Os concursos de abate de coiotes deixam de poder ser realizados em terras estatais do Novo México.

Coiote

Stephanie Garcia Richard, recém-eleita Comissária para as Terras Públicas do estado norte-americano do Novo México, proibiu os concursos de abate de coiotes em quase quatro milhões de hectares de terras do estado, descrevendo-os como uma “prática brutal, bárbara e desumana”. A proibição também se aplica a outras espécies não protegidas.

“As pessoas que queiram organizar competições para ver quem consegue acumular o maior número de carcaças de coiotes (…), de hoje em diante, não poderão fazê-lo nas terras estatais”, disse a Comissária. “Isto não são concursos de caça – são concursos de crueldade.”

Segundo os defensores da vida selvagem, todos os anos são organizados entre 20 e 30 competições de abate de coiotes no Novo México.

“Estes eventos macabros são organizados em quase todos os estados dos EUA, e os participantes competem para ver quem mata o maior número de animais ou o animal – coiote, lince, raposa ou até um puma e inúmeras outras espécies – de maiores dimensões. Os animais são mortos apenas pelo dinheiro, pelos prémios ou para que se possam gabar do feito; os seus corpos acabam muitas vezes por ser descartados como lixo”, declarou Kitty Block, presidente da organização Humane Society.

A decisão da Comissária foi criticada pelos fazendeiros do estado, que veem estes concursos como uma ferramenta legítima para o controlo das populações destes predadores, encarados como ameaças à produção pecuária.

Contudo, segundo o cientista Robert Crabtree, a maioria das medidas de controlo elimina os coiotes que não estão a importunar o gado e pode até resultar num maior, e não num menor, número de coiotes.

O cientista explica que o tamanho médio das ninhadas destes animais é de cinco ou seis crias; no entanto, por causa de toda a competição no verão, apenas entre 1,5 e 2,5 crias sobrevivem. Quando os coiotes são mortos pelos seres humanos, a diminuição da competição traduz-se numa taxa mais elevada de sobrevivência das crias.

Para além disso, “a exploração das populações de coiotes e a perturbação da sua estrutura social resulta num maior número de coiotes juvenis e inexperientes, mais propensos a considerarem o gado como presas”, destacou ainda Mary Katherine Ray, da organização Rio Grande Chapter.


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