O maior site de leilões do Japão vai deixar de vender marfim de elefante a partir de novembro.

Elefante

A Yahoo Japan Corp. anunciou que vai acabar com a venda de marfim no maior site de vendas por leilão do país.

A empresa tomou esta decisão depois de confirmar várias denúncias de que o marfim comprado na sua plataforma estava a ser contrabandeado para fora do país. Segundo um porta-voz, o marfim foi detetado pelas autoridades aduaneiras na China.

Depois de a China ter proibido o comércio deste produto no final de 2017, o Japão tornou-se o maior mercado legal de marfim do mundo.

Um estudo de 2018 da Traffic – grupo que monitoriza o comércio de vida selvagem – identificou a Yahoo Japan como a maior plataforma online de comércio de marfim de elefante no Japão, tendo registado a venda de 4414 artigos de marfim e 35 presas inteiras, no valor de mais de 340 mil dólares, num período de quatro semanas em junho e julho do ano passado.

Com a medida agora anunciada, que entrará em vigor no dia 1 de novembro, a Yahoo Japan segue o exemplo dos seus concorrentes, incluindo a Rakuten e a Mercari, que já o tinham feito há dois anos.

No Japão, o marfim é usado no fabrico dos carimbos pessoais “hanko”, utilizados para assinar documentos oficiais.



Os grupos de conservação avisam que o mercado interno legal do país e a falta de eficácia no controlo das fronteiras facilitam o tráfico e branqueamento de marfim ilegal, o que, por sua vez, impulsiona a caça furtiva de elefantes em África.

As estimativas apontam para que cerca de 20 mil elefantes africanos sejam mortos todos os anos de forma a satisfazer a procura global de marfim.

“A WWF espera que esta medida proativa por parte da Yahoo! Japan encoraje o governo japonês a lançar um olhar crítico sobre o mercado interno do país e a sua influência no comércio internacional ilegal”, disse Margaret Kinnaird, da WWF.

“Apelamos agora ao governo japonês para que avance rapidamente em direção ao encerramento total do seu mercado interno de marfim para que os milhões de turistas internacionais que vão visitar o país por causa dos Jogos Olímpicos de Verão de 2020 possam conhecer um Japão onde não existe comércio de marfim de elefante”, disse Iris Ho, da organização de defesa dos animais Humane Society International.

Em julho, o governo japonês começou a exigir aos comerciantes do país a comprovação da idade das presas de marfim, através do método de datação por carbono, de forma a prevenir importações ilegais.

Recentemente, Singapura e a Austrália comprometeram-se a proibir o comércio interno de marfim de elefante.

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