A rigidez e formato dos talheres fazem com que sejam especialmente perigosos para a vida selvagem.



A organização Ocean Conservancy divulgou os resultados da limpeza global de praias de 2018 e, pela primeira vez desde que foram classificados como uma categoria distinta, os talheres de plástico entraram no top 10 do lixo mais encontrado durante o evento anual.

No total, mais de um milhão de voluntários recolheram 10 600 toneladas de lixo nas praias de mais de 120 países.

Como nos anos anteriores, as beatas de cigarro (bitucas, no Brasil) – que contêm filtros de plástico – lideraram a lista dos itens mais encontrados, com cerca de 5,7 milhões de beatas recolhidas.

Seguiram-se as embalagens de alimentos (mais de 3,7 milhões), as palhinhas e palhetas de plástico (quase 3,7 milhões), os garfos, facas e colheres de plástico (quase 2 milhões) e as garrafas de bebidas de plástico (quase 1,8 milhões).

A maioria dos itens do top 10 está relacionada com produtos alimentares.

No mar, estes resíduos constituem uma ameaça para a vida selvagem. A rigidez e formato dos talheres tornam-nos especialmente perigosos para a fauna que o ingere. E, quando se partem e dão origem a fragmentos afiados, podem ser engolidos por animais de todos os tamanhos.


Colheres e garfos de plástico entre o lixo encontrado a flutuar perto da ilha de Roatán, nas Honduras | Foto: Caroline Power Photography

“Os garfos, facas e colheres de plástico estão entre os tipos de lixo mais perigosos para os animais marinhos, e os dados da limpeza anual de 2018 mostram que eles podem ser muito mais comuns do que suspeitávamos”, contou Nicholas Mallos, da Ocean Conservancy.

“Temos de nos lembrar que os animais marinhos não foram programados para distinguir o plástico dos seus alimentos – é por isso que tantos animais dão à costa com este material no aparelho digestivo, quer seja na forma de palhinhas, sacos ou até de artigos mais incomuns, como uma mangueira de plástico.”


Este tubarão-baleia deu à costa, morto, na Índia, com uma colher de plástico presa no aparelho digestivo

Estes resultados levaram a organização a apelar ao público para abandonar o uso destes talheres descartáveis.

“Uma forma de deixar de usar talheres de plástico é levar na carteira ou bolsa um conjunto de viagem de talheres reutilizáveis, ficando-se sempre preparado para um snack ou refeição”, disse Nicholas Mallos, acrescentando que muitos restaurantes disponibilizam talheres reutilizáveis se estes lhes forem pedidos e que se pode sempre recusar os garfos, facas e colheres de plástico oferecidos no serviço de take-away.

A Ocean Conservancy encoraja ainda as pessoas a participarem nas limpezas de praia, ajudando a remover o lixo da natureza.

“O que torna a poluição por plástico tão singular entre os desafios enfrentados pelos nossos oceanos é o facto de ser tão visível e de todos poderem ser uma força de mudança”, explicou Allison Schutes, da organização.

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