O sistema também pode ser utilizado para reduzir as colisões de comboios com outras espécies de animais selvagens.



Uma equipa de investigadores da Universidade de Alberta, no Canadá, está a desenvolver um sistema de alerta para ensinar os ursos a afastarem-se das linhas ferroviárias quando se aproximam comboios.

O sistema detecta a aproximação de um comboio e aciona um alarme sonoro e luminoso – semelhante aos avisos utilizados nas passagens de nível.

“Hoje em dia, há mais comboios e esses comboios viajam mais rápido do que nunca”, explicou Colleen Cassady St. Clair, bióloga da Universidade de Alberta. “A possibilidade de colisões entre animais selvagens e comboios está a aumentar.”

No Parque Nacional de Banff, onde as colisões com comboios são uma das principais causas de morte dos ursos-cinzentos (Ursus arctos horribilis), as autoridades esperavam identificar, com a ajuda de trabalhos de investigação, a razão por que os animais frequentam as linhas de caminho de ferro e arranjar formas de o prevenir.

Nos últimos oito anos, um grupo de investigadores, liderado por Colleen Cassady St. Clair, determinou que são muitos os factores que atraem estes animais, como o derrame de cereais, a concentração das populações de veados na zona, a presença de arbustos de bagas perto dos caminhos de ferro e até a conveniência do corredor formado por estas linhas na paisagem.

Esta descoberta levou os cientistas a concluir que manter os predadores longe das vias-férreas seria extremamente difícil e que a solução teria de passar por trabalhar com os próprios animais.

“O que está em causa não é manter os animais selvagens longe dos caminhos de ferro – mas evitar que sejam colhidos pelos comboios”, disse Colleen. “E se tentássemos ensinar os próprios ursos a evitar os comboios, dando-lhes tempo suficiente para se afastarem em segurança?”


Fotos: Niels de Nijs

Foi assim que surgiu o sistema de alerta, desenvolvido pelo doutorando Jonathan Backs, orientado por Colleen e pelo professor de Engenharia John Nychka.

Os dispositivos foram instalados em quatro zonas onde já tinham ocorrido colisões, de forma a testar a capacidade do mecanismo para mudar o comportamento dos animais.

Os resultados preliminares sugerem que estes dispositivos levam os animais perto dos caminhos de ferro a afastarem-se dos comboios que se aproximam vários segundos antes do que fariam normalmente, quando o dispositivo não está ativado.

Colleen lembra, no entanto, que, mesmo que o sistema seja adotado, não resolverá o problema para todos os ursos.

“Os sistemas de alerta só seriam instalados em locais de alto risco e levaria algum tempo até que os animais residentes aprendessem a associá-los à aproximação de comboios”, explicou a bióloga. “Mas a nossa esperança é que este tipo de solução seja o mais eficaz para os animais que vivem na zona.”

Embora a abordagem focada na aprendizagem dos animais seja relativamente nova, a sua popularidade está a crescer entre os cientistas.

“As atividades humanas dificultam a vida [à fauna]. Acho que a aprendizagem animal poderia ter um papel muito mais proeminente na resolução deste tipo de problemas”, defendeu Colleen.

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