A apreensão de dentes caninos de puma na China reflete o perigo que o “apetite” do país pelos grandes felinos faz pairar sobre todas as espécies destes animais.

Puma

Foram apreendidos nove dentes caninos de puma na cidade chinesa de Xiamen, descobertos pelas autoridades num pacote enviado do Peru com destino à China.

Para os conservacionistas, esta apreensão reflete o perigo que o “apetite” da China pelos grandes felinos faz pairar sobre todas as espécies destes animais.

Para substituir as partes outrora fornecidas pelos tigres, após o declínio drástico destes animais na natureza, o mercado asiático está a virar-se para as outras espécies de grandes felinos. Na América do Sul, por exemplo, os cientistas avisam que este comércio está a colocar em risco as populações de jaguares.

“A procura dos consumidores chineses e vietnamitas por caninos de tigre – usados como jóias [para demonstrar riqueza] ou talismãs [contra o mal] – está a impulsionar a caça furtiva e o comércio ilegal não só de tigres, mas também de outras espécies de grandes felinos, cujos dentes podem ser vendidos como sendo de tigre ou como uma alternativa mais barata”, disse a EIA (Agência de Investigação Ambiental), uma ONG que investiga e luta contra os crimes ambientais.

Caninos de puma
Os caninos de puma apreendidos na China

A EIA acusa as plataformas WeChat e Facebook de facilitarem a venda ilegal de dentes e garras destas espécies no sudeste asiático. “Este é um mercado que está a ser largamente ignorado pelas autoridades, o que proporciona aos criminosos a oportunidade de obter lucros elevados com poucos riscos”, explicou a ONG.

“As notícias de que o mercado [de partes de tigre] também está a impulsionar o comércio ilegal de dentes de puma deveria ser um alerta para todos os que trabalham na conservação dos grandes felinos e para o governo chinês”, disse Aron White, da EIA.

“Até que a procura no principal mercado de consumo seja contida, incluindo a aplicação de uma proibição inequívoca deste comércio (…), todos os grandes felinos do mundo continuarão em perigo.”
1ª foto: Debs/Flickr

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