Trinta tubarões-martelo capturados na Austrália e exportados para o aquário francês Nausicaá morreram em cativeiro, o que levou a Sea Shepherd a processar o aquário.

Tubarão-martelo

Os trinta tubarões-martelo capturados na Grande Barreira de Coral e exportados, entre 2011 e 2018, para o aquário francês Nausicaá, o maior da Europa, morreram em cativeiro. O último dos animais morreu no final de abril deste ano.

Segundo o diretor do Nausicaá, Philippe Vallette, os tubarões morreram devido a uma infeção fúngica, mas a associação ambientalista Sea Shepherd decidiu processar o aquário, acusando-o de “maus-tratos graves” e alegando que alguns dos animais se atacaram uns aos outros.

“Os tubarões-martelo são uma espécie extremamente frágil e não se dão bem em cativeiro”, disse Lamya Essemlali, presidente da Sea Shepherd France. “São tubarões altamente migradores que precisam de grandes espaços. A lei estipula que as instalações de cativeiro devem impedir que os animais se tornem vítimas uns dos outros e, obviamente, o Nausicaá não o fez.”

“Para uma espécie ameaçada, cada indivíduo conta”, explicou a ativista. “É tudo muito pouco transparente por parte do Nausicaá. É por isso que, na nossa ação judicial, pedimos uma investigação aprofundada de tudo o que aconteceu desde o momento em que os importaram em 2011.”

Na Austrália, os grupos conservacionistas também estão a pedir ao Departamento do Ambiente para investigar o caso.

Aquário
Foto: David Owsianka

Embora o tubarão-martelo-recortado (Sphyrna lewini) seja uma espécie “Em Perigo”, de acordo com a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN, o animal foi classificado, no ano passado, pelo ex-ministro australiano do Ambiente, Josh Frydenberg, como “dependente de conservação”, uma categoria que permite que continue a ser capturado no país.

Esta decisão deixou Leonardo Guida, biólogo especialista em tubarões da Sociedade de Conservação Marinha da Austrália, “estupefacto”.

“Para começar, eles são elegíveis para classificação como Em Perigo em águas australianas”, afirmou o cientista. “Para além disso, (…) os tubarões-martelo são criaturas muito sensíveis. Ficam exaustos muito rapidamente e isso frequentemente leva à sua morte.”

“Não há qualquer benefício do ponto de vista da conservação em se tirarem tubarões da Grande Barreira de Coral na Austrália para se colocarem num aquário noutro país”, disse Nicola Beynon, da organização Humane Society International Australia. “Há riscos graves relativos ao bem-estar dos animais e isto não deveria acontecer.”

“A espécie é elegível para proteção como Em Perigo, mas não a está a receber porque é explorada para fins comerciais. Se fosse um animal terrestre, como um koala, isto nunca teria acontecido”, acrescentou.

Phillipe Vallet, contudo, acredita que a presença dos tubarões no Nausicaá fomentaria a investigação do comportamento da espécie e a sensibilização do público para este animal de forma a melhor o proteger no seu habitat natural.

1ª foto: ErikvanB/Wikimedia Commons

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