Os animais de companhia exóticos vendidos a preços baixos e que crescem muito têm mais probabilidade de serem libertados pelos seus donos na natureza.

Iguana

Os animais de estimação exóticos que são vendidos a preços baixos e que crescem muito têm mais probabilidade de serem libertados pelos seus donos na natureza, revelou um estudo publicado na revista científica Journal of Applied Ecology.

“É difícil desvendar os motivos que poderão levar um dono a libertar o seu companheiro. Decisões impulsivas de compra, tomadas sem a devida averiguação dos cuidados que serão necessários, podem constituir uma das razões”, disse Oliver Stringham, da Universidade de Rutgers, que liderou o estudo. “Os donos podem subestimar o espaço e as despesas necessárias para criar estes animais, à medida que eles crescem e chegam à idade adulta.”

Depois de serem abandonados à sua sorte, estes animais exóticos nem sempre se adaptam bem ao seu novo ambiente, não estando, por vezes, preparados para sobreviver na natureza. Quando o fazem, porém, podem proliferar e tornar-se invasores, prejudicando a vida selvagem nativa através da predação, da competição por alimentos e da transmissão de doenças novas e fatais. Tudo isto aumenta a probabilidade da extinção de espécies nativas.

O comércio de animais de companhia exóticos é responsável pela maioria das introduções de espécies de répteis e anfíbios em áreas não nativas, onde estas podem causar grandes danos.

Um exemplo disto é o caso do pitão-de-Burma, que se instalou no Parque Nacional Everglades, na Flórida. Esta cobra é originária do sudeste asiático e pode atingir 5,5 metros de comprimento, o que poderá ser uma das razões por que foram libertadas pelos seus donos nos anos 90. Desde então, a sua população aumentou drasticamente e causou o declínio acentuado de muitas aves e mamíferos nativos.

Pitão-de-Burma
Este pitão-de-Burma foi capturado no Parque Nacional Everglades | Foto: Susan Jewell/USFWS

Para o estudo, a equipa de investigadores identificou mais de 1700 espécies de répteis e anfíbios que foram vendidas como animais de companhia entre 1999 e 2016, nos Estados Unidos. Os lagartos foram o grupo com o maior número de espécies à venda (739), seguidos pelas cobras, com 490 espécies.

Em seguida, a equipa comparou esta informação a outros estudos e dados de um projeto de ciência cidadã que documenta avistamentos de espécies não autóctones no país, para descobrir as espécies que mais frequentemente acabam na natureza.

Os investigadores também procuraram características comuns a estas espécies, como a esperança de vida e a sua massa corporal. Descobriram que os animais de estimação mais populares, importados em grandes números e vendidos a preços baixos, geralmente enquanto crias pequenas, são os mais propensos a serem libertadas na natureza mais tarde.

Para além da acessibilidade de preços, os répteis e anfíbios que crescem muito ou vivem muito tempo também têm maior probabilidade de ser libertados.

“As jiboias e os pitões-reticulados atingem mais de 2,5 metros de comprimento. A rã-de-unhas-africana e as tartarugas russas vivem 30 anos ou mais”, disse Oliver Stringham. “Não querendo sacrificá-los, os donos podem recorrer à sua libertação.”

Os autores do estudo sugerem que o devido esclarecimento dos futuros donos sobre a esperança de vida e o crescimento destes animais, assim como sobre os impactos ecológicos negativos que podem resultar da sua libertação, poderia evitar futuras libertações. Também defendem que lhes deve ser dado acesso a uma lista de lugares seguros para os entregar.

“No que toca ao combate aos invasores da natureza, o melhor é adotar-se uma abordagem preventiva”, disse Julie Lockwood, professora da Universidade de Rutgers e coautora do estudo. “Parar a proliferação de uma espécie estabelecida não é, muitas vezes, possível e, quando o é, a sua erradicação é muito dispendiosa. Embora possa não ser possível prevenir totalmente a libertação de animais exóticos, reduzir o número pode ser uma forma eficaz de prevenir que novas espécies se estabeleçam e se possam tornar invasoras.”

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