A cidade de Marco Island vai pagar 250$ aos residentes que se ofereçam para “hospedar” corujas ameaçadas nos seus quintais.

coruja-buraqueira a dormir no solo

A coruja-buraqueira da Florida, que deve o seu nome ao facto de viver em buracos cavados no solo, foi classificada como ameaçada em 2017.

Para assegurar o futuro da subespécie, a cidade de Marco Island vai pagar 250$ (cerca de 230€) aos residentes que se disponibilizem a “hospedar” estas corujas nos seus quintais, num buraco cavado especialmente para elas. Todos os anos, a Câmara Municipal reservará 5000$ para este fim.

Os buracos não serão criados pelos proprietários, mas por uma equipa especializada da organização de conservação Audubon of the Western Everglades, que conhece bem as preferências dos animais: o buraco não deve ser cavado muito perto de uma árvore ou de uma casa (embora as aves de Marco Island se tenham habituado aos seus vizinhos humanos).

No final, a equipa colocará um poleiro perto do buraco para marcar a entrada do mesmo e dar às corujas um lugar de onde possam observar o que as rodeia.

“Marco Island é a primeira [cidade] no estado da Florida a adotar um programa específico como este, concebido para expandir o habitat limitado de uma espécie classificada como ameaçada no estado, ao mesmo tempo que recompensa as pessoas que queiram participar voluntariamente”, contou Jared Grifoni, vice-presidente da Câmara Municipal, à CNN.

coruja-buraqueira à entrada do seu ninho
Coruja-buraqueira da Florida (Athene cunicularia floridana) | Foto: Jean Hall, Audubon of the Western Everglades/Facebook

Em Marco Island, existem atualmente cerca de 500 corujas-buraqueiras, mas as aves tornaram-se muito raras no resto do estado, devido sobretudo à perda de habitat, explicou Alli Smith, bióloga da Audubon of the Western Everglades.

Segundo a cientista, a agricultura e a urbanização empurraram as aves para zonas mais urbanas.

Aproximadamente 95% das corujas de Marco Island vivem em terrenos abandonados. Devido ao estatuto protegido das aves, os proprietários que queiram construir nos espaços ocupados por elas precisam de obter uma licença para o fazer, mas, assim que a tenham, podem remover os seus ninhos, desalojando-as.

“[Com este programa] estamos a tentar dar-lhes mais lugares para viverem”, disse Alli.

Desde o outono de 2017, a equipa já criou 92 buracos para as corujas, e as aves visitaram e habitaram num terço destes. Cerca de 14 foram ampliados por elas, o que significa que construíram neles uma série de tunéis para aí estabelecerem uma residência permanente. “Elas são muito ligadas aos seus ninhos”, afirmou a bióloga. “As corujas parecem ser boas arquitetas.”

Desde a aprovação do subsídio, têm chovido telefonemas de residentes que querem participar. “A maioria das pessoas com quem falei ao telefone não estava interessada no dinheiro”, contou. “As pessoas só querem ter as corujas nos seus quintais.”
1ª foto: AdA Durden/Flickr


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