Nesta escola secundária, a agricultura biológica e a produção alimentar são integradas nas aulas e na vida dos alunos para formar “cidadãos bem equilibrados e consumidores inteligentes com consciência social”.



Durante a última década, a escola secundária de Olney Friends, nos Estados Unidos, tem integrado a agricultura biológica e a produção alimentar nas aulas e na vida dos seus estudantes. Em 2015, tornou-se o primeiro campus do país com certificação biológica do Departamento de Agricultura dos EUA.

“Há 100 anos que Olney tem práticas de conservação em vigor para proteger o ambiente”, explica Don Guindon, funcionário da escola fundada em 1837. A rotação de culturas, as culturas de cobertura e em curvas de nível são algumas das práticas sustentáveis usadas, que ajudam a preservar a fertilidade e a saúde do solo e a combater a erosão. No processo, a escola também quer melhorar a saúde dos seus estudantes.

Os alunos cultivam uma grande variedade de frutas, vegetais e ervas aromáticas, cuidam de cabras, galinhas, porcos e vacas e produzem feno para o gado. Recentemente, também decidiram juntar a apicultura ao seu reportório. Os alimentos produzidos são depois transformados em refeições na cantina da escola.

O objetivo de Olney não é necessariamente formar futuros agricultores. De facto, os alunos seguem para a universidade e poucos – se é que alguns – se dedicam à agricultura mais tarde.

O nosso objetivo é formar cidadãos bem equilibrados que são consumidores inteligentes com consciência social. A quinta é um ótimo lugar para assimilar lições sobre a complexidade dos sistemas sustentáveis”, contou Don Guindon à YES! Magazine.


Fotos: Mark Hibbett

A cantina serve três refeições por dia, sete dias por semana, para os cerca de 50 alunos.

40% dos alimentos provêm da quinta da escola ou da zona local, mas a instituição de ensino quer que este número cresça e está a explorar técnicas para minimizar o desperdício. Algumas das possibilidades: fazer kimchi com as couves da quinta, utilizar os morangos para fazer compotas e os ovos para fazer massas. E quer que os alunos estejam envolvidos em todas as etapas.

A quinta produz e usa cerca de 40 toneladas de composto anualmente, utilizando estrume, resíduos da cantina e as folhas de outono recolhidas na vila vizinha.

A filosofia da escola também é incorporada nas aulas: numa aula de biologia os alunos podem visitar a estufa para ajudar a polinizar os limoeiros à mão, noutra aula de arte podem trabalhar em modelos para a remodelação de uma porção da estufa.


Fotos: Mark Hibbett

Olney ajusta o calendário de plantação para maximizar a participação dos alunos. Algumas culturas são plantadas tardiamente para que os adolescentes possam ajudar na colheita quando regressam das suas férias de Verão.

Um dos alunos, Izraa Rosa, que cresceu no seio de uma família vegan, conta que os seus pais dão valor ao facto de a comida na escola ser de produção local e livre de pesticidas. “Cresci na cidade, onde os meus amigos e eu tínhamos cuidado para não sujarmos os sapatos. Agora sujo as minhas mãos e adoro. Tenho a mente mais aberta e recetiva a novas experiências.”

“Sempre que os estudantes participam nas tarefas da manhã, apercebem-se de todo o trabalho por detrás das coisas. Esses ovos não aparecem nos nossos pratos ao pequeno-almoço. Alguém tem de ir recolhê-los às seis da manhã”, conta Adam Dyer, outro funcionário.

Antonia Sigmon, aluna do último ano do secundário, participou no maior número possível de atividades, desde a apanha da batata ao aleitamento artificial de cabritos recém-nascidos. “Estava entusiasmada com a ideia de trabalhar com os animais”, admite. “E gosto de estar em contacto com a terra e com tudo o que está a crescer.”

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