A população ocidental de borboletas-monarcas atingiu mínimos históricos em 2018, tendo sofrido um declínio de 86% face ao ano anterior.

Borboleta-monarca

Todos os anos, a população ocidental de borboletas-monarcas migra para a Califórnia, onde passa o inverno. Este ano, porém, chegaram com elas más notícias.

Os resultados da contagem anual realizada pela Sociedade Xerces para a Conservação de Invertebrados revelaram que a população atingiu mínimos históricos em 2018, tendo sofrido um declínio de 86% em relação ao ano anterior.

Só foram encontradas 28 429 das famosas borboletas durante a contagem, que abrangeu 213 locais da Califórnia. Isto representa um decréscimo de 99,4% face aos anos 80, altura em que milhões destes insetos passavam o inverno no estado.

Estas descobertas são “potencialmente catastróficas” para as borboletas, segundo a bióloga Emma Pelton, e não auguram nada de bom para os outros insetos, como as abelhas, e para outros animais, incluindo as aves insectívoras.

Para além do seu papel como polinizadores, as borboletas também são um importante indicador da saúde dos ecossistemas.

É estarrecedor. Resta-nos agora menos de 1% da sua população histórica”, disse a bióloga. “Pode-se dizer que isto é como o canário numa mina de carvão para muitos dos nossos polinizadores nativos. Existe uma relação estreita entre a perda de insetos e a das nossas aves, que dependem deles.”

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Se não foram tomadas medidas para preservar estas borboletas e o seu habitat, Emma Pelton teme que elas possam desaparecer. Em 2017, uma equipa de cientistas estimou que a população de borboletas-monarcas do oeste da América do Norte tinha uma probabilidade de 72% de ficar quase extinta em 20 anos.

Tem sido apontado um conjunto de fatores para ajudar a explicar o seu desaparecimento, como a urbanização, a seca, a perda de habitat – especialmente de asclépias, as plantas de que as suas lagartas se alimentam exclusivamente –, a pulverização de herbicidas nas culturas de milho e de soja e o uso generalizado de inseticidas neonicotinóides.

Emma Pelton especula que a perda de árvores de grande porte, causada pelas secas, também estará por trás do decréscimo dos números destes insetos.

A outra população de borboletas-monarcas, a oriental, que passa o inverno no México em vez da Califórnia, também não está livre de perigo, tendo sofrido um declínio de mais de 80% nos últimos 20 anos.

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Foto: Sociedade Xerces / Candace Fallon

Apesar das más notícias, a Sociedade Xerces acredita que nem tudo está perdido e que a tendência de declínio pode ser revertida, se os cidadãos e os governos agirem agora.

O grupo recomenda que as pessoas plantem asclépias e outras plantas nativas ricas em néctar para ajudar a restaurar o habitat das borboletas, fornecendo-lhes alimento e pontos de descanso ao longo da sua rota migratória.

Outra medida importante é a redução do uso de pesticidas – especialmente neonicotinóides – e herbicidas.

Quem não tiver jardim pode contribuir através da observação destes insetos e da posterior comunicação de informação sobre os avistamentos.

A Sociedade Xerces está a encorajar os governos a identificar o habitat das borboletas e a adotar planos de gestão que protejam estes locais de ameaças como o abate ou a poda incorreta de árvores. As cidades também podem ajudar a restaurar os habitats com a plantação de árvores, que fornecerão às gerações futuras de borboletas-monarcas novos lugares para passar o inverno.

Em conjunto com agricultores, cidades e outros parceiros, a associação está atualmente a plantar e a restaurar o habitat no Vale Central da Califórnia – uma zona de grande importância para as borboletas.

“Podemos prometer que as borboletas-monarcas vão recuperar e voltar a encher os céus da Califórnia? Infelizmente, não”, disse o diretor executivo da Sociedade Xerces, Scott Hoffman Black. “Mas não seremos a geração que testemunhou esta perda e ficou de braços cruzados sem fazer nada para a travar.”

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