O estado de Washington decidiu criar o seu maior ecoduto para proteger a fauna selvagem e os condutores.



Para os animais selvagens, a movimentada autoestrada Interstate 90 é uma barreira que atravessa os seus habitats, restringe a sua circulação e que se pode revelar mortífera, caso a tentem atravessar.

“Todos [os animais], desde os veados às pequenas salamandras, precisam de se movimentar para encontrar comida, parceiros, novos lugares para viver quando as suas populações se expandem, as condições mudam ou quando um incêndio deflagra”, disse Jen Watkins, da organização Conservation Nortwest.

A pensar nisto, o estado de Washington decidiu criar o seu maior ecoduto – uma passagem superior específica para a vida selvagem – que permitirá aos animais atravessar a autoestrada em segurança.

O ecoduto terá árvores e arbustos nativos da floresta circundante para que os animais “nem se apercebam de terem deixado a floresta”.

Apesar de estar em fase de conclusão, a estrutura de 11 metros de altura e 20 metros de largura já teve um utilizador. Uma câmara captou imagens de um coiote a fazer a travessia sobre a I-90. “Estamos ansiosos por ver que outras espécies atravessarão”, escreveu o Departamento de Transportes de Washington no Twitter.

O ecoduto localiza-se numa zona que os cientistas identificaram como parte de uma rota natural de migração entre a Cordilheira das Cascatas e o Lago Keechelus.


O ecoduto da Interstate 90 em construção | Foto: Conservation Northwest

A ponte verde da I-90 faz parte de um número crescente de passagens para a vida selvagem nos EUA. Estas estruturas, uma combinação de passagens inferiores, passagens superiores e vedações, têm como objetivo aumentar a segurança dos condutores e dos animais.

O crescimento populacional, o aumento significativo dos números de veados e a urbanização têm resultado num maior número de atropelamentos de espécies da fauna selvagem. As colisões de viaturas com os animais raramente são fatais para os seres humanos, mas são frequentemente mortíferas para a vida selvagem.

Num trecho da autoestrada 9 do estado do Colorado, os veículos atropelavam mais de 55 veados (em média) todos os invernos. Depois da construção de várias passagens, o número de atropelamentos caiu para cerca de oito por inverno.

No Parque Nacional de Banff, no Canadá, estudos mostraram que as pontes, passagens inferiores e barreiras para a vida selvagem reduziram em 80% as colisões entre animais e viaturas da área. No Wyoming, a queda do número de atropelamentos foi superior a 85%.

Embora um dos obstáculos à construção destas estruturas costume ser o financiamento, a bióloga Patty Garvey-Darda do Serviço Florestal dos Estados Unidos, que tem trabalhado na ponte verde da I-90 desde o início do projeto, acredita que a passagem de seis milhões de dólares acabará por se pagar a si própria, ao evitar que a circulação automóvel seja parcial ou totalmente interrompida devido a colisões com animais. “Quando se corta a I-90, corta-se o comércio interestadual”, disse.

Um estudo de 2008 do Departamento de Transportes dos EUA revelou que as colisões entre animais e viaturas custavam, na altura, cerca de oito mil milhões de dólares à economia, incluindo todo o tipo de despesas, desde reparações de automóveis à eliminação de carcaças, passando por atendimentos de urgência.


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