Se substituíssemos os alimentos de origem animal por alternativas vegans, teríamos capacidade para alimentar mais centenas de milhões de pessoas.

comida vegan

Um novo estudo do Instituto Weizmann de Ciência revelou que, se substituíssemos todos os alimentos de origem animal nas nossas dietas por alternativas de origem vegetal com um valor nutricional semelhante, teríamos capacidade para alimentar mais centenas de milhões de pessoas.

Cerca de um terço da comida produzida no mundo para consumo humano é perdida ou desperdiçada, todos os anos. Contudo, segundo os autores do novo estudo, existe um outro tipo de desperdício alimentar que não é contabilizado e que se prende com as escolhas alimentares que fazemos e que resultam no esbanjamento dos recursos ambientais.

Os investigadores chamaram-lhe “desperdício alimentar de oportunidade”, um termo inspirado pelo “custo de oportunidade”, um conceito económico que se refere ao custo de se escolher uma determinada alternativa em detrimento de opções melhores.

Este tipo de desperdício decorre da utilização de terras agrícolas para se produzirem alimentos de origem animal em vez de alternativas de origem vegetal nutricionalmente semelhantes.

Os cientistas calcularam que, só nos EUA, a substituição de todos os alimentos de origem animal por alternativas de origem vegetal proporcionaria comida suficiente para alimentar mais 350 milhões de pessoas, o que é mais do que a população total do país, sem ser necessário usarem-se mais terras.

“A nossa análise mostrou que o favorecimento de uma dieta à base de alimentos de origem vegetal poderá potencialmente produzir mais comida do que a eliminação de todas as causas convencionais de desperdício alimentar”, disse Alon Shepon, principal autor do estudo.


Criação de gado na Amazónia | Foto: Daniel Beltra/Greenpeace

Os cientistas compararam os recursos necessários para a produção de quatro importantes categorias de alimentos de origem animal – carne de vaca, carne de porco, lacticínios, carne de aves e ovos – com os recursos necessários para produzir culturas com um valor nutricional semelhante em termos de proteína, calorias e micronutrientes.

A equipa descobriu que os alimentos “substitutos” de origem vegetal conseguiam produzir entre 2 e 20 vezes mais proteína por acre.

Os resultados mais drásticos foram obtidos relativamente à carne de vaca. Os investigadores compararam-na com uma mistura de plantações – soja, batatas, cana-de-açúcar, amendoins e alho – que tem um valor nutricional semelhante, quando combinadas em proporções certas.

A área que produziria 100 gramas de proteína destas plantações apenas proporcionaria 4 gramas de proteína de carne de vaca. Por outras palavras, a utilização de terrenos agrícolas para produzir carne de vaca em vez de plantações substitutas resulta num “desperdício alimentar de oportunidade” de 96 gramas – ou uma perda de 96% – por unidade de terra.

Isto significa que o potencial ganho de se redirecionarem os terrenos agrícolas da produção de carne de vaca para a de alimentos de origem vegetal para consumo humano seria tremendo.

Para as outras categorias de alimentos de origem animal, os resultados também foram significativos: uma perda de 90% para a carne de porco, 75% para os lacticínios, 50% para a carne de aves e 40% para os ovos.

“O desperdício alimentar de oportunidade deve ser tido em consideração se queremos fazer escolhas dietéticas que reforçam a segurança alimentar global”, disse o professor Ron Milo, coautor do estudo.

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