O UniPlanet falou com Catarina Sequeira, a autora do ZenCook, que nos apresentou este projeto.

Catarina Sequeira

Para Catarina Sequeira, “a nutrição é muito mais do que aquilo que comemos: é o que e como comemos, o que pensamos (o nosso diálogo interno) e como nos sentimos/ como nos permitimos sentir e expressar as emoções”.

O UniPlanet falou com Catarina Sequeira, a autora do ZenCook, que nos apresentou este projeto.


UniPlanet (UP): Como nasceu a ZenCook?

Sou apaixonada pelo poder que a alimentação e nutrição têm no nosso corpo, mente, saúde, bem-estar, emoções, humor, equilíbrio, concentração, etc. E a ZenCook nasceu desta paixão.





UP: Sempre gostaste de cozinhar?

Sempre gostei de cozinhar, mas a minha mãe nunca me deixava. Para mim, como criança, cozinhar era como fazer poções mágicas com uma colher de madeira gigante. Fascinava-me. E fascinava-me a minha avó que passava horas na cozinha a cozinhar e a nutrir a família.

Aos 18 anos mudei a minha alimentação para vegetariana o que me levou a ter de cozinhar para mim e aí a ter de aprender se quisesse comer bem, saudável e equilibrado. E começaram os meus cursos de culinária aí...hoje em dia já não sou vegetariana, por questões de saúde (que emocionalmente me custaram muito mas que entendo o porquê a vários níveis) mas continuo a adorar cozinhar plant-based.

Por a minha paixão pela alimentação e nutrição (como nos nutrimos) ser tão grande, comecei a estudar mais e mais nesta área.



Catarina Sequeira


UP: O que é a nutrição clínica integrativa?

A minha abordagem é única, desenvolvida por mim e resultado da minha educação, evidência científica e experiência. Sou licenciada em Ciências da Nutrição e também licenciada em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da UL e fiz vários cursos de macrobiótica, alimentação vegan e vegetariana, dietética chinesa, alimentação paleo e nutrição funcional.

O que faço é nutrição integrativa, onde vejo cada indivíduo como único que é, com necessidades específicas para cada exato momento de vida, e com grande foco na educação alimentar para empoderar a pessoa e a tornar autónoma, capaz de fazer as melhores escolhas alimentares e de nutrição para si, em qualquer momento e circunstância.

As minhas consultas são uma jornada de autoconhecimento, onde vai aprender mais sobre si, sobre o seu corpo e sobre como pode melhorá-lo em várias áreas: corpo, mente, saúde, bem-estar, emoções, humor, equilíbrio, concentração, etc.



UP: Estudaste macrobiótica, Ayurveda e dietética chinesa. O que aprendeste com cada uma delas?

Aprendi um mundo. Aprendi como o conhecimento sobre a alimentação, nutrição, como nos nutrimos...é tão tão vasto, e como já se sabia há milhares de anos atrás a importância de como nos nutrimos: não só como nos alimentamos, o que comemos, mas também como pensamos, como estão as nossas emoções, como nos cuidados, como é o nosso estilo de vida. É um mundo e é um mundo lindo! Infelizmente estes saberes foram sendo perdidos na cultura ocidental e aqui há uma tendência para esquecer tudo isto e ver-se só a soma das partes e não o todo. A minha visão e missão é trazer esta sabedoria e junção de saberes para a minha abordagem e consulta.





UP: Porque é que achas que a nutrição é muito mais do que o que comemos?

Porque é. Nutrição é como nos nutrimos, e isso envolve muito mais do que o que colocamos na nossa boca. Envolve como pensamos, como é o nosso diálogo interno connosco, como nos permitimos sentir e expressar as nossas emoções, como passamos o tempo connosco... tudo isto é nutrição.

Se gostamos do nosso trabalho ou não, se temos prazer no que fazemos, se nos nutrimos a ler um livro, a tomar um banho relaxante, a ir dar uma caminhada...se vamos buscar prazer a várias áreas da nossa vida.

E isto tudo se reflete uma área na outra, e tudo se vai refletir, também, na alimentação e em como comemos e no que comemos (as nossas escolhas alimentares). É muito muito interessante.



UP: Como podemos fortalecer o nossos sistema imunitário através da nutrição?

Bem, o nosso intestino é um órgão digestivo e é, também, um órgão neurológico (sistema nervoso), endócrino (hormonal) e imunitário (de defesa). Para que tenhamos uma boa digestão e absorção dos alimentos que ingerimos, mas também para estarmos em equilíbrio do ponto de vista neurológico, endócrino e imunitário é fundamental que a barreira intestinal, a mucosa intestinal e a microbiota (em suma, o intestino) estejam bem, em equilíbrio e saudáveis. Portanto, para fortalecermos o nossos sistema imunitário temos de nos alimentarmos bem.

Muitas vezes há a busca da “pílula mágica”, ou seja, a pessoa continua a fazer a alimentação que faz, muitas vezes não tão saudável assim ou adequada para si, mantendo, também, o estilo de vida não tão harmonioso – e quer incluir esta “pílula”, batido ou alimento mágico. Há alimentos extraordinários, mas é o todo que vai fazer a mudança, neste caso, fortalecer o sistema imunitário. Para curar e mudar é preciso ir à raiz, é preciso escutar o que o corpo quer, o que o corpo precisa, e nutrir. E aí a saúde vem de dentro para fora.



UP: Será que podes falar um bocadinho sobre a relação entre o intestino e o cérebro?

Claro! Existe sinalização bidirecional entre o intestino e o cérebro, que é regulada a níveis neural, endócrina e ao nível do sistema imunitário. Estas vias estão sob a influência da microbiota do intestino (as bactérias que vivem no intestino) e com ela formam o eixo Cérebro-Intestino.

Alterações nesta microbiota vão afetar, através deste eixo, o nosso cérebro, assim como, alterações do nosso cérebro (stress, menos sono…) vão afetar a nossa microbiota. É fundamental cuidarmos de nós, da nossa barreira intestinal, mucosa intestinal e microbiota (em suma, do intestino), para que tenhamos equilíbrio e saúde em todo o corpo. Cuidamos dele através da nutrição que lhe damos, nutrição física e emocional. O intestino são as nossas raízes, onde absorvemos os nutrientes e é fundamental que este esteja saudável, para que nós também estejamos.






UP: Porque achas que existem tantas pessoas com problemas intestinais (intolerâncias alimentares, síndrome intestino irritável, etc.) hoje em dia?

Acredito que seja por vários motivos: para começar o nosso estilo de vida hoje em dia, da maior parte das pessoas, é caótico: não há tempo para nutrir (a família, o corpo, etc). Tudo é rápido e a correr. Depois, é importante perceber que desde a revolução industrial a alimentação mudou drasticamente: os alimentos começaram a ser modificados e altamente processados, para fazer frente à fome que existia na Europa.

A dieta mudou muito nos últimos tempos, mudança esta demasiado rápida para que os nossos organismos acompanhassem. Estas mudanças vieram (e continuam a) afetar a nossa microbiota, a mucosa intestinal e a barreira gastrointestinal. Para além da alteração alimentar drástica dos últimos anos, fatores como stress, álcool, alimentação desequilibrada e não saudável, metais pesados, antibióticos, entre outros, alteram a barreira intestinal, causando permeabilidade intestinal (o conhecido “leaky gut”), permitindo a passagem de biomacromoléculas e microrganismos para circulação, algo que não aconteceria em circunstâncias de equilíbrio e saudáveis. Esta permeabilidade intestinal poderá levar a má absorção de nutrientes, afetar o sistema imunitário, podendo levar a intolerâncias e alergias alimentares, ao desenvolvimento de doenças inflamatórias, doenças metabólicas, distúrbios mentais e doenças neurológicas.

Uma diminuição da biodiversidade da microbiota pode contribuir para aumentar a inflamação crónica, incluindo tipos de depressão. Para além disto ainda, a qualidade da flora intestinal (microbiota que mencionei acima) depende da da nossa mãe, que por sua vez depende da da mãe dela, e por aí fora; depende se fomos amamentados ou não; e depende também se nascemos por cesariana ou parto vaginal.

Com a mudança drástica de alimentação dos últimos tempos, o uso desmedido de antibióticos, álcool, stress, etc...afetando a microbiota (intestino) do individuo e passando esta informação geração após geração, descurando no que comemos...resulta neste BOOM de intolerâncias e alergias alimentares, problemas depressivos e de ansiedade, síndrome do intestino irritável... onde uma boa abordagem nutricional teria um impacto muito muito positivo.





UP: Que serviços ofereces?

Neste momento estou focada na prática de nutrição clínica integrativa. Realizo consultas para bebés (introdução alimentar), crianças e adultos. Os motivos e motivações das minhas consultas são muitos: desde melhorar a saúde, perda de peso (que se enquadra no melhorar a saúde e acaba por ser uma consequência da mesma, caso haja peso a mais), patologias específicas como asma, alergias, doenças na tiroide, entre outras, intolerâncias alimentares, fertilidade, gravidez e pós-parto.

A minha formação e experiência como chef (em retiros pelo mundo e a ensinar em workshops) e o gosto por criar e cozinhar, faz com que também lecione workshops privados e de grupo de cozinha saudável, bem como, aceito encomendas para bolos crus e cozinhados, sem açúcares, lacticínios, sem glúten e sem soja.



UP: Onde podemos encontrar mais informação sobre a ZenCook e marcar uma consulta contigo?

Podem encontrar-me no meu site, no Instagram e no Facebook.

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