Análise revela venenos para rato em mais de 90% dos pumas, 85% das martas-do-canadá e 88% dos linces testados.

Puma

Uma análise do Departamento de Regulamentação de Pesticidas da Califórnia revelou dados surpreendentes e preocupantes. Mais de 90% dos pumas, 85% das martas-do-canadá e 88% dos linces testados haviam sido expostos a venenos para ratos. A análise de 11 estudos também documentou estes venenos em corujas.

“Estas novas e alarmantes provas deveriam incentivar o estado norte-americano a proibir estes venenos perigosos”, disse Jonathan Evan, do Centro para a Diversidade Biológica. “Existem alternativas mais seguras e baratas que reduzem consideravelmente os riscos para a vida selvagem, para os animais de estimação e para as crianças. As autoridades reguladoras de pesticidas não têm qualquer desculpa para continuarem a permitir que os animais selvagens da Califórnia sejam condenados a mortes lentas e muito dolorosas.”

Em 2014, o estado norte-americano limitou a venda e o uso de rodenticidas anticoagulantes de segunda geração – que matam com apenas uma dose – a operadores autorizados. Os venenos também são permitidos no sector agrícola, para controlar os roedores que ameaçam as culturas agrícolas.

Um dos problemas da utilização destes venenos é que outros animais, como os pumas, linces, coiotes ou corujas, se podem alimentar dos roedores que os ingeriram, tornando-se vítimas não intencionais. Embora a ingestão de um rato envenenado possa não ser suficiente para matar um animal de maior porte, a ingestão de vários poderá ser fatal.

Também existem provas de que o efeito cumulativo do veneno pode ser igualmente fatal ou provocar problemas graves de saúde.

Lince
Cria de lince pardo (Lynx rufus) | Foto: David R. Tribble/Wikimedia Commons

O Departamento de Regulamentação de Pesticidas da Califórnia encontra-se atualmente a ponderar possíveis modificações aos regulamentos, após ter sido pressionado por grupos de conservacionistas a reavaliar sete pesticidas – brodifacume, bromadiolona, difetialona, difenacume, difacinona, clorofacinona e warfarina.

Os danos causados pelos rodenticidas anticoagulantes de 2ª geração na Califórnia estão bem documentados. Mais de 70% da fauna selvagem testada no estado durante os últimos anos esteve exposta a estes perigosos venenos. As autoridades descobriram envenenamentos em mais de 25 espécies de animais, incluindo espécies ameaçadas.

Todos os anos são relatados milhares de incidentes com crianças e animais de companhia causados por raticidas anticoagulantes nos Estados Unidos. Segundo a Agência de Proteção Ambiental, as crianças de famílias com baixos rendimentos são expostas de uma maneira desproporcional a estes venenos.

Existem outras formas de lidar com os roedores em casa ou na quinta, incluindo a selagem de fendas e fissuras, a eliminação de fontes alimentares que os atraiam, a instalação de caixas-ninho para corujas em zonas rurais para encorajar a predação natural e a utilização de armadilhas que não envolvam substâncias químicas tóxicas.

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