A Catarina Fernandes tem 21 anos e esteve 6 meses na Tailândia a fazer voluntariado na aldeia ecológica Gaarawé Village Agora. De volta a Portugal, criou uma campanha de crowdfunding para apoiar este projeto.



A Catarina Fernandes tem 21 anos e esteve 6 meses na Tailândia a fazer voluntariado na aldeia ecológica Gaarawé Village Agora. De volta a Portugal, criou uma campanha de crowdfunding para apoiar este projeto.

O UniPlanet falou com a Catarina que nos deu a conhecer este projeto.


UniPlanet (UP): Queres apresentar-nos a Gaarawé Village?

A Gaarawé Village é uma eco-aldeia localizada no sul da Tailândia. É um projeto baseado na Permacultura que teve início há 5 anos, com o objetivo de criar uma comunidade sustentável, a viver em harmonia com a natureza e os seus recursos.

Atualmente, graças ao contributo de centenas de voluntários, já conta com várias infraestruturas básicas como uma cozinha, cabanas de bambu, um galinheiro, sistemas elétricos, uma bomba para recolha de água do rio e, claro, diversas hortas.

Mesmo assim, existe ainda um longo caminho a percorrer para que a comunidade alcance o seu objetivo principal de ser autossuficiente. Para tal, é necessário ainda desenvolver outros projetos que permitam produzir a sua própria energia, purificar a água recolhida do rio e produzir 100% da comida consumida.






UP: Estiveste a fazer voluntariado lá durante 6 meses. Como foi a experiência?

Lembro-me do primeiro dia como se tivesse sido ontem! Estava muito nervosa e entusiasmada ao mesmo tempo. Gostava da ideia de sair da minha zona de conforto e aventurar-me em algo novo e tentei forçar a minha cabeça a não criar expectativas. No entanto, tinha inevitavelmente algum receio que aquilo que me esperava não fosse do meu agrado.

Felizmente, assim que cheguei encontrei logo uma tranquilidade e um afeto que duraram até o final do meu período lá. O terreno era enorme, localizado numa área remota e muito pouco turística da Tailândia, no meio da floresta. Logo à entrada, somos envolvidos pelo som dos pássaros, dos grilos e das galinhas, por centenas de árvores que vivem em perfeita harmonia com todas as outras espécies vivas do jardim e do rio que flui, fresco e cristalino. Um verdadeiro oásis para quem está cansado da confusão da cidade e procura reconectar-se com a natureza, bem como viver de forma mais sustentável.

Fui recebida por um grupo de voluntários que me ofereceram uma refeição e me fizeram sentir em casa. A partir daí, graças ao Lele (o sonhador e criador desta comunidade), iniciei um processo de aprendizagem muito intenso sobre permacultura que, tal como ele costuma dizer, é ‘'tudo o que tem sentido’'. Desde semear, plantar, regar e colher as diversas plantas, até fazer a compostagem, limpeza de terrenos, escavação de canais e construção de sistemas de irrigação, para além de outras atividades menos frequentes.

Para mim, que nunca tinha tido contacto com este tipo de atividades, foi um momento muito enriquecedor e logo nos primeiros 2 meses, consegui adquirir várias competências, o que me permitiu começar a liderar e a ensinar algumas atividades no jardim para os voluntários que chegaram mais tarde. Nos meses seguintes, ocupei-me também com um emprego de ‘’24 horas”, como o Lele costumava brincar: tendo concordado desde o início que ficaria 6 meses com o cargo de Human Resources Manager, estava responsável por gerir as reservas de hóspedes, receber e acompanhar os voluntários, gerir os meios de comunicação e finanças da comunidade e ainda lidar com qualquer outro problema que surgisse. E honestamente, por muito trabalho que tivesse, adorei e não queria que fosse de outra forma.

Resumindo, foi uma experiência verdadeiramente enriquecedora, tanto no que diz respeito às minhas competências e percurso profissional, quanto pessoalmente. Especialmente porque, graças a ter integrado esta comunidade por um período de 6 meses, tive a oportunidade de conhecer a cultura tailandesa e a comunidade local de uma forma muito autêntica.






UP: De volta a Portugal criaste uma campanha de crowdfunding para a Gaarawé Village. Queres explicar-nos qual é o objetivo desta campanha? Como podemos ajudar?

Quando ainda estava na Gaarawé Village foi-me apresentado um projeto, que já tinha sido planeado nos anos anteriores, para a construção de uma casa na árvore. Agora de volta a Portugal, quis arranjar uma forma de continuar a contribuir para a sustentabilidade desta comunidade que me acolheu tão calorosamente. Foi por essa razão que criei uma campanha de crowdfunding para a construção da tal casa na árvore que, para além de permitir uma vivência em maior sinergia com a natureza, será um agente muito importante para garantir a sustentabilidade económica da comunidade, atraindo mais hóspedes. Consequentemente, a comunidade terá mais oportunidades para desenvolver outros projetos, no caminho para a sustentabilidade.

Acredito que participar nesta campanha não é apenas apoiar um projeto ou uma comunidade, mas também promover um futuro mais sustentável para todos nós, o que é urgente. Se os projetos sustentáveis e ambientalistas, espalhados pelo mundo fora, forem devidamente apoiados e, consequentemente, se multiplicarem, esta ‘’revolução verde’’ ganha mais força e permite reverter a situação crítica em que se encontra o nosso planeta.

Este é o link para a campanha de crowdfunding.






UP: Onde podemos encontrar mais informação sobre a Gaarawé Village?

Para saber mais sobre a sua história e meios de colaborar com a mesma podem consultar o website.
Para acompanhar o dia-a-dia da comunidade e estar a par de notícias, podem ver o Facebook e o Instagram.

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