Quem vive numa zona urbana bem arborizada tem menos probabilidade de ser hospitalizado com uma crise de asma.

Árvores na cidade

A presença de um maior número de árvores nas zonas urbanas pode reduzir a incidência de ataques de asma, revelou um estudo da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina desta universidade estudou o impacto da vegetação urbana nesta doença inflamatória e disse que os resultados obtidos sugerem que a plantação de árvores nos bairros urbanos pode ajudar a reduzir os efeitos nocivos da poluição atmosférica gerada pelos automóveis.

Em Portugal, a asma afeta 700 mil pessoas e estima-se que custe ao Estado cerca de 550 milhões de euros por ano. A poluição do ar é um importante fator para a exacerbação das doenças respiratórias.

O estudo da Universidade de Exeter, publicado na revista científica Environment International, analisou mais de 650 mil casos de agudização da asma num período de 15 anos, na Inglaterra, comparando internamentos de urgência em 26 mil bairros.

Nas zonas urbanas com níveis elevados de poluição atmosférica, os investigadores encontraram uma ligação particularmente forte entre as árvores e um número inferior de episódios de urgência por asma. Nestas zonas mais poluídas, a presença de 300 árvores adicionais por quilómetro quadrado foi associada a menos cerca de 50 destes episódios de urgência por cada 100 mil residentes, num período de 15 anos. Em bairros com pouca poluição, as árvores não tiveram o mesmo impacto.

“Queríamos determinar a forma como a vegetação urbana pode estar relacionada com a saúde respiratória”, disse Ian Alcock, autor do estudo. “Sabemos que as árvores removem os poluentes atmosféricos que podem causar crises de asma, mas, em algumas situações, também podem causar acumulações localizadas de partículas, ao prevenirem a sua dispersão pelo vento. E a vegetação também pode produzir pólen alergénico que exacerba a asma.”

“Descobrimos que, em última análise, a vegetação urbana parece fazer significativamente mais bem do que mal. Contudo, os efeitos não foram iguais em todos os lugares. Os espaços verdes e jardins foram associados a reduções nos internamentos por asma em [zonas com] níveis de poluentes mais baixos, mas não nas zonas urbanas mais poluídas”, explicou o investigador.

“Com as árvores, verificou-se o contrário. É possível que os pólenes das gramíneas [relvas] se tornem mais alergénicos quando combinados com os poluentes atmosféricos de modo que os benefícios dos espaços verdes diminuem com o aumento da poluição. Em contrapartida, as árvores conseguem remover com eficácia os poluentes do ar e isto pode explicar porque parecem ser mais benéficas onde as concentrações são elevadas.”

São inúmeros os estudos que têm vindo a mostrar os benefícios das árvores e dos espaços verdes urbanos para a saúde mental e física. De acordo com um relatório do Instituto para a Política Ambiental Europeia, quem vive perto de árvores e espaços verdes tem menos probabilidade de ser obeso, inativo ou de estar dependente de antidepressivos.

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