De todos os mamíferos na Terra, 96% são seres humanos e gado. Só 4% são mamíferos selvagens, revelou um novo estudo sobre a distribuição da biomassa dos organismos da Terra.

Tigre

Embora representemos apenas 0,01% de todos os seres vivos na Terra, já causamos a perda de 83% dos mamíferos selvagens e de metade das plantas do mundo. Estas são as conclusões de um estudo pioneiro sobre a distribuição da biomassa dos organismos na Terra.

Entre as revelações surpreendentes do trabalho estão o facto de as aves de capoeira representarem, hoje em dia, 70% de todas as aves no planeta e de o gado – na sua maioria bovino e suíno – representar 60% de todos os mamíferos. Os seres humanos perfazem, por sua vez, 36% desta classe de animais.

Isto significa que, em conjunto, a Humanidade e o gado representam 96% da biomassa de mamíferos na Terra e que apenas 4% desta corresponde a mamíferos selvagens.

“É bastante assombroso”, contou Ron Milo, do Instituto Weizmann de Ciência, ao The Guardian. “Quando faço um puzzle com as minhas filhas, costuma haver um elefante ao pé de uma girafa ao lado de um rinoceronte. Mas se estivesse a tentar dar-lhes uma ideia mais realista do mundo, seria uma vaca ao lado de uma vaca ao lado de outra vaca e depois uma galinha.”

Gado na Amazónia
Criação de gado na Amazónia | Foto: Daniel Beltra/Greenpeace

A desflorestação, a urbanização, a destruição de habitats e a expansão da agricultura resultaram no começo do que muitos cientistas consideram ser a sexta extinção em massa de vida na Terra. Pensa-se que se perdeu cerca de metade dos animais selvagens só nos últimos 50 anos.

Desde os primórdios da civilização, 83% dos mamíferos selvagens desapareceram, restando agora apenas um sexto. Nos oceanos, três séculos de pesca agressiva deixaram apenas um quinto dos mamíferos marinhos.

A transformação do planeta devido à atividade humana já levou os cientistas à beira da declaração de uma nova era geológica – o Antropoceno –, para a qual um dos marcadores geológicos sugeridos seriam os ossos das galinhas domésticas, omnipresentes, hoje em dia, em todo o mundo.

Outros dados do estudo revelaram que as plantas representam 82% de toda a matéria viva, seguidas pelas bactérias (13%). Todas as outras criaturas – desde insetos e fungos, passando por peixes e mamíferos – representam apenas 5% da biomassa mundial. Os organismos dos oceanos representam apenas 1%.

Apesar do seu impacto desproporcionado, o Homo sapiens é insignificante, em termos de peso. O peso conjunto dos vírus é três vezes maior do que o dos seres humanos, o dos peixes 12 vezes superior e o dos fungos 200 vezes.

Para a realização do estudo, os investigadores analisaram centenas de trabalhos de investigação e utilizaram o carbono como medida fundamental, descobrindo que toda a vida na Terra contém 550 mil milhões de toneladas deste elemento.

“Há duas conclusões principais a tirar deste trabalho”, disse Paul Falkowski, da Universidade Rutgers, que não esteve envolvido no estudo. “A primeira é que os seres humanos são extremamente eficientes na exploração dos recursos naturais. Os humanos mataram, e em alguns casos erradicaram, mamíferos selvagens para a obtenção de comida ou por prazer em virtualmente todos os continentes. Em segundo lugar, a biomassa das plantas terrestres domina predominantemente a nível global.”

“As nossas escolhas alimentares têm um grande impacto nos habitats dos animais, plantas e outros organismos”, comentou Ron Milo. “Espero que as pessoas considerem este [trabalho] como parte da sua visão global sobre a forma como consomem. Não me tornei vegetariano, mas considero o impacto ambiental quando tomo decisões, e isso ajuda-me a decidir se quero carne de vaca, de aves ou se quero usar tofu em vez disso.”

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