O primeiro santuário do mundo para belugas está a ser criado numa baía na Islândia e vai receber animais mantidos em cativeiro em parques aquáticos.

Beluga

A Islândia vai ter o primeiro santuário do mundo para belugas, também conhecidas como baleias-brancas. Com 32 mil metros quadrados e uma profundidade de até 10 metros, o santuário vai ser a casa de duas belugas de 12 anos e traz esperança aos mais de 3000 cetáceos mantidos em cativeiro no mundo, à medida que a popularidade dos espetáculos com estes animais diminui.

As belugas que serão transferidas no próximo ano, Little White e Little Grey, estão atualmente num parque aquático em Xangai, o Changfeng Ocean World, onde realizam truques para entreter os visitantes. Ambas são originalmente das águas do Ártico russo, crendo-se que teriam dois ou três anos quando foram capturadas.

“Elas estão no aquário desde 2011”, disse Andy Bool, diretor da Sea Life Trust, uma organização que passou seis anos a desenvolver este projeto. “Ainda são relativamente novas. As belugas podem viver 40 ou 50 anos na natureza. Por isso, o objetivo do santuário é fornecer-lhes um lar para o resto das suas vidas.”

“Esperamos que, ao apontarmos o caminho com o nosso santuário, ajudemos a encorajar a reabilitação em ambientes naturais de mais baleias em cativeiro e a pôr termo aos espetáculos com baleias e golfinhos”, afirmou.

Santuário
O local escolhido para o santuário

No santuário, as duas belugas continuarão sob cuidado humano, uma vez que se acredita que não sobreviveriam por conta própria na natureza.

Little White e Little Grey ("Branquinha" e "Cinzentinha", em português) viajarão 9000 km, durante mais de 30 horas, para chegarem à Baía de Klettsvik, a localização do santuário, também conhecida por ter sido o local para onde Keiko, a orca do filme “Libertem Willy”, foi levada para ser treinada antes de ser libertada.

“Transportá-las é um processo difícil e pode ser bastante stressante para elas”, explicou Cathy Williamson, da organização Whale and Dolphin Conservation. “Infelizmente, a alternativa é deixá-las na sua piscina de cimento em Xangai e isso também não é bom para a sua saúde ou bem-estar.”



Entretanto, as belugas estão a ser treinadas para que consigam suster a respiração durante mais tempo e para que se tornem mais fortes de forma a aguentarem as marés e as correntes. Estão também a ganhar gordura para que consigam lidar com as temperaturas mais baixas da água do santuário. Espera-se que se possam juntar a elas, no futuro, até oito outras belugas.

“Agora existe mesmo uma alternativa para estes animais”, disse Andy Bool. “No passado, era apresentado o argumento de que não se pode simplesmente voltar a libertá-las no mar – e isso está certo. Mas espero que as pessoas vejam o que estamos a fazer e que queiram reproduzi-lo.”

“O primeiro santuário do mundo para baleias aponta o caminho rumo ao fim do cativeiro das baleias e dos golfinhos”, disse Cathy Williamson.

Subscrever a Newsletter

0 comentários. Diz-nos o que pensas

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.