O número de ouriços-cacheiros nas zonas rurais de Inglaterra e do País de Gales caiu drasticamente, revelou um novo estudo.

Ouriço

O número de ouriços-cacheiros nas zonas rurais de Inglaterra e do País de Gales caiu drasticamente, revelou um novo estudo das Universidades de Nottingham Trent e de Reading. Os cientistas alertaram que “há algo de fundamentalmente errado nas paisagens rurais”.

Com base nas pegadas deixadas pelos pequenos mamíferos em túneis especiais, a equipa de investigadores descobriu que os ouriços só estavam presentes em 21% dos 261 locais estudados.

“Os efeitos combinados do aumento da abundância de texugos e da agricultura intensifiva podem ter dado origem a uma ‘tempestade perfeita’ para os ouriços no espaço rural britânico, conduzindo a níveis preocupantemente baixos de ocupação ao longo de grandes áreas”, concluíram os autores do estudo.

“Os nossos resultados indicam que uma grande parte das zonas rurais da Inglaterra e do País de Gales pode não ser adequada para que os ouriços e os texugos vivam nela. Dada a semelhança das dietas das duas espécies, uma explicação para isto pode estar na menor disponibilidade dos macroinvertebrados (como as minhocas) de que ambas as espécies se alimentam para sobreviver”, disse Ben Williams, investigador da Universidade de Reading, que liderou o estudo.

Apesar de se ter verificado que os ouriços eram menos comuns nas zonas onde existiam muitos texugos, as duas espécies coexistiam em metade dos locais onde os ouriços estavam presentes. “Os texugos e os ouriços conseguem coexistir e realmente fazem-no, como aconteceu durante milénios”, lembrou o investigador.

Num quarto dos locais examinados, nenhuma das duas espécies foi descoberta. “Há algo de fundamentalmente errado na paisagem rural para estes animais e provavelmente para outras espécies também”, alertou Ben Williams.

Texugo
Para além de poderem comer ouriços, os texugos também competem com eles pelos mesmos alimentos. “Isto, naturalmente, torna a sua relação complexa”, comentou Nida Al-Fulaij, da People’s Trust for Endangered Species, que financiou o estudo.

“Transformar o campo num deserto”

Não são só os ouriços a abandonar o meio rural. Em março deste ano, dois estudos revelaram que as populações de aves nas zonas rurais francesas sofreram um declínio de um terço nos últimos 17 anos, uma “catástrofe” atribuída pelos investigadores ao uso intensivo de pesticidas na agricultura, que faz com que os insetos, dos quais as aves se alimentam, desapareçam.

Por sua vez, na Alemanha, os insetos voadores sofreram um declínio dramático de quase 80% nos últimos 27 anos, alertou um estudo publicado no final de 2017.

“Estamos a transformar os nossos campos em desertos”, alertou Benoit Fontaine, biólogo do Museu Nacional de História Natural de França. “Nós precisamos dessa natureza, dessa biodiversidade – a agricultura precisa dos polinizadores e o solo da fauna. Sem isso, em última análise, não sobreviveremos.

Para Ben Williams, a culpa não pode, contudo, recair exclusivamente sobre os agricultores. “Acho que existe uma questão social mais vasta. Os agricultores são acusados de causar grande parte da perda de habitat, ao passo que, como sociedade, decidimos que queremos comida barata e não estamos dispostos a pagar mais por alimentos cultivados de uma forma mais sustentável”, disse.

Ouriço

O seu quintal pode ser um refúgio para os ouriços

Segundo o novo estudo sobre ouriços, estes animais podem estar a usar as zonas de habitação humana como uma espécie de refúgio.

“Os jardins residenciais podem oferecer aos ouriços uma série de benefícios, para além de lhes permitirem escapar a alguns dos problemas associados à paisagem rural. Portanto, as casas, aldeias e vilas perto de paisagens mais rurais são zonas importantes para os ouriços, algo que se poderá acentuar se continuarmos a assistir ao seu declínio nas zonas rurais britânicas”, defendeu Ben Williams.

“Este trabalho fascinante lembra-nos de que os nossos quintais podem ser habitats vitais e que os podemos facilmente melhorar com algumas pequenas ações. A mais importante é garantir que eles conseguem entrar no nosso jardim e um pequeno buraco – 13 cm – será suficiente para isso”, disse Hugh Warwick, da Sociedade Britânica de Preservação do Ouriço.

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