O compromisso “sem precedentes” do governo indiano para eliminar todos os plásticos descartáveis até 2022 foi saudado pelas Nações Unidas e por diversas organizações.

Tartaruga e saco de plástico

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, anunciou que o país irá proibir todos os plásticos descartáveis até 2022.

“As escolhas que fazemos hoje definirão o nosso futuro coletivo”, disse Modi. “Poderão não ser fáceis, mas através da sensibilização, tecnologia e de uma parceria global genuína, tenho a certeza de que podemos fazer as escolhas certas. Juntemo-nos todos para vencer a poluição por plástico e tornar este planeta num lugar melhor para se viver.”

Com este compromisso – considerado “sem precedentes” pela agência da ONU para o ambiente – a Índia junta-se a uma lista crescente de países que já tomaram medidas para combater a poluição por resíduos plásticos, entre os quais o Quénia e o Chile, que proibiram os sacos plásticos, e Taiwan, que anunciou planos para proibir o uso de artigos descartáveis deste material até 2030.

A Índia comprometeu-se ainda a tornar 100 monumentos nacionais, incluindo o Taj Mahal, livres de lixo e anunciou que iria juntar-se à Campanha #CleanSeas da ONU, que criará programas para a monitorização e combate da poluição ao longo da costa do país.

Todos os anos, os rios transportam entre 1,15 e 2,41 milhões de toneladas de plástico até ao mar. 86% deste plástico provém dos rios de um único continente – a Ásia. Só o rio Ganges, na Índia, despeja cerca de 120 000 toneladas de plástico por ano no mar.

O impacto desta poluição na vida selvagem é trágico. Os resíduos de plástico no mar causam ferimentos e matam inúmeros animais marinhos, como as tartarugas, os golfinhos e as baleias, e também afetam os animais terrestres.

Estudos recentes têm revelado a presença de plástico nos lugares mais remotos, desde as fossas abissais às montanhas da Suíça. Para além de terem sido descobertos na água da torneira e no peixe vendido nos supermercados, os microplásticos também já entraram na cadeia alimentar terrestre.

“A degradação ambiental atinge especialmente os mais pobres e vulneráveis”, declarou o primeiro-ministro indiano. “É dever de cada um de nós garantir que a prosperidade material não compromete o nosso ambiente.”

“[O governo indiano] mostrou que a motivação política, convertida em ações concretas, pode inspirar o mundo e provocar mudanças reais”, comentou Erik Solheim, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente.
Foto: benjhicks.com

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