O mundo pode ter algumas coisas a aprender com a capital da Holanda, no que toca à proteção dos polinizadores.

Abelha

As populações de abelhas e outros insetos polinizadores estão em declínio no mundo. Na capital holandesa, contudo, a diversidade de espécies de abelhas selvagens e melíferas aumentou 45%, desde 2000.

Qual é o segredo por trás deste êxito? A cidade atribui-o à criação de habitats com plantas nativas e flores silvestres, à instalação de “hotéis para insetos” em vários pontos da capital e à proibição do uso de pesticidas químicos em terras públicas.

“Os insetos são muito importantes porque são o início da cadeia alimentar”, disse Geert Timmermans, um dos oito ecólogos a trabalhar para a cidade. “Quando as coisas correm bem para os insetos, também correm bem para as aves e para os mamíferos.”

A cidade de Amesterdão criou um fundo de sustentabilidade de 30 milhões de euros para melhorar as suas condições ambientais – não só para as abelhas, mas para todo o ecossistema. E, há quatro anos, começou a substituir a vegetação dos seus espaços verdes por plantas nativas. A meta é fazê-lo em metade de todos os espaços verdes públicos, conta a NBC.

“A nossa estratégia, quando projetamos um parque, é usar espécies nativas e também as que exibem muita floração e dão fruto [para as abelhas]”, explicou Geert Timmermans.

Abelha

Os cidadãos e as empresas são informados de alternativas aos pesticidas que podem utilizar nos terrenos privados. “[As pessoas] reconhecem a importância do ambiente natural. Faz parte da cultura”, disse o ecólogo.

Telhados verdes e hotéis de insetos

A cidade também encoraja a instalação de telhados verdes nos edifícios, através da concessão de subsídios. Estas coberturas ajardinadas ajudam a regular as temperaturas no interior das estruturas, reduzindo a dependência de sistemas de aquecimento e arrefecimento, para além de criarem habitats para a biodiversidade urbana.

O hotel holandês Zoku, por exemplo, criou um jardim no telhado do seu edifício com uma grande variedade de plantas, incluindo arbustos ameaçados, musgo, ervas aromáticas e até vegetais. 46% dos custos do projeto foram financiados pela cidade.

Jardim no telhado do hotel
O jardim no telhado do hotel Zoku

“As pessoas ficam aqui (…) e dizem que não querem ir-se embora, não querem ir para a cidade”, contou Veerle Donders, gerente de marca do hotel. “Dizem que gostam de ver o pôr do sol e acalmar a mente da correria da vida urbana.”

A cobertura verde é um refúgio para os visitantes e também para as abelhas, que voam atarefadas entre as flores e se abrigam nos hotéis para insetos instalados em algumas das paredes exteriores. Estes hotéis são estruturas de madeira com buracos, onde as abelhas solitárias e outros insetos fazem os seus ninhos.

A preocupação com a vida selvagem estende-se a outras espécies. Alguns edifícios da capital exibem pequenos buracos perfurados nas paredes exteriores, destinados a servirem de local de nidificação ou abrigo a morcegos, andorinhões e outras aves.

Geert Timmermans conta à NBC que os cidadãos também podem solicitar à cidade a remoção de uma faixa de 40 cm do passeio junto às suas casas para nela plantarem arbustos, flores ou trepadeiras.

Hotel para abelhas
Hotel para abelhas

Embora as populações de abelhas estejam a recuperar em Amesterdão, 66% das espécies destes insetos no país continuam ameaçadas.

Por trás do declínio global das abelhas estão ameaças como a perda de habitat, causada especialmente pela urbanização e pela expansão da agricultura, o uso de pesticidas, os parasitas e as doenças.

A pensar nisso, o governo holandês adotou, este ano, uma “Estratégia para os Polinizadores”, que visa a proteção destes animais, vitais para três quartos das principais culturas agrícolas do mundo.

Flores silvestres e estradas de mel

Depois de as abelhas no seu apiário começarem a morrer, Deborah Post fundou a Honey Highway, uma organização que planta flores silvestres nas bermas das estradas.

“As abelhas e os insetos não têm comida porque tudo é verde, tudo é relva”, disse, referindo-se à sua propriedade rural, a 60 km de Amesterdão, rodeada por explorações leiteiras.

Quando, em 2015, uma nova autoestrada começou a ser construída na zona, Deborah pediu ao governo autorização para plantar flores silvestres ao longo das suas bermas.

Flores silvestres na autoestrada
Uma das "estradas de mel" da Honey Highway

Esta experiência acabou por se revelar um sucesso. As suas abelhas estão a prosperar e as flores silvestres também, apesar de um verão excecionalmente quente e seco.

O trabalho da Honey Highway não acabou aqui. A organização continuou a semear flores ao longo de outras estradas, de diques e de caminhos-de-ferro. As flores são de espécies indígenas e são escolhidas de acordo com a zona onde vão ser plantadas.

Por vezes, as crianças dão uma ajuda na plantação. O objetivo é envolvê-las no processo e sensibilizá-las para as necessidades das abelhas.

Para o futuro, Deborah espera conseguir que esta ideia chegue mais longe, levando mais cor e vida a outras estradas e a outros países.


Vídeo: A história da Honey Highway

Subscrever a Newsletter

0 comentários. Diz-nos o que pensas

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.