A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) recomenda mudanças no fabrico e prescrição de medicamentos.

Torneira

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) recomendou, no dia 13 de novembro, mudanças no fabrico e prescrição de medicamentos para se controlar a disseminação de resíduos de fármacos nas águas residuais.

“Cerca de dois mil ingredientes farmacêuticos ativos são administrados em todo o mundo em medicamentos de receita médica, de venda livre ou em medicamentos veterinários”, refere a OCDE num relatório publicado neste dia.

Os resíduos dos medicamentos por causa de “águas residuais domésticas não tratadas e efluentes de estações de tratamento de águas residuais municipais” vão parar às águas superficiais e subterrâneas e são “uma preocupação ambiental crescente”.

“A utilização excessiva e libertação de antibióticos na água agrava o problema da resistência microbiana, declarada pela Organização Mundial de Saúde como uma crise de saúde global e urgente, que se prevê vir a causar mais mortes do que o cancro em 2050″, refere a OCDE.

Mesmo em concentrações baixas, os fármacos interagem com os ecossistemas e têm consequências: os contracetivos orais provocam a feminização dos peixes e anfíbios, drogas psiquiátricas como a fluoxetina, um antidepressivo, tornam os peixes mais imprudentes e vulneráveis a predadores.

A OCDE recomenda critérios ambientais mais apertados nas autorizações dadas a medicamentos de alto risco ambiental, planos de segurança da água para consumo humano que incluam o controlo da presença de fármacos e mecanismos de deteção na água para prevenir contaminações.

Recomenda ainda que se reduza “o uso e libertação de fármacos”, melhorando o diagnóstico e adiando a prescrição quando não sejam necessários, ou mesmo proibindo ou restringindo o uso preventivo de antibióticos.

No relatório recomenda-se ainda a restrição do uso de hormonas de crescimento na criação de gado e aquacultura e o combate à venda ilegal de medicamentos e à automedicação com farmacêuticos de elevado risco ambiental, como antibióticos e outros que agem no sistema endócrino.

A OCDE defende que deve ser garantida “a recolha apropriada de resíduos de medicamentos”, por parte de profissionais de saúde, veterinários, consumidores e agricultores.

“Não há um responsável único pelos poluentes farmacêuticos que chegam às águas”, afirma a OCDE, que recomenda o envolvimento da administração local e central dos setores do ambiente, agricultura, saúde e segurança.

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