A instalação de lâmpadas LED nas redes de pesca reduz em 70% o número de tartarugas e golfinhos capturados involuntariamente por elas.

Tartaruga presa numa rede

A instalação de lâmpadas LED nas redes de pesca pode reduzir significativamente o número de tartarugas marinhas e golfinhos capturados involuntariamente nelas.

Esta foi a conclusão de um estudo da Universidade de Exeter e da organização peruana de conservação ProDelphinus, que analisou pequenas embarcações de pesca no Peru, entre 2015 e 2018.

Os investigadores constataram que a presença das luzes nas redes de emalhar reduziu a captura acidental de tartarugas marinhas em mais de 70% e a de pequenos cetáceos (incluindo golfinhos e botos) em mais de 66%.

As lâmpadas LED não afetaram a quantidade de peixes comerciais capturados.

Outros trabalhos de investigação já tinham indicado que a iluminação LED reduzia em cerca de 85% a captura involuntária de aves marinhas em redes de emalhar.

“A pesca com redes de emalhar tem, frequentemente, taxas elevadas de capturas acessórias de espécies marinhas ameaçadas, como tartarugas, baleias, golfinhos e aves marinhas”, disse Alessandra Bielli, principal autora do presente estudo.

“Isto pode provocar declínios nas populações destas espécies não alvo; contudo, foram desenvolvidas poucas soluções para este problema. Os sinais sensoriais – neste caso, as lâmpadas LED – são uma forma de alertar essas espécies para a presença de artes de pesca na água.”


Fotos: ProDelphinus

Os investigadores colocaram lâmpadas LED a cada 10 metros do cabo de flutuação de 864 redes de emalhar, emparelhando cada uma delas com uma rede sem iluminação para comparar os resultados.

“A drástica redução na pesca acessória de tartarugas marinhas e cetáceos nas redes iluminadas mostra como esta tática simples e de custo relativamente baixo pode ajudar estas espécies e permitir que os pescadores pesquem de forma mais sustentável”, disse Jeffrey Mangel, da ONG ProDelphinus.

A maioria das tartarugas capturadas no estudo foram tartarugas-verdes (86%), embora também tenham sido apanhadas tartarugas-comuns e tartarugas-oliva.

Entre os cetáceos capturados, 47% eram golfinhos-comuns de bico comprido, 26% golfinhos-cinzentos e 24% botos-de-Burmeister.

“Este trabalho enfatizou a utilidade das lâmpadas nas redes para salvar a vida selvagem. Precisamos, agora, de luzes cada vez mais resistentes e acessíveis”, disse o professor Brendan Godley.

O estudo foi publicado na revista científica Biological Conservation.

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