A iRcycle é uma marca portuguesa que aproveita o plástico recolhido no mar para criar as suas sapatilhas.

Sapatilhas

A iRcycle é uma marca portuguesa que aproveita o plástico recolhido no mar para criar as suas sapatilhas.

O UniPlanet falou com André Facote e Andreia Coutinho, criadores da iRcycle, que nos deram a conhecer este projeto.


UniPlanet (UP): Como nasceu a iRcycle?

Em 2017, fomos pais e a nossa visão a longo prazo mudou. Nasceu a necessidade de ter que fazer algo urgente e deixar outro legado ao nosso filho, um legado que fosse diferente dos estudos que apontam que até 2050, a este ritmo, haverá mais plástico no Oceano do que peixes. Várias “peças do puzzle” começaram a encaixar.

Em 2018, numa ida à praia com o nosso filho, ele começou a apanhar plásticos da areia e a tentar colocá-los na boca como qualquer outra criança da mesma idade… e mais uma vez tivemos a certeza que teríamos que tomar alguma medida. Demos início a uma pesquisa intensiva e a uma busca por soluções. Fomos pela primeira vez ao Websummit, em 2018, onde a validação do projeto serviu de arranque para lançarmos a loja online em março de 2019.






UP: Que materiais usam no vosso calçado?

A Skizo by iRcycle começou pelo fim, como costumamos dizer. Começámos pelo problema, o plástico no Oceano. Conseguimos descobrir como o poderíamos recolher e depois chegámos ao, como podemos dar-lhe vida. Desta forma, transformamos o plástico recolhido nos Oceanos em têxtil, e para uma maior oferta de cores e texturas, utilizamos também o têxtil feito a partir de fibra de folha de ananás. As solas são recicladas, e as cor de rosa são feitas a partir de pastilha elástica reciclada. Os atacadores são feitos de algodão orgânico. As nossas sapatilhas primam pelo conforto, graças à tecnologia usada nas palmilhas que se adaptam à nossa postura, e todos os materiais são de origem não animal, ecológicos e reciclados.


UP: Onde recolhem o lixo plástico que usam?

Os plásticos são recolhidos no mar mediterrâneo, no Oceano Atlântico europeu, e desde dezembro também no Oceano Atlântico da costa de África e no mar de Java, na Indonésia.





UP: Onde são produzidas as sapatilhas da iRcycle?

As nossas sapatilhas são fabricas no Norte de Portugal, em São João da Madeira, conhecida por ser a capital do calçado.





UP: Que modelos de sapatilhas estão disponíveis?

De momento, temos dois designs, um com uma sola ligeiramente mais baixa e outro mais alta. Ambos os designs, transversais a qualquer idade, género e estilo. Uma vez que a Skizo é uma marca/causa e por isso o nosso objetivo ser o recolher o maior número possível de plásticos do Oceano.


UP: Os modelos são personalizáveis?

Não temos stock, fazemos parte do mercado slow fashion, que acreditamos que é o futuro. Não queremos produzir em massa, com todas as consequências que um stock produz, desde impacto ambiental, pressão de vendas e escoar produto, incentivo a vendas e a consumismo. Fabricamos par a par, ao gosto de cada cliente e por ser personalizado não há compra por impulso. Qualquer herói pode criar a sua própria sapatilha, escolhendo entre materiais, cores e designs.





UP: Onde podemos encontrar o calçado da iRcycle à venda?

Para já estamos à venda na nossa loja on-line em www.ircycle.com e no início deste ano teremos novidades neste campo também.


UP: O que se segue para a iRcycle?

Fomos eleitos o melhor produto de 2019 e uma das startups mais promissoras do ano. Queremos continuar este bom trabalho e continuar a contribuir para um Oceano mais limpo, desta forma, para um futuro muito próximo, teremos novos designs, mais arrojados, e calçado para criança feito também com o nosso têxtil do Oceano.

Cada sapatilha Skizo retira do Oceano o equivalente a 18 garrafas de plástico. Todo o processo passa pelas mãos de heróis, os pescadores que recolhem este plástico do Oceano, ajudando-o a limpar. Uma profissão tão nobre, que por vezes não é dada o devido valor por quem de direito, e se não cuidarmos dela teremos consequências, todos nós e as famílias que sobrevivem através do mar.

No fim os nossos ténis, com toda a sua história acabam nos pés de heróis que ajudam a salvar o Oceano de 18 em 18 garrafas.

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