Com a compra de alimentos biológicos, as pessoas podem contribuir para travar o declínio das populações de insetos no mundo.

Abelhas na equinácea

A aquisição de alimentos biológicos e a pressão sobre os governos para que estes restrinjam o uso de pesticidas nas explorações agrícolas convencionais são algumas das formas como as pessoas podem contribuir para travar o declínio das populações de insetos no mundo, defendem cientistas e ambientalistas.

A agricultura intensiva e a forte utilização de pesticidas estão entre as principais causas deste declínio, que ameaça provocar um “colapso catastrófico dos ecossistemas da natureza” devido ao papel de crítica importância que os insetos desempenham na cadeia alimentar, polinização e saúde do solo, concluiu um estudo recente.

“Trata-se definitivamente de uma emergência”, avisou o professor Axel Hochkirch, presidente do Subcomité de Conservação de Invertebrados da UICN. “É um problema real, global e dramático.”

Quando compramos comida biológica, garantimos que a terra é usada de um modo menos intensivo”, disse o cientista ao jornal britânico The Guardian. “Existem muitos estudos que mostram que a agricultura biológica é melhor para os insetos do que a intensiva. É perfeitamente lógico.”

Os nossos quintais também podem ajudar as populações de insetos em declínio. “Em vez de cortarmos a relva a cada duas semanas, [podemos] cortá-la uma vez por ano, o que é geralmente suficiente. Também é importante semear plantas nativas da zona”, explicou Axel Hochkirch.

Um estudo de 2018 revelou que a presença de plantas não indígenas nos jardins os torna em “desertos alimentares” para os insetos e para as aves.

“Não utilize fertilizantes ou pesticidas”, continuou o cientista. “Os fertilizantes são um grande problema por causa da vegetação densa que originam e que se traduz no declínio de todas estas espécies que necessitam de áreas [com vegetação] mais dispersa.”

Algumas espécies de insetos – incluindo o pequeno número que prejudica os seres humanos – estão a resistir ao declínio global. “Aqueles que nos estão mesmo a afetar não estão a sofrer declínios, como os mosquitos, que estão a alastrar-se para outros países e a propagar doenças. Estão adaptados aos ambientes humanos e também se propagam com as atividades antrópicas.”

O professor acredita que a reforma dos enormes subsídios públicos concedidos à agricultura intensiva é uma das principais medidas a tomar para ajudar os insetos. “Esta é a maior ameaça à maioria das espécies. Só pode ser abordada com a atuação no plano político”, disse. “Não é o agricultor que tem a culpa, é o sistema. O agricultor tem de se adaptar aos regimes de pagamento da União Europeia, dos Estados Unidos ou seja de onde for.”

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