Falamos com Fernando Ferreira para conhecer melhor o seu trabalho.

Mocho

As fotografias da natureza de Fernando Ferreira não deixam ninguém indiferente.

O UniPlanet falou com Fernando Ferreira para ficar a conhecer melhor o seu trabalho.


UniPlanet (UP): Parabéns pelo seu trabalho! O que o inspirou a começar o registo fotográfico da Fauna e Flora da União de Freguesias de Malta/Canidelo?

Antes de mais o meu agradecimento pelo vosso interesse ao meu trabalho, e sinto-me honrado em responder às vossas questões.
Sou natural de Mafamude – Vila Nova de Gaia, mas quando tinha três anos fui viver com os meus pais para Labruge – Vila do Conde.

Desde muito novo que me interesso pela Natureza (não fosse eu de uma geração que passava todo o tempo livre a brincar no meio da mesma), devorava sempre que tinha a possibilidade para isso, revistas, livros e principalmente documentários da National Geographic, Discovery e em especial e que muito me marcou, uma coleção de documentários do Jacques Cousteau em VHS, A Odisseia Submarina, coleção essa que consegui fazer com muito sacrifício e que a mantenho até hoje.





A minha primeira máquina fotográfica (analógica) mais parecia uma máquina descartável, era toda em plástico e de cor verde.
Por impossibilidade financeira, as minhas primeiras fotos só as consegui revelar quase um ano depois de as ter tirado.
Há 20 anos, casei-me e vim morar para a Freguesia de Malta, (atualmente é União de Freguesias de Malta e Canidelo) tenho dois filhos e tenho a sorte de ainda poder viver no meio da Natureza.

Infelizmente vi-me na situação de desemprego, e foi aí que despoletou esta ideia de começar a fotografar a Fauna e Flora das minhas Freguesias, temos uma riqueza natural tão grande e que a maioria das pessoas desconhece.

Depois de alguma pesquisa verifiquei que não existia qualquer registo ou bibliografia da nossa Biodiversidade, foi assim que tudo começou, de há três anos para cá, faço o registo de toda a Fauna e Flora de algumas (o objetivo é fazer de todas) Freguesias do concelho de Vila do Conde, inclusive da Reserva Ornitológica de Mindelo, que é a mais antiga da Europa.
Infelizmente até à data ainda não consegui nenhum apoio para o trabalho que tenho vindo a desenvolver.



UP: Como planeia cada foto que tira?

Gosto muito de sair à aventura, escolho o local para onde vou fotografar e depois de lá estar registo tudo o que encontrar. Tudo me sai de forma natural e fluída.
Claro que há situações em que é importante conhecer bem o que vamos fotografar.

Quando procuro uma espécie em específico, tento estudar o comportamento e as características da mesma.
Para se fazer um bom trabalho tem de haver alguma planificação antes.






UP: Tem algum animal que seja o seu preferido para fotografar?

O que eu mais gosto de fazer é macrofotografia, adoro fotografar insetos, conseguir mostrar toda a beleza de um inseto microscópico é fascinante, infelizmente não tenho equipamento que me permita registar as macros com o pormenor e a qualidade de que eu gostaria.
Outros animais que me dão imenso prazer em fotografar são os Répteis e os Anfíbios.

São uma classe de animais que erradamente repugna a maior parte das pessoas devido a muitos mitos e lendas associados a este grupo tão especial de animais.
Daí eu tentar desmistificar estes maravilhosos animais através das minhas fotografias.

Atualmente, estou a tentar finalizar um pequeno folheto didático da minha autoria, que irá ajudar as pessoas a conhecerem um pouco mais sobre as cobras existentes no nosso concelho, e o que devem fazer se tiverem um encontro casual com um destes belos animais.
Escolhi as cobras porque têm sido os animais que sempre foram perseguidos pelo Homem devido a muitos mitos e lendas (como já tinha referido anteriormente), mas que são imprescindíveis à nossa Biodiversidade.






UP: Estudou fotografia ou aprendeu sozinho?

Infelizmente tive que ir trabalhar aos 12 anos para ajudar a família, logo as minhas habilitações são muito baixas (6º ano de escolaridade), também nunca tive uma vida financeira que me permitisse ter formação na área da fotografia ou a possibilidade de ter um bom equipamento.
Tudo o que sei e que faço é de forma autodidata.






UP: Que tipo de equipamento usa?

No início comecei com uma Sony CyberShot DSC-W350. Há cerca de quatro anos consegui comprar uma máquina digital compacta melhor, uma Canon PowerShot SX 60 HS, tem um zoom generoso que me permite fotografar aves, coisa que com a anterior era impossível.
Mesmo assim estou muito limitado por não ter um equipamento melhor.
Uso também um Tripé Slik 450G, que já tem mais de 20 anos e muita fita isoladora… :D






UP: De todas as fotografias que tirou qual é a sua preferida?

Tenho muitas fotos preferidas e com histórias engraçadas (talvez as possa a vir a contar em publicações futuras).
Mas as que me marcam sempre e que acabam por ter a minha preferência, são as fotos que faço de resgates de animais e que tiveram um final feliz.






UP: Que dificuldades enfrenta alguém que se dedica à fotografia da Natureza?

A principal dificuldade é o retorno financeiro ser quase nulo em Portugal. Viver exclusivamente da fotografia da natureza é impossível.
Infelizmente somos pouco participativos neste tipo de questões ambientais e temos poucas publicações que adquiram este tipo de imagens.

Depois também há um desinteresse generalizado por parte dos nossos governantes em apoiar esta área, e principalmente os trabalhos portugueses.
A fotografia da natureza em Portugal tem uma excelente qualidade. Temos alguns fotógrafos que o fazem de forma profissional e amadores com trabalhos notáveis e de grande qualidade.

Infelizmente, em vez de apostarem na “prata da casa” cada vez mais recorrem a trabalhos de fotógrafos estrangeiros.
E convém não esquecer que a fotografia ajuda na conservação de muitas espécies.






UP: Que projetos se seguem?

A biodiversidade de Vila do Conde é enorme e rica e é uma pena que não esteja devidamente documentada.
O meu objetivo é mostrar à população de Vila do Conde (e não só) as espécies que tenho registado, principalmente aos nossos jovens, os tesouros naturais e selvagens que temos e que devemos preservar.

Gostava de fazer exposições didáticas nas nossas escolas, juntas de freguesias e mesmo na nossa Câmara de Vila do Conde, locais onde fosse possível divulgar todos estes registos de forma pedagógica e educativa.

Existe de momento uma reestruturação na Reserva Ornitológica de Mindelo, gostaria de um dia vir a fazer parte da equipa destinada à proteção e preservação da mesma.
E, um dia, registar para a eternidade toda a nossa Biodiversidade num livro.






UP: Tem algumas dicas para quem quer começar a fotografar a Natureza?

Acima de tudo, é precisa uma grande dose de paciência e de perseverança.
Depois é necessário também ter alguma sensibilidade neste tipo de fotografia, evitar ao máximo stressar ou alterar a rotina diária do animal que se quer fotografar.

Não danificar e até mesmo melhorar o local onde esteve a fotografar: removendo lixo, resgatar algum animal que esteja em perigo, e alertando as autoridades para situações anómalas ou que estejam a infringir a lei.
Acima de tudo, tem que amar a Natureza.






UP: Onde podemos encontrar mais informação sobre o seu trabalho?

Gostava de ter um site dedicado exclusivamente ao meu trabalho, mas infelizmente ainda não consegui apoios para poder criar um, por isso a ferramenta principal para divulgação do meu trabalho é de momento o Facebook. Visitem também o Instagram, Olhares e YouTube.



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