Por trás deste declínio está a agricultura intensiva, “que não deixa espaço para a natureza”, dizem os autores de um novo estudo sobre o declínio das populações de borboletas nos Países Baixos.

Borboleta Phengaris arion

As borboletas dos Países Baixos sofreram um declínio alarmante de pelo menos 84% nos últimos 130 anos, segundo um novo estudo publicado na revista Biological Conservation, que também revelou que, das 71 espécies de borboletas nativas do país, 15 ficaram extintas no último século.

“Estamos convictos de que o declínio será muito maior”, disse Chris van Swaay, um dos coautores do estudo.

A principal razão por trás deste fenómeno, segundo o investigador, é a agricultura intensiva, “que não deixa praticamente nenhum espaço para a natureza”.

“Antes dos anos 50, os prados nos Países Baixos pareciam-se muito com o que agora já só nos resta em algumas reservas naturais – eram húmidos, tinham muitas flores, eram utilizados para um pastoreio ligeiro e ceifados apenas uma ou duas vezes por ano. Era uma agricultura de baixa intensidade”, explicou.

“Duas décadas após os anos 50, o interior do país foi reconstruído – os terrenos foram drenados e plantou-se neles uma espécie de erva, foram utilizadas grandes quantidades de fertilizante e a vegetação passou a ser cortada seis vezes por ano. Não há espaço para as borboletas a não ser nas bermas das estradas e nas reservas naturais. O campo está praticamente vazio.”

Borboleta branca-do-pilriteiro
Aporia crataegi | Foto: Richard Bartz/Wikimedia Commons

Entre as espécies que desapareceram das paisagens holandesas contam-se a fritilária-dos-lameiros (Euphydryas aurinia), a branca-do-pilriteiro (Aporia crataegi) e a Phengaris arion.

O estudo holandês faz eco das descobertas de outras investigações recentes, que relatam um declínio catastrófico das populações de insetos. Na Alemanha, por exemplo, o número de insetos voadores caiu, em média, 76% em 27 anos.

“[Este declínio] também está a acontecer às aves que vivem nas zonas agrícolas e que se alimentam de insetos. Vai subindo ao longo da cadeia, dos insetos às aves, e destas aos predadores”, afirmou Chris van Swaay.

“Há grandes organizações agrícolas que querem continuar a fazer as coisas da mesma forma, mas existe um grupo crescente de agricultores que tem uma posição diferente e há políticos que querem uma Europa com mais espaço para a natureza e para a biodiversidade.”
1ª foto: Phengaris arion (Chris van Swaay)

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