Os nossos quintais podem ser refúgios importantes para a vida selvagem.

Anfíbio com uma borboleta na cabeça

As populações de anfíbios estão a sofrer declínios um pouco por todo o mundo. Em muitos dos nossos quintais, o avistamento de sapos e rãs também se tem tornado menos comum.

“A maioria das pessoas lembra-se de ver girinos num lago local ou um sapo a sair de baixo de uma pedra, na infância”, disse Daniel Hayhow, cientista da Sociedade Real para a Proteção das Aves (RSPB, na sigla em inglês). “Estas primeiras experiências com a natureza ficam connosco para sempre. Lamentavelmente, as imagens e os sons da vida selvagem, outrora comuns, estão a tornar-se mais raros.”

Não nos devemos esquecer que os nossos jardins podem ser refúgios importantes para a vida selvagem. E, embora os sapos e as rãs não sejam os visitantes mais glamorosos destes espaços, estes animais “prestam um serviço de controlo de pragas muito útil (adoram comer lesmas e caracóis), por isso convidá-los para os quintais pode trazer muitos benefícios”, explica Becky Thomas, cientista da Universidade de Londres, Royal Holloway.

Anfibio num lago
Foto: RSPB

Uma das diversas causas dos declínios populacionais dos anfíbios é a perda de habitat, o que inclui, por exemplo, a redução dos números de lagos nos jardins e nas zonas rurais.

“As rãs e os sapos precisam de lagos limpos onde se possam reproduzir, mas, fora da época de reprodução, encontramo-los em pilhas de troncos e ervas altas. A moda de mantermos os nossos jardins meticulosamente limpos e arrumados deixa a nossa fauna selvagem sem lugares para se esconder”, escreveu Becky Thomas, num artigo publicado no site The Conversation.

Ao mesmo tempo, há quem alerte que a falta de contacto das crianças com a vida selvagem pode levar a que sofram de “transtorno de défice da natureza”, um termo cunhado em 2005 por Richard Louv. É por isso necessário encontrarem-se mais formas de encorajar a interação com a natureza.

Como podemos ajudar os anfíbios?

“Como as rãs e os sapos são anfíbios, precisam de uma fonte de água perto das suas casas para sobreviverem. É muito fácil dar-lhes uma mão, criando um pequeno lago ou usando um alguidar para fazer uma piscina longe da luz do sol e bem coberta com plantas. Estes passos simples também podem ter um impacto positivo em toda uma série de outros animais presentes nos nossos jardins”, sugeriu James Silvey, da RSPB.



Se quiser, também pode criar um lago maior. Numa questão de dias, o seu lago começará a ser habitado por espécies selvagens. Primeiro, aparecerão os invertebrados e as plantas, mas não demorará muito tempo até que este seja encontrado por uma população de rãs ou de sapos.

“Outro benefício da jardinagem amiga da vida selvagem é que costuma significar menos trabalho”, explica Becky Thomas. “Se cortar a relva com menos frequência, está a fornecer um bom habitat para a fauna selvagem. A criação de uma pilha de troncos [demonstrada no vídeo acima], a colocação de caixas-ninho para as aves ou de um buraco na sua vedação para dar passagem aos porcos-espinhos são tudo atividades que requerem pouco esforço e que são extremamente eficazes.”

Se não tem um quintal, pode mesmo assim participar nesta iniciativa, patrulhando e ajudando os sapos a atravessar estradas em segurança, quando estes animais migram para os seus locais de reprodução, ou tornando-se um cidadão-cientista e comunicando avistamentos ou colaborando com organizações locais.

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