Uma cientista propõe soluções simples para salvar as abelhas e os outros polinizadores.

Abelha

As abelhas e os outros insetos polinizadores estão em declínio no mundo. E se o colapso das suas populações pudesse ser evitado com a adoção de uma nova estratégia agrícola que atrairá estes animais para os campos e aumentará a produtividade das plantações?

Esta é a proposta de Stefanie Christmann, cientista do Centro Internacional de Investigação Agrícola em Regiões Áridas, cujo novo estudo revela os ganhos substanciais, em termos económicos e ambientais, que podem ser obtidos com a plantação de culturas pouco dispendiosas com floração – como oleaginosas, especiarias, plantas medicinais e forrageiras – num quarto das terras de cultivo.

A cientista apresentou os resultados deste estudo durante a Conferência da ONU sobre Biodiversidade, que teve lugar em novembro, no Egito.

Numa altura em que os declínios das populações de insetos se tornam cada vez mais alarmantes, a necessidade de mudanças é evidente. Na Alemanha, os insetos voadores sofreram um declínio dramático de 76% em três décadas. Em Porto Rico, a queda dos seus números foi ainda mais acentuada.

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Foto: Tambako The Jaguar/Flickr

A essência da técnica em que Stefanie Christmann tem trabalhado nos últimos anos, com ensaios de campo no Uzbequistão e em Marrocos, consiste em reservar uma em cada quatro faixas de cultivo para culturas com floração.

A cientista também disponibiliza aos polinizadores locais para nidificação, como madeira velha e terra batida, e planta girassóis perto para os abrigar do vento.

“Qualquer pessoa, mesmo nos países mais pobres, o pode fazer. Não é preciso equipamento, tecnologia, só um pequeno investimento em sementes. É muito fácil”, explicou.

Os resultados mostraram um aumento na abundância e diversidade dos polinizadores e benefícios “surpreendentes” para os agricultores.

As plantações foram polinizadas de forma mais eficiente, houve menos pragas e os rendimentos aumentaram em quantidade e qualidade, conta o The Guardian.

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Nas quatro regiões climáticas que a cientista estudou, esta técnica levou a um aumento da receita total dos agricultores, embora os benefícios tenham sido mais acentuados em terras degradadas e em explorações sem abelhas.

Os maiores ganhos verificaram-se em climas semiáridos, onde os rendimentos das abóboras aumentaram 561%, das beringelas 364%, das favas 177% e dos melões 56%. Em zonas com chuva adequada, as colheitas de tomate duplicaram e de beringela aumentaram 250%. Nos campos nas zonas de montanha, a produção de courgettes triplicou e a de abóboras duplicou.

Stefanie Christmann também quer ver mudanças nas políticas nacionais de paisagem. Trabalhando com os ministérios de turismo, agricultura e comunicação, a cientista quer sensibilizar para os benefícios económicos dos polinizadores selvagens e encorajar a plantação de mais flores silvestres, arbustos de bagas e árvores de flor.

Teríamos muitos mais insetos, flores e aves. E seria muito mais autossustentável. Até os países mais pobres do mundo o podiam fazer”, afirmou a investigadora, acrescentando que espera encontrar resistência por parte das empresas de agroquímicos. “Acho que a Monsanto não vai gostar porque eles querem vender os seus pesticidas e esta abordagem reduz as pragas de forma natural.”

“Isto não pode esperar. As abelhas, moscas e borboletas precisam de medidas urgentes. Tenho 59 anos e queria vê-los protegidos a nível mundial antes de me reformar, por isso tenho de me apressar”, disse.
1ª foto: Kuhnmi/Flickr

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