Uma investigação da PETA convenceu a Procter & Gamble a trocar o pelo de texugo dos seus pincéis de barbear por cerdas sintéticas.

Pincéis de texugo

A Procter & Gamble decidiu deixar de vender pincéis de barbear feitos de pelo de texugo, após uma investigação da organização de defesa dos direitos dos animais PETA ter revelado os maus-tratos praticados nas quintas de produção de peles na China.

O pelo de texugo é utilizado com frequência na produção dos pincéis para pintura, maquilhagem e barbear vendidos um pouco por todo o mundo.

Os vídeos da PETA mostram os trabalhadores a “espancar os texugos na cabeça com o que conseguiam encontrar à mão, incluindo a perna de uma cadeira, antes de os degolarem”, conta a organização.

“Quando a PETA nos contactou por causa deste relatório sobre a indústria de peles de texugo, ficamos muito perturbados ao descobrir estas práticas terríveis”, declarou a P&G. “Embora não tenhamos provas de que qualquer um dos nossos fornecedores esteja envolvido neste tipo de métodos, acreditamos que podemos contribuir para que se ponha cobro a este tipo de práticas. Tendo isto em mente, decidimos parar imediatamente de adquirir pelo de texugo para a nossa marca The Art of Shaving.”

Texugo numa jaula

Os animais nas quintas investigadas pela PETA – alguns capturados na natureza, outros criados em cativeiro – eram mantidos em jaulas de dimensões reduzidas expostas aos elementos. A um dos texugos faltava uma pata, o que, segundo o proprietário da quinta, era resultado de uma luta com um animal de uma jaula vizinha.

“Os texugos são animais extremamente sociais que, na natureza, constroem sistemas elaborados de tocas subterrâneas, alguns dos quais com vários séculos de idade, que foram habitados por muitas gerações do mesmo clã de texugos”, conta a PETA.

A The Art of Shaving, adquirida pela P&G em 2009, vende produtos masculinos de luxo para cuidado pessoal. Um dos seus best-sellers, um pincel de pelo de texugo, custa 210€. A marca passará agora a utilizar cerdas sintéticas.

“Enquanto acabamos de vender o nosso stock existente de pincéis para barbear [de pelo de texugo], iremos acelerar os esforços para desenvolver alternativas ainda melhores para o futuro”, declarou Scott Heid, representante da P&G.

A PETA deixou um apelo aos consumidores para que, na hora da compra, escolham pinceis sintéticos.

Para além da Procter & Gamble, as empresas Bonanza, Beau Brummell e The New York Shaving Company também já se comprometeram a proibir o pelo de texugo.

O movimento "fur-free" tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos. Nos últimos oito meses, a Burberry, a Versace, a Tom Ford e a Maison Margiela comprometeram-se a deixar de usar peles nas suas coleções, juntando-se a marcas como a Hugo Boss, a Armani e a Stella McCartney.

ATENÇÃO: O vídeo que se segue, filmado pela PETA nas quintas de produção de peles de texugo na China, contém imagens chocantes.


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