Ao tirar selfies com crias de leão ou participar em passeios com estes grandes felinos está, involuntariamente, a financiar a caça de troféus e o comércio de ossos destes animais.

cria de leão dentro de um recinto fechado com uma vedação

Se está a pensar visitar a África do Sul, saiba que, ao tirar selfies com filhotes de leão ou ao participar em passeios com estes grandes felinos, pode estar, involuntariamente, a apoiar a caça de troféus e o comércio de ossos destes animais.

Os parques sul-africanos onde os visitantes interagem desta forma com os grandes felinos fazem parte da lucrativa indústria de criação de leões da África do Sul.

Os turistas são frequentemente levados a pensar que estão a ajudar crias “órfãs”, que serão libertadas mais tarde na natureza, contribuindo assim para a preservação desta espécie ameaçada.

Mas a verdade não podia ser mais diferente. As crias não são “órfãs”, explicam os investigadores que visitaram as quintas de criação destes animais. São retiradas com poucos dias de idade às suas progenitoras, que se veem forçadas a “entrar num ciclo esgotante e contínuo de reprodução”.

Os filhotes nunca são libertados na natureza e, mesmo que o fossem, não sobreviveriam.

“Assim que as crias deixam de ser adoráveis e fofinhas, são usadas em passeios com leões. Quando os leões já são demasiado perigosos para essa atividade, alguns são vendidos para as ‘canned hunts’, onde são mortos por caçadores de troféus em recintos fechados, dos quais não podem escapar. Outros são mortos para o comércio de ossos, para depois serem exibidos ou usados em falsos tónicos medicinais na Ásia”, explica a organização Humane Society International (HSI).

leão espreita por um buraco na porta do sítio onde se encontra confinado
Foto: Ian Michler/Blood Lions

“A maioria das pessoas vem à África do Sul porque adora os leões e os outros animais selvagens. Ficariam chocadas ao descobrir que os adoráveis filhotes de leão com os quais tiraram selfies serão, um dia, mortos para fins lucrativos”, disse Audrey Delsink, da HSI/Africa.

Embora a África do Sul tenha menos de 3000 leões selvagens em liberdade, existem, no país, entre 6000 e 8000 destes animais mantidos em cativeiro em mais de 200 instalações de reprodução.

Em junho, o Departamento dos Assuntos Ambientais sul-africano autorizou a exportação anual de 1500 esqueletos de leões criados em cativeiro, o que é quase o dobro do número permitido no ano passado.


Vídeo: Alexandra Lamontagne trabalhou como voluntária num “santuário” sul-africano, ajudando a criar cinco crias de leão. Descobriu, mais tarde, que estas estavam destinadas a ser troféus de caça.

Como é impossível distinguir as partes corporais dos animais selvagens das dos criados em cativeiro, a exportação legal favorece a continuação do comércio ilegal de ossos de leões selvagens, para além de representar um risco para as populações de outros grandes felinos, incluindo os tigres.

Os turistas impulsionam involuntariamente esta indústria desprezível ao participarem em atividades como passear com leões e acariciar crias, ao mesmo tempo que os voluntários criam os filhotes de leão sem suspeitas, acreditando erradamente que os animais vão ser libertados na natureza”, declarou Will Travers, presidente e cofundador da Born Free Foundation.

“Agora que conheço a verdade por trás da indústria de criação de leões em cativeiro e a triste exploração destes leões, desde o seu nascimento até à morte, estou horrorizada pelo facto de esta ser a forma como tratamos o rei da selva”, confessou a atriz sul-africana Pearl Thusi.

Muitas crias de leão aos pés de um grupo de turistas. Um dos filhotes está ao colo de um turista.
Os turistas pagam para acariciar e interagir com crias de leão criadas para serem abatidas por caçadores | Foto: Ian Michler/Blood Lions

Veja ainda o trailer do documentário Blood Lions:


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