Um estudo revelou que as lesões causadas nos peixes pelos anzóis durante o "pesque e solte" afetam a capacidade destes animais de se alimentarem.

Pesca

Os ferimentos causados na boca dos peixes pelos anzóis durante a “pesca e devolução” prejudicam a capacidade destes de capturarem presas e de se alimentarem devidamente, concluiu um estudo liderado por uma equipa de investigadores da Universidade da Califórnia, Riverside.

A modalidade de captura e devolução, também conhecida como pesca sem morte ou “pesque e solte”, é comum na pesca lúdica ou desportiva e os seus adeptos utilizam frequentemente anzóis sem farpa para reduzirem os danos causados aos animais.

Contudo, apesar de muitos considerarem o “pesque e solte” inócuo, já que o peixe é devolvido à água vivo, uma equipa de cientistas da Califórnia concluiu que a prática pode ter consequências indesejadas.

Quando um peixe é capturado pela boca e o anzol é depois removido, isto deixa um ferimento na boca do animal, que pode comprometer o sistema de alimentação por sucção usado por muitas espécies-alvo, como a truta e o salmão.

“O sistema de alimentação por sucção é, de certo modo, semelhante à forma como bebemos líquidos com uma palhinha [canudinho, no Brasil]”, explicou Tim Higham, professor da Universidade da Califórnia e um dos coautores do estudo. “Se se fizer um buraco na palhinha, ela vai deixar de funcionar como deve ser.”

Durante a alimentação por sucção, os peixes expandem rapidamente as suas bocas, criando uma pressão negativa que puxa a presa para a boca do animal. Tim Higham e os seus colegas perguntaram-se se a presença de um buraco extra, causado pela remoção do anzol, poderia desestabilizar este sistema.

Anzol
Anzol com barbela | Foto: AntanO/Wikimedia Commons

Para o estudo, que foi publicado na revista científica The Journal of Experimental Biology, os cientistas analisaram o efeito de diferentes métodos de pesca em 20 peixes capturados perto do Centro de Ciências Marinhas de Bamfield, no Canadá. Dez foram capturados com redes e os restantes com anzol.

Os peixes foram imediatamente transportados para um laboratório, onde o seu comportamento foi acompanhado com a ajuda de câmaras. Os cientistas ofereceram-lhes alimento e notaram que, embora todos tenham manifestado igual interesse na comida, os que tinham sido capturados com anzóis apresentaram dificuldades em se alimentar. Depois dos testes, os peixes foram libertados.

“Como tínhamos previsto, os peixes com os ferimentos na boca apresentaram uma redução na velocidade com a qual conseguiam puxar presas para as suas bocas. Esta situação verificou-se apesar de termos usado anzóis sem barbela, que são menos prejudiciais do que os com farpa”, disse Tim Highman.

“Pensamos que haveria um impacto, mas (…) não sabíamos ao certo se obteríamos um resultado significativo”, confessou o professor. “Quando vimos a redução de 35% na capacidade de se alimentarem, ficamos muito surpreendidos. Foi muito mais do que estávamos à espera.”

Para se determinarem os efeitos a longo prazo desta condição, o professor explicou que são necessários mais estudos sobre o assunto.

“Embora ainda não saibamos como/se esta redução no desempenho alimentar afeta a condição física e a capacidade de sobrevivência na natureza, podemos dizer que as lesões induzidas pela pesca afetam a capacidade de o peixe se alimentar enquanto a sua boca recupera”, disse. “Este estudo enfatiza que a captura e devolução não se trata simplesmente de remover o anzol e tudo ficar bem; é um processo complexo que deve ser alvo de estudos mais aprofundados.”
1ª foto: U.S. Forest Service - Pacific Northwest Region/Flickr


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10 comentários. Diz-nos o que pensas

  1. As pessoas, antes de pescarem, deviam espetar o anzol nas suas partes íntimas, para sentirem a dor que os peixes sentem. Que raiva que isto dá >:(

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    1. Essa prática de espetar coisas em todas as partes do corpo já é feita pelos humanos. Só alguns exemplos: tatuagens, piercings, brincos, etc. O sistema nervoso dos peixes é totalmente diferente do nosso. Seus receptores além de ser em uma quantidade mínima, não reconhecem a dor como os nossos, mas semelhante a um incômodo provocado por um corpo estranho, mas mesmo assim os pescadores esportivos e conscientes, se preocupam demais com a integridade dos peixes.

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    2. Vc não sabe o que está escrevendo. A pesca esportiva mantém o pouco que p homem está dizimando.

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  2. Estude um pouco mais, Srta. Mel... Peixes não possuem terminações nervosas, portanto, não sentem dor!

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    1. Laziê quem tem que estudar é você. De onde você tirou tamanho absurdo? Se peixes não sentissem dor não haveria abate humanitário de peixes, se peixes não sentissem dor quando precisassem de cirurgia não precisariam de anestesia e olhe que esses são só alguns exemplos.

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    2. Não sei quais peixes necessitam de cirurgia, nunca ouvi ou vi alguém fazer um cirurgia para tratamento em peixes, o que você pode ter visto é a implantação de radiotransmissores iguais as coleiras de animais terrestres, servem para acompanhar a migração e movimentação dos peixes, a anestesia serve apenas para manter o peixe calmo e parado durante o processo, geralmente é utilizado eugenol que reduz a capacidade de movimentação, porém não tem efeito no sistema nervoso, se sentissem dor como nós sentimos haveriam espasmos durante essa implantação e isso não acontece. Sobre o abate Humanitário, apesar de não sentirem dor peixes sentem stress, com isso os níveis de cortizol são aumentados, podendo causar lesões e também uma flacidez precoce na carne, o abate humanizado, geralmente com gelo é muito mais para evitar o stress e manter a qualidade da carne que evitar que a dor. Lembrando também que somente quando se pode praticar uma atividade rentável em uma área preservada ela se manterá assim, o peque e solte é uma dessas atividades, já participei de pesquisas onde mais de 85% dos peixes capturados sobrevivem e 90% deles voltam a se alimentar normalmente em 3 dias e em 10 dias todas as feridas cicatrizam. Os peixes pescados, geralmente são predadores e muitas das espécies de que eles se alimentam possuem ferrões e espinhos, se eles sentissem dor na boca não conseguiriam se alimentar.

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  3. Houve uma época em que até assistíamos o 'Terra da Gente', da EPTV, de Campinas. Víamos até começar essa coisa ridícula da pesca esportiva. Nela, trogloditas (nenhuma ofensa aos trogloditas) se vangloriam mostrando o peixe durante dezenas de segundos para as câmeras, efetivamente afogando o peixe fora do seu ambiente. Patético.

    O mais daninho da pesca é o fato dela normalmente ser predatória, levando à morte várias espécies marinhas (golfinhos, tartarugas, etc.) para apanhar determinada espécie de peixe. Quem come peixe, sustenta essa indústria.

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  4. Ô sujeito, você é livre para omitir sua opinião. Mas dentre os pescadores esportivos há um consenso em defesa da integridade do peixe. Nós, pescadores esportivos de verdade, somos os que mais pregam a preservação da natureza, mais específico ao quê esta associado aos rios e mares; logo porquê a prática do pesque e solte é o que ajuda a sustentar o segmento da pesca esportiva no mundo. Um segmento que gera um lucro de bilhões/ano só aqui no Brasil. É só pesquisar! Além do mais, há vários relatos registrados que um mesmo peixe já foi fisgado várias vezes. Graças à política do pesque e solte. E só pra finalizar, a pesca predatória não deve ser defendida mesmo, mas assim como há como há criação de gado, ovelha, abelha, pode e há uma psicultura sustentável.

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  5. Na minha opinião é uma imensa estupidez e crueldade, ferir o peixe e devolvê-lo à água. Sangrando corre o risco de virar presa fácil. Se não se recuperar, morre lentamente sofrendo.
    Chamar de "pesca lúdica," é ser também, muito hipócrita.
    "Pesca lúdica?" Com um azol enfiado no dos outros? Muito fácil!
    Deixa de ser cínico!
    Se vai pescar, seja humano, leve o peixe pra casa e coma. Please!

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  6. onde está esse estudo?
    qual o site?
    tenho certeza que nem existe é uma invenção de algum esquerda que quer cercear até mesmo o hobbie das pessoas

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