Um projeto agrícola pioneiro que utiliza técnicas que remontam ao séc. XIII transformou uma quinta num refúgio para animais ameaçados e flores silvestres.

Campo de girassóis

Um projeto agrícola pioneiro que utiliza técnicas que remontam ao séc. XIII transformou uma faixa da orla costeira do sul do País de Gales num refúgio para animais ameaçados e flores silvestres.

Na paisagem agrícola dividida em faixas de Vile, o número de espécies de flores silvestres triplicou e foram avistadas 23 espécies de aves raras no país – como o tartaranhão-cinzento (Circus cyaneus) e a cigarrinha-malhada (Locustella naevia) – e quatro tipos de répteis ameaçados.

Num destes campos, foram avistadas 63 borboletas em apenas 60 segundos, um marcado contraste com as seis avistadas nas pastagens vizinhas, cultivadas com métodos convencionais.

O projeto foi lançado há dois anos pelo National Trust (Fundo Nacional para Locais de Interesse Histórico ou Beleza Natural) para restaurar por completo os campos cultivados tradicionalmente em Vile até ao fim dos anos 40, altura em que se assistiu à intensificação da agricultura no Reino Unido.

Pintarroxos nos campos de Vile
Pintarroxos nos campos de Vile | Foto: National Trust / Mark Hipkin

Os campos são cultivados segundo o sistema de campo aberto, um sistema que remonta ao período medieval e que permitia aos camponeses partilharem a terra, alugando faixas do terreno ao proprietário, para cultivarem as suas próprias plantações.

Em Vile, funcionários e 80 voluntários criaram 2000 metros de sebes e divisões, que tornaram seis campos num mosaico de 17 áreas diferentes.

As culturas plantadas pela equipa incluem aveia, cevada, espelta, milho-painço e trigo-sarraceno, juntamente com flores como papoilas, alfazema e tremoceiros. Os campos de girassóis atraíram muitas abelhas e outros insetos.

“Ao plantarmos grandes quantidades de girassóis, papoilas e as nossas outras culturas, atraímos mais polinizadores e aves. De facto, este ano, caminhando nos campos de girassóis, vimos um abelhão em praticamente todos os girassóis”, disse Mark Hipkin, do National Trust.

Na altura da colheita, a equipa deixa para trás um pouco das culturas. As sementes secam e atraem as aves. A linhaça, por exemplo, atrai os pintarroxos e as sementes de girassol que sobram servem de alimento às aves que passam o inverno na região.

Abelhão
Foto: National Trust / John Miller

O National Trust admite que este ainda não é, pelo menos por enquanto, um método agrícola economicamente viável, mas a organização espera que sejam encontradas formas de o tornar atrativo para alguns agricultores.

“É fantástico ver estes resultados. Regressamos simplesmente a uma agricultura sustentável e com resultados impressionantes”, afirmou Alan Kearsley-Evans, do National Trust. “Sabemos que a nossa exploração agrícola é muito pequena, mas o princípio do que estamos a fazer e os seus resultados poderiam ser aplicados a grandes explorações agrícolas intensivas. Procuramos provar, dentro de alguns anos, a viabilidade deste método e mostrar os muitos benefícios que traz.”

Todas as culturas foram plantadas por uma razão e a vida selvagem é o grande vencedor, sendo que cada campo beneficia uma grande variedade de invertebrados e pássaros ao longo do ano”, disse.

No próximo ano, a equipa planeia alternar as plantações, atribuir mais duas ou três faixas à plantação de alfazema e introduzir colmeias para a produção de mel.

O que se tinha tornado um pedaço de campo bastante estéril foi trazido de volta à vida, a fervilhar de cores e como um refúgio para aves, borboletas e insetos de todos os tipos, assim como para pequenos mamíferos e répteis”, sublinharam dois dos voluntários envolvidos no projeto, Malcolm e Ruth Ridge.

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