A maior universidade do México está a criar jardins urbanos dedicados aos beija-flores para ajudar a proteger estas pequenas aves.

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São aves carismáticas, de pequeno porte e cores extravagantes. Existem mais de 300 espécies de beija-flor no mundo – todas nativas das Américas – e 58 estão presentes no México, onde algumas lendas locais os veem como mensageiros de entes queridos que já partiram.

Das espécies do México, 13 estão em perigo de extinção e cinco encontram-se ameaçadas. À semelhança de outros polinizadores, os números de beija-flores também têm sofrido declínios devido a um conjunto de fatores, que incluem a perda de habitat, a propagação de espécies invasoras e a utilização de pesticidas.

Estas ameaças levaram a UNAM, a maior universidade do México, a lançar um projeto ambicioso para proteger e monitorizar estas pequenas aves, através da criação de jardins urbanos com flores de cores vivas, escolhidas especialmente para elas.

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Enquanto se alimentam do néctar das flores, os beija-flores pairam no ar, batendo as suas asas até 200 vezes por segundo | Foto: Kathy & Sam

O primeiro jardim

Em 2014, a professora e investigadora María del Coro Arizmendi Arriaga decidiu criar um jardim dedicado aos colibris na Faculdade de Estudos Superiores Iztacala, semeando, para tal, algumas das flores preferidas destas aves.

Desde então, muitos espécimes têm visitado o espaço e outras instituições e escolas têm pedido à professora para criar mais jardins. O projeto conta agora com vários destes espaços na área metropolitana da Cidade do México e já inspirou os cidadãos a fazer os seus próprios jardins, ajudando assim a alimentar os beija-flores durante a sua longa rota de migração.

“Não importa se se tem um quintal ou apenas um vaso de flores. Se as pessoas atraírem e alimentarem estas aves, utilizando o espaço de que dispõem, isso contribui imenso para a conservação da espécie”, disse María del Coro.

Também foram criados jardins em creches e lares de idosos. “É um projeto que custa muito pouco dinheiro e entusiasma muitas pessoas”, comentou a investigadora.



“O propósito deste projeto é implementar jardins de colibris para atrair estes animais e para lhes proporcionar recursos alimentares numa cidade onde o seu habitat natural foi deteriorado, utilizando [estes espaços] como meio de educação ambiental para destacar a importância da conservação destas aves como polinizadoras”, explicou a UNAM.

“Desta maneira, e de forma colateral, propõe-se promover como passatempo a observação destes animais entre os habitantes de cidades cuja perceção do meio natural é mínima.”

Os beija-flores são responsáveis pela polinização de um grande número de espécies na natureza, especialmente das plantas que requerem polinizadores de bico longo.

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No México, o macabro comércio de talismãs também ameaça estas pequenas aves. Beija-flores taxidermizados são vendidos por 2000 pesos como amuletos destinados a dar sorte no amor.

A UNAM também possui uma estação de monitorização de colibris – um projeto conjunto com investigadores dos Estados Unidos e do Canadá.

O sítio, recuperado pela universidade, possui redes que permitem aos cientistas capturar as aves, colocar-lhes uma anilha de identificação e, posteriormente, libertá-las. O objetivo é monitorizar o estado da população e os seus padrões de migração.
1ª foto: Calypte anna (Becky Matsubara)


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