Os cientistas alertam que a hibridação cão‐lobo “ameaça a identidade genética” dos lobos e a sobrevivência a longo prazo da espécie.

Lobo

Estima-se que existam cerca de 17 mil lobos na Europa, distribuídos por vários países do continente.

Em algumas populações lupinas, a hibridação entre cães e lobos tem aumentado, impulsionada por atividades humanas que causam a destruição dos habitats e levam a um maior contacto entre os lobos e os cães vadios ou errantes.

Num novo estudo, publicado na revista científica Frontiers in Ecology and Evolution, um grupo de cientistas alerta que esta hibridação “ameaça a identidade genética” dos lobos e, consequentemente, a sobrevivência a longo prazo da espécie.

O trabalho comparou as opiniões de mais de 40 cientistas sobre esta questão. A maioria dos especialistas concordou que a hibridação cão‐lobo constitui uma ameaça para a conservação da espécie, acreditando que o público deveria ser informado do impacto dos cães errantes e que os governos deveriam remover os indivíduos híbridos das populações selvagens pequenas e em recuperação.

Híbrido
Um híbrido, resultante do cruzamento de um cão com um lobo, observado na Itália | Foto: Oasi LIPU Castel di Guido

Contudo, os cientistas não chegaram a um consenso sobre a forma como os híbridos e os cães deveriam ser removidos, nomeadamente se os mesmos deveriam ser capturados e mantidos em cativeiro, esterilizados e libertados ou abatidos.

“O desacordo surgiu da divergência de valores éticos entre cientistas de diferentes formações, como ecólogos e geneticistas, da falta de informação sobre a eficácia das diferentes intervenções e da preocupação manifestada por alguns cientistas de que, por motivos de ordem prática, a autorização da eliminação dos híbridos abrisse uma lacuna legal para o abate dos lobos”, disse Valerio Donfrancesco, principal autor do estudo, do Centro de Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter.

“Esperamos que, ao destacar as zonas de divergência e a razão por que as mesmas ocorrem, sejamos capazes de construir um parecer científico mais unificado e contribuir para uma gestão eficaz desta questão urgente”, afirmou uma dos coautoras do estudo, Nibedita Mukherjee, também da Universidade de Exeter.

“Temos de abordar esta questão antes que se realizem retrocruzamentos entre híbridos e lobos até ao ponto em que as populações lupinas se transformem em grupos híbridos, e a conservação das populações selvagens se torne inviável”, defendeu Valerio Donfrancesco.
1ª foto: Tom Bech/Flickr

Subscrever a Newsletter

0 comentários. Diz-nos o que pensas

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.