringir a lei.
Acima de tudo, tem que amar a Natureza.






UP: Onde podemos encontrar mais informação sobre o seu trabalho?

Gostava de ter um site dedicado exclusivamente ao meu trabalho, mas infelizmente ainda não consegui apoios para poder criar um, por isso a ferramenta principal para divulgação do meu trabalho é de momento o Facebook. Visitem também o Instagram, Olhares e YouTube.