Os equipamentos de pesca “fantasma” são mortíferos para a fauna marinha, continuando a capturar baleias, golfinhos, focas, tartarugas e outros animais muito depois de terem sido abandonados no mar.

Tartaruga presa numa rede de pesca

Todos os anos, 640 mil toneladas de redes, linhas, armadilhas e outras artes de pesca são descartadas ou perdidas nos oceanos, o que é o equivalente ao peso de mais de 50 mil autocarros de dois andares.

Este material de pesca “fantasma” é mortífero para a fauna marinha, continuando a capturar animais muito depois de ser abandonado no mar, lembra um novo relatório da organização ambientalista Greenpeace.

Em 2018, cerca de 300 tartarugas marinhas foram encontradas mortas depois de terem ficado presas numa rede fantasma ao largo da costa de Oaxaca, no México.

No mesmo ano, um grupo de mergulhadores descobriu centenas de carcaças de tubarões e de outros peixes presas numa enorme rede fantasma no mar das Caraíbas.

“As redes e linhas abandonadas podem representar uma ameaça à fauna durante anos ou décadas, capturando tudo, desde pequenos peixes e crustáceos a tartarugas de espécies ameaçadas, aves marinhas e até baleias”, diz o relatório da Greenpeace.


A rede descoberta pelos mergulhadores no mar das Caraíbas. | Foto: Dominick Martin-Mayes e Pierre Lesieur

“Espalhados pelas marés e correntes, os equipamentos de pesca perdidos e descartados estão agora a ser levados para as zonas costeiras do Ártico, a dar à costa em ilhas remotas do Pacífico, a prender-se nos recifes de coral e a poluir o fundo do oceano.”

A organização World Animal Protection avisa que esta poluição mata e fere mais de 100 mil baleias, golfinhos, focas e tartarugas por ano, lembrando que as artes de pesca de plástico podem demorar 600 anos a decomporem-se.

De acordo com estimativas do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, o material de pesca fantasma representa 10% da poluição por plástico nos oceanos.

Contudo, “em determinadas zonas, as artes de pesca constituem a grande maioria do lixo plástico, designadamente mais de 85% dos resíduos no fundo do mar em alguns montes submarinos e dorsais oceânicas, e entre as peças de maior dimensão na Grande Mancha de Lixo do Pacífico”, explica a Greenpeace.

Um estudo mencionado no relatório descobriu que até 70% (por peso) dos macroplásticos (com mais de 20 cm) descobertos a flutuar na superfície do oceano estão associados às atividades pesqueiras.



A Greenpeace pede mais empenho internacional para travar a poluição por plástico.

“Os governos de todo o mundo têm de agir para proteger os nossos oceanos e devem responsabilizar a indústria de pesca por este lixo perigoso. Isto deve começar com um tratado global sobre os oceanos, a ser acordado nas Nações Unidas no próximo ano”, disse Louisa Casson, da Greenpeace no Reino Unido.

A organização quer que o tratado abra caminho para uma rede mundial de santuários marinhos, que cubra 30% dos oceanos do mundo até 2030.

“A má regulamentação e o lento progresso a nível político no que toca à criação de santuários marinhos inacessíveis à pesca industrial permitem que este problema exista e persista”, lê-se no relatório.

Os grupos ambientalistas pedem ainda medidas mais rigorosas que forcem as empresas pesqueiras a recuperar o seu material ou a pagar pela sua recuperação.
1ª foto: Salvatore Barbera/Flickr


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