Pela primeira vez em décadas, os canais de Veneza ficaram transparentes e é possível ver-se cardumes de peixes.

Canal de Veneza

Pela primeira vez em décadas, os canais de Veneza ficaram transparentes e é possível ver-se cardumes de peixes a nadar sob o leito arenoso e avistaram-se cisnes e patos. Circulam também fotografias de golfinhos que dizem ser nos canais de Veneza, mas são do porto de Cagliari (750 km de Veneza).

Por causa do coronavírus toda a Itália está em quarentena e Veneza, uma das cidades que mais turistas recebe do país, está deserta.

“Dias de silêncio para ouvir os sons quase esquecidos, dias de água calma e próxima, água transparente, água para os remos, para os animais dos canais e bancos de areia, dias para refletir sobre como podemos ajudar a lagoa no nosso quotidiano, para uma mudança decisiva”, escreveu Marco Capovilla, administrador do grupo do Facebook Venezia Pulita (Veneza Limpa).

“Milhares de peixes a poucos passos de um esgoto em plena atividade. A natureza recupera-se e Veneza, a pouco e pouco, vai voltar a ter uma nova consciência e novas oportunidades.”

“A beleza salvará o mundo numa Burano deserta [antiga cidade piscatória da região de Veneza] e os cisnes reapropriam-se dos canais”, conta Marco Contessa.

“Estamos a viver um momento difícil, mas podemos utilizá-lo para documentar os lados positivos desta quarentena para proteção de Veneza. Ajudem-nos a recolher fotos e vídeos destes dias”, pediu Alice Stocco, investigadora na Universidade Ca’ Foscari de Veneza. “Estamos a recolher observações para uma investigação científica que possa ajudar a sugerir sistemas sustentáveis para a lagoa.”

Contudo, segundo um porta-voz da autarquia de Veneza, “a água parece transparente porque existe menos tráfego nos canais, permitindo que os sedimentos fiquem no fundo”. É o movimento dos barcos, a remo ou a motor, que “geralmente traz os sedimentos para a superfície da água”, dando-lhe o aspecto turvo habitual. No entanto, a qualidade do ar melhorou, afirmou o mesmo porta-voz.

O mundo está a emitir menos um milhão de toneladas de dióxido de carbono por dia com a quebra no consumo de petróleo devido ao coronavírus.

Imagens de satélite disponibilizadas pela Nasa mostraram uma redução nos níveis de poluição, principalmente no índice de dióxido de nitrogénio (NO²), um gás nocivo emitido pelos meios de transporte e indústria. A redução nas emissões foi primeiro observada em Wuhan, o epicentro do surto do novo coronavírus.

“A diminuição da atividade económica é um triste indicador, mas para o nosso planeta é um alívio, porque os níveis de poluição também estão a diminuir. O nosso planeta é bonito, mas também extremamente frágil. Creio que, agora, muitas pessoas encaram o nosso planeta e a poluição causada pelo ser humano numa perspetiva muito diferente”, disse Josef Aschbacher da EPA (European Space Agency).


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