O “rei da selva” poderá ficar extinto no Quénia em apenas 20 anos.

Leoas

Os leões podem ficar extintos no Quénia nos próximos 15-20 anos, caso não sejam tomadas medidas para os proteger, alertaram cientistas e conservacionistas do país.

Segundo o Serviço de Vida Selvagem nacional, o Quénia perde 100 leões por ano e estima-se que a sua população atual tenha menos de 2000 destes predadores.

Entre as principais ameaças enfrentadas pelos grandes felinos estão o crescimento da população humana e a expansão da agricultura e da pecuária, explicou o cientista e conservacionista Laurence Frank, da organização Living with Lions.

“Não há dúvida de que os números estão em queda livre. Ficaria surpreendido se chegassem a durar os 20 anos. Quando vim para cá, há três décadas, ouviam-se sempre leões a rugir (…) à noite e viam-se os seus rastos de manhã. Agora, isso é raro. A razão é simples: os leões comem o gado, e à medida que o número de pessoas aumenta, o número de vacas também cresce. A par disso, há formas cada vez mais eficazes, incluindo o envenenamento, para matar os leões”, disse.

Nos últimos 100 anos, a população de leões no continente africano sofreu um declínio de 96,5%, informou John Waithaka, presidente do Conselho de Administração do Serviço de Vida Selvagem do Quénia.

Se em 1900 existiam cerca de um milhão de leões em África, nos anos 90 já só restavam 100 mil. Mais perturbador ainda é o facto de que, 10 anos depois, a população tinha caído para 35 mil. Hoje em dia restam apenas cerca de 20 mil destes grandes felinos no continente.

No Quénia existiam 2749 destes animais em 2002; contudo a população caiu para 2280 em apenas dois anos e para 1970 em 2008, de acordo com a UICN.

John Waithaka avisa que, se os governos não tomarem medidas para travar a dizimação da fauna selvagem e das áreas protegidas, estes animais poderão desaparecer da África Oriental.

“Há muito que sabemos que os leões estão em declínio, mas isto não se trata apenas de haver menos leões; também se prende com o facto de os leões já não desempenharem um papel fulcral nos ecossistemas funcionais. As tendências [de declínio] destes animais são ilustrativas de uma crise mais profunda que acabará por afetar outras espécies menos sensíveis”, disse Hans Bauer, investigador da Universidade de Oxford.

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