Uma análise realizada na Itália descobriu microplásticos em 18 refrigerantes, incluindo na Coca-Cola, Seven Up, Pepsi, Sprite e Fanta.

Refrigerantes

Já foi encontrado no sal, no peixe, no mel, na água da torneira e no ar que respiramos. O plástico também está presente nas profundezas marinhas, no solo das montanhas e em outros locais remotos.

A revista italiana Il Salvagente decidiu testar a presença de partículas de plástico em 18 refrigerantes, incluindo limonadas, laranjadas, iced tea, cola e água tónica. As bebidas foram analisadas num laboratório do Grupo Maurizi, utilizando corante vermelho de Nilo.

Dada a presença generalizada de partículas de plástico no ambiente, os resultados não foram inesperados. Todas as 18 garrafas testadas – de marcas como a 7 Up, Pepsi, Schweppes, Coca-Cola, Fanta e Sprite, entre outras – estavam contaminadas com este material.

As concentrações variaram entre um mínimo de 0,89 mpp/l (micropartículas por litro) e um máximo de 18,89 mpp/l. As partículas encontradas – conhecidas como microplásticos – têm dimensões tão reduzidas que são praticamente invisíveis a olho nu, tornando impossível a tarefa de as evitar.

Os efeitos da ingestão de plástico na saúde humana ainda são desconhecidos e só agora começam a ser estudados. Os cientistas veem com inquietação o facto de os microplásticos poderem agir como “esponjas”, acumulando e transportando substâncias químicas tóxicas.

“As partículas mais pequenas de microplástico são capazes de entrar na circulação sanguínea, no sistema linfático e podem chegar ao fígado”, disse Philipp Schwabl, investigador que liderou um estudo que detetou microplásticos nas fezes de todas as pessoas estudadas. “Necessitamos de mais pesquisas para perceber o impacto na saúde humana.”

O método que utiliza corante vermelho de Nilo já foi usado em diversos estudos, inclusive numa análise que detetou a presença de microplásticos na água engarrafada, mas é contestado por algumas marcas, que levantam a possibilidade de falsos positivos. A revista Il Salvagente acredita, contudo, que a técnica “continua a ser uma das mais avançadas atualmente disponíveis” e lembra que “os resultados obtidos em todos os testes efetuados a alimentos mostram sempre a presença de microplásticos”.

“Não queremos acabar na mesma situação dramática em que nos encontrámos no caso do amianto, um material considerado seguro e inerte durante muitos anos antes de se descobrir, demasiado tarde, a seriedade e amplitude dos danos que tinha provocado aos seres humanos”, disse Matteo Fago, administrador da Il Salvagente.

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