Os animais usados em testes de laboratório pela agência reguladora de medicamentos dos EUA já podem ser adotados ou encaminhados para abrigos e santuários depois dos testes.

Cão beagle atrás de grades

Os animais saudáveis utilizados em testes de laboratório pela agência reguladora de medicamentos dos EUA – a Food and Drug Administration (FDA) – podem agora ser adotados ou encaminhados para abrigos e santuários, depois de concluídas as pesquisas.

Antes desta medida, os animais eram eutanasiados no final dos testes, mesmo que fossem saudáveis.

No ano fiscal de 2018, foram 1929 os animais usados ou criados para experiências da FDA. Pelo menos 27% deles sentiram algum tipo de dor ou angústia durante os testes, de acordo com os registos da agência.

“Trabalho, há anos, no sentido de pôr termo à experimentação animal do governo, à qual a maioria dos norte-americanos se opõe, e choca-me o número de animais que são mortos no final dos estudos, apesar de haver pessoas, abrigos e santuários prontos para os acolher”, disse o congressista Brendan Boyle.

“Tendo apresentado o projeto de lei AFTER, que exigiria que as agências federais autorizassem a adoção de animais de laboratório, estou muito satisfeito com a nova norma da FDA, que permite que cães, primatas, coelhos e outros animais saudáveis se aposentem depois das pesquisas.”

A FDA junta-se assim ao Departamento dos Assuntos de Veteranos e aos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos que já adotaram políticas semelhantes.

A vida depois do laboratório

Apesar dos traumas vividos nos espaços de teste, os animais são perfeitamente capazes de ter uma vida longa e saudável, defende Justin Goodman, do White Coat Waste Project, um grupo que luta pelo fim da experimentação animal financiada pelos contribuintes.

“Os animais que vão ser adotados precisam de ir para famílias ou abrigos e santuários que terão o tempo, a paciência e o conhecimento necessários para os ajudarem a ajustar-se”, afirmou, explicando que a maioria destes animais nunca esteve ao ar livre.

O período de reabilitação varia consoante o animal. “Os gatos, nomeadamente, sofrem mais maus-tratos do que os cães”, contou Shannon Keith, fundadora do projeto Rescue + Freedom, ao portal Mother Nature Network. “Porque os trabalhadores dos laboratórios não sentem tanta empatia pelos gatos. Por isso, os poucos que conseguimos tirar de lá estão muito afetados psicologicamente.”

Os grupos de defesa dos direitos dos animais esperam que a medida da FDA leve outras agências a seguir o seu exemplo. Tanto a Agência de Proteção Ambiental como o Departamento da Agricultura do país não possuem atualmente políticas de adoção semelhantes.

Em janeiro de 2018, a FDA “concedeu a reforma” a 26 macacos-esquilo envolvidos num estudo sobre nicotina, e enviou-os para a Florida, onde foram mantidos num ambiente fechado até se adaptarem à mudança de estilo de vida.


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