Se a população mundial adotasse as orientações dietéticas norte-americanas, não haveria terra suficiente para produzir a comida necessária.

exploração agrícola

Se a população mundial adotasse as orientações dietéticas norte-americanas, não haveria terra suficiente para produzir a comida que seria necessária.

Com as atuais práticas agrícolas, seriam necessários mais mil milhões de hectares de terra, uma área aproximadamente equivalente ao tamanho do Canadá, para que esta transição pudesse acontecer, concluiu um novo estudo publicado na revista científica PLOS ONE.

“Os dados mostram que necessitaríamos de mais terra do que a que temos se adotássemos essas orientações. É insustentável”, declarou Madhur Anand, professora da Universidade de Guelph, no Canadá.

“Este é um dos primeiros trabalhos a analisar a forma como a adoção das orientações dietéticas ocidentais pela população global se traduziria em termos de produção alimentar, incluindo importações e exportações, e, especificamente, como isso ditaria o ordenamento territorial e os seus efeitos negativos”, disse a professora.

Apesar de as orientações dietéticas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) serem consideradas um avanço comparativamente às dietas atuais dos norte-americanos, segundo os investigadores, as diretrizes deveriam continuar a ser desenvolvidas, utilizando, como critérios, não só a saúde mas também o uso do solo e a equidade a nível global.

Precisamos de ver a dieta não só como uma questão de saúde individual mas também como uma questão de saúde dos ecossistemas”, defendeu Madhur Anand.

Os investigadores também descobriram que, se a maioria dos países do Hemisfério Ocidental passaria a utilizar menos terra ao adotar a dieta recomendada pelo USDA, por outro lado, a maioria dos países do Hemisfério Oriental usaria mais.

Os autores do estudo preconizam a coordenação internacional das orientações nacionais no domínio dos regimes alimentares, já que as terras globais são um recurso limitado. “Um dos grandes desafios do séc. XXI é o desenvolvimento de dietas que sejam saudáveis para os nossos corpos e sustentáveis para o planeta”, disse Evan Fraser, um dos coautores do estudo.
Foto: Gary Csoff

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